A nova regra da Veja: se não podes com a legalização, fale mal dela

Acesse a matéria completa clicando na imagem.

Esta semana, a matéria principal da Veja foi a legalização gringa.

Mesmo atacando a legalização dos EUA e Uruguai, a revista começa a assumir que o processo é uma realidade global – e pode chegar por aqui.

Num tom delicadamente furioso, a edição desta semana da revista Veja não poupou esforços na tentativa de detonar os promissores projetos de legalização da maconha que estão em curso no nosso continente. É cada vez mais explícito o desespero do proibicionismo brasileiro, que através dessa matéria “especial”, destila todo seu veneno de maneira vergonhosa e humilhante.

A publicação seguiu o exemplo da Rede Globo com o Profissão Repórter e tentou maquiar suas más intenções. Abordou a legalização do Uruguai e EUA da pior maneira possível, reproduzindo falácias e mitos, afim de confundir a cabeça do leitor e dificultar ao máximo que o processo se concretize no Brasil.

Apesar da capa bem bolada, a matéria é no mínimo maldosa e desonesta. Logo no começo da revista, uma Carta ao Leitor entitulada “Uma falsa solução mágica” já anuncia o desastre que vem pela frente. O texto explica a proposta da matéria, desaprovando desde aí as propostas de legalização.

Chegando na matéria principal, o texto já começa atacando a maconha, associando-a ao câncer e improdutividade social, entre outras mentiras. A linha de pensamento segue preocupante e continua, apavorando o reaça brasileiro com os perigos da legalização estrangeira.

É importante prestar atenção aos termos utilizados e a forma que são empregados. O usuário sempre é chamado de viciado, buscando a pior imagem possível. Utilizando constantemente a palavra droga para falar de maconha, o texto chega ao absurdo de insultar o BHO(Butane Hash Oil, uma espécie extrato concentrado) em um rodapé explicativo, chamando-o de “Crack da Cannabis”. Para um leigo no assunto, essas informações são chocantes. Comparam o extrato que tem indices quase absolutos, na casa dos 95% de THC com as flores com cerca de 25%, numa tentativa clara de alarmar o leitor associando a imagem negativa do crack com a potência do extrato.

A revista dedicou uma página inteira para um infográfico com os mais controversos dados. Uma clara tentativa de desestimular no leitor o conceito de legalização.

A revista dedicou uma página inteira para um infográfico com os mais controversos dados. Uma clara tentativa de desestimular no leitor o conceito de legalização.

Como não podia faltar, um enorme gráfico de uma página inteira apontando os malefícios do uso. Entre mentiras e meias verdades, é preciso contar até dez e manter a calma pra não tacar fogo na revista. Acusações totalmente controversas, sem base nas mais recentes pesquisas. As mais conceituadas universidades do planeta publicam inúmeros  estudos todo mês comprovando a eficácia no combate do câncer. São tantos absurdos que qualquer pessoa minimamente instruída no assunto vai rir, e se preocupar.

Durante toda a matéria o cidadão americano é tratado como um alienado tendencioso que está numa onda verde, como se os 58% que aprovam a legalização no país nãqo estivessem cansados da guerra assassina e sanguinária contra a maconha. Não explica o longo processo que o país sofreu para culminar em 1996 com a Califórnia se tornando o primeiro estado a legalizar a maconha para fins medicinais.

A publicação ataca sem piedade o mercado estabelecido em torno da maconha. De maneira perspicaz, Steve DeAngelo, dono da Harborside (maior dispensaria dos EUA), é pintado como uma espécie de mafioso. De maneira proposital, usam uma fala do próprio DeAngelo para associar armas e perigo com o comércio legalizado – como se o que restasse para garantir a segurança fosse grandes empresas, e sabemos que não é verdade.

E a coisa fica mais escancarada ainda quando resolvem abordar a legalização uruguaia. A revista taxa o Uruguai como um país de idosos e jovens maconheiros, e até entrevistaram uma senhora maconheira que se opõe fervorosamente ao projeto do país, alegando que não funcionará.  Nomeiam o processo dos hermanos de “Legalização Socialista” e a dos EUA de “Legalização Capitalista”, e dessa forma usam um gráfico comparativo para afirmar que o modelo americano é melhor e mais controlado.

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A velha luta do Capitalismo X Socialismo para criticar o modelo de legalização Uruguaio.

Nesse ponto é importante lembrar que nada acontece da noite pro dia. Não foi assim nos EUA, nem no Uruguai e tão pouco será no Brasil. O processo de legalização é trabalhoso e requer muita paciência. Apesar de todos os termos negativos, o alarmismo e os jogos de palavras mal intencionados, a revista começou a assumir que a legalização é inevitável e uma hora vai chegar por aqui. Há uma grande diferença para a última edição onde a matéria principal foi maconha também e de tão ridícula, virou até meme na internet.

Sempre soubemos que a Veja é contra a maconha e a legalização, mas essa edição pode ser um marco na linha editorial da revista. Mesmo que pareça que foi o próprio Osmar Terra que tenha feito a matéria e aproveitado para atacar o Uruguai (como um verdadeiro recalcado), ela dá sinais de que está dando o braço a torcer. Tomara que essa tendência tenha chegado de vez, começando por Globo e Veja e se alastre pelo resto da mídia de massa. Ainda que o processo seja lento, mais do quer nunca, já podemos avistar a legalização brasileira se aproximando no horizonte.

Faça o download da versão PDF da matéria: veja maconha usa

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