Cidade do México estuda propostas para legalizar a maconha

Screen-Shot-2013-10-15-at-7.07.34-AM-750x497Outras medidas liberais, como casamento gay e regulação do aborto já foram adotadas na capital.

Autoridades da Cidade do México D.F, incluindo o prefeito Miguel Mancera, estão debatendo propostas para regulamentar o consumo de maconha. Os legisladores estão debatendo os aspectos econômicos, de saúde e segurança sobre a canábis para propor uma série de medidas, que serão apresentadas no final deste mês. O sistema federalista mexicano permite que uma única localidade – o Distrito Federal, no caso – adote uma política independente do restante do país, como já ocorreu na questão do aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Embora no âmbito da lei federal a maconha seja proibida, permitido apenas o porte de no máximo 5 gramas para consumo próprio, muitas pessoas que plantam em casa correm o risco de serem pegas pela polícia e condenadas a sentenças pesadas. Por isso, uma das ideias debatidas pelo Conselho Federal da Cidade do México prevê a criação de “clubes da Cannabis”, no qual membros cultivariam a erva, e cada um poderia levar consigo uma quantidade máxima de 30 gramas. Caso um indivíduo seja pego na rua com quantidades acima de 30 gramas, as autoridades policiais poderiam leva-los a “comitês de dissuasão”, que recomendariam os usuários a buscarem tratamento. O uso medicinal da ganja também é objeto de debate nas casas legislativas da capital mexicana.

A população do México, principalmente os habitantes do norte do país, tem vivido nos últimos anos uma verdadeira catástrofe em decorrência da guerra contra as drogas. Desde 2006, mais de 60 mil pessoas morreram vítimas dessa violência. Os carteis mexicanos movimentam bilhões de dólares por ano comercializando cocaína, metanfetamina, heroína e maconha, principalmente para os Estados Unidos. Embora a fronteira dos dois países seja uma das mais vigiadas do planeta, a droga entra fortemente no território norte-americano, numa clara prova de que a Guerra contra drogas é um fracasso total- e mortal. Os defensores da legalização da capital mexicana alegam que a medida seja o primeiro passo para, aos poucos, mudar a lei de drogas no México, nos Estados Unidos e nos países da América Central.

Num cenário no qual a maconha seria legalizada na maior área metropolitana do continente americano, os carteis ainda não poderiam sentir muito impacto em seus negócios. Mas se a capital do México legalizar a marijuana, certamente será também um estímulo para avançar o debate em outras cidades do país.

No debate que está agitando a sociedade mexicana, a Igreja Católica e outros grupos conservadores têm se manifestado contra a legalização. Por outro lado, atores como Gael Garcia Bernal e políticos como o ex-presidente do México, Ernesto Zedillo, encabeçam as opiniões favoráveis a mudanças na lei de drogas. Zedillo também é integrante da Comissão Latino Americana sobre Drogas e Democracia, da qual também faz parte o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso.

 

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