Presidente da Colômbia afirma à ONU: “a guerra às drogas não foi vencida”

sgrfdvCom muita atitude, postura e sinceridade, o presidente da Colômbia Juan Manuel Santos deixou a Assembléia Geral da ONU em uma verdadeira saia justa, ao abordar o evidente fracasso da “Guerra às Drogas” (guerra essa que afeta praticamente todos os países do mundo, principalmente os países produtores como o México e a própria Colômbia).

“Bem aqui, nesta mesma sede, há 52 anos atrás, a convenção que deu origem à guerra às drogas foi aprovada. Hoje, devemos reconhecer que a guerra não foi vencida”, disse Santos aos vários líderes na Assembléia, ao referir-se à Convenção Única sobre Entorpecentes de 1961.

“E eu digo isso como presidente do país que sofreu mais mortes, mais derramamento de sangue mais sacrifícios nessa guerra, e o pais que obteve mais resultados na luta contra esse flagelo e as máfias que sustentam isso”.

Algumas pessoas não sabem, mas a Colômbia é o maior exportador de cocaína do planeta, mesmo que haja uma forte repressão contra as guerrilhas armadas que estão envolvidas com os carteis das drogas.

Segundo Santos, o conflito armado na Colômbia já matou mais de 220 mil pessoas nos últimos 50 anos.

A estratégia do presidente foi desafiar os guerrilheiros que uniram forças com os traficantes para responder às propostas do governo para acabar com o conflito armado através do diálogo e disse que o fracasso seria condenar seu país à muito mais anos de derramamento de sangue e dor.

O presidente também fez declarações parecidas sobre o fracasso da cooperação internacional para combater o tráfico de drogas no ano passado na Cúpula das Américas, quando a OEA foi chamada para estudar novas abordagens para o combate ao tráfico de drogas.

Os estudos foram entregues em maio, disse Santos, propondo que as Nações Unidas desse séria consideração à então chamada Sessão Especial sobre Drogas de 2016, proposto pelo México e aceito pelo órgão mundial.

O presidente colombiano também disse que no mês passado ele estava pronto para iniciar negociações de paz com o menor dos dois grupos rebeldes de esquerda na Colômbia, o Exército de Libertação Nacional (ELN), para tentar acabar com meio século de guerra no país.

No ano passado, seu governo abriu negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e, embora as negociações tenham sido turbulentas as vezes e lentas, nenhum dos dois lados tem andado fora da linha.

Sem nomear os grupos rebeldes, Santos pediu às FARC e ao ELN que aproveitassem o que ele chamou de “um momento histórico”.

“Os guerrilheiros terão que decidir se eles optam por uma paz honrosa e de longa duração, ou se eles vão insistir na guerra”, disse o presidente.

“O tempo das decisões chegou. Se sairmos de mãos vazias, vamos condenar nossa nação à muitos anos mais de derramamento de sangue e dor”, disse. “Não podemos perder esta oportunidade. As gerações futuras e a história jamais nos perdoariam.”

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