Legalizando em casa

 

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Calma, confiança, eloquência e conhecimento são alguns dos fatores que podem fazer a diferença na hora de sair do armário.

Assumir-se um maconheiro em casa nunca é uma tarefa fácil. São necessários alguns cuidados pra não vacilar e manter o nível do debate o mais alto possível, e nem sempre estamos bem preparados para isso.

Para você que ainda não abriu o jogo com seus familiares, sente medo da reação deles e sente necessidade de mudar isso mas não sabe muito bem como, aqui vão algumas dicas para que você obtenha sucesso ao sair do armário e se assuma um orgulhoso maconheiro.

Muita calma nessa hora

No caso de novatos, um bom começo é não entrar em pânico! Isso não ajuda em nada: você vai gaguejar, suar frio e parecer completamente suspeito – agindo como se fumar maconha fosse realmente algo errado, o que não é verdade.

Já se você é um maconheiro de longa data, sabe que não é muito fácil legitimar a maconha para uma geração que foi ensinada através de propagandas mal intencionadas e empurradas à força.

Antes de você falar sobre maconha com seus familiares procure saber um breve histórico da vida de todos. Algumas famílias tem um histórico de abuso de drogas, e essas geralmente prezam muito pelas escolhas saudáveis de seus entes queridos. Geralmente são mais preocupadas com a questão das drogas.

Tenha sempre em mente que a missão não é fácil. Seja você um noob ou macaco-velho, com certeza vai precisar de muita coragem e jogo de cintura pra driblar o proibicionismo caseiro. As famílias necessitam de dados precisos e muita informação de qualidade para que consigam confiar, deixar seus paradigmas e o preconceito de lado. Todas as mentiras contra à planta que já foram ensinadas, foram ditas e repetidas por anos de forma incisiva e focada.

Tanto para as famílias que sofreram problemas com drogas, quanto famílias conservadoras mudar de opinião é muito complicado e o processo é lento. É necessária muita paciência e calma nesse momento.

Informação de qualidade é fundamental

Pessoas mais velhas (como seus avós, por exemplo) podem não mudar de opinião facilmente, especialmente quando se trata de um assunto tão “tabu” como a maconha.

Portanto, outro passo muito importante é apresentar tudo o que você tiver de material e informação sobre o assunto. Artigos sobre o que realmente é a maconha, seus fins medicinais, industriais, nutricionais, leis, história e o que mais tiver acesso. É necessário ter calma e explicar-lhes tudo que conseguir sobre a planta, desde o que são tricomas até o canabinoide CBD que é indispensável para o uso medicinal.

Os documentários “Cortina de Fumaça” e “Quebrando Tabu” dão uma bela pincelada sobre o assunto, sem contar diversos outros que contam sobre o que é a planta e o processo de legalização (The Union: The Business Behind Getting High), a história da proibição (Grass: The History of Marijuana) e tratamentos medicinais (Run From The CureWhat If Cannabis Cured Cancer ou Weed – Dr. Sanjay).

Alguns livros também são muito recomendados para você que deseja explanar a ganja com muita informação. Algumas opções são o “O Fim da Guerra”, de Denis Russo, que aborda a questão da legalização ao redor do mundo; “Maconha Cérebro e Saúde”, de Renato Malcher e Sidarta Ribeiro, que fala de maneira profunda sobre os efeitos da maconha no corpo humano (e tem talvez a melhor introdução histórica sobre a planta que um livro já tenha publicado no Brasil);  “O Grande Livro da Cannabis”, de Rowan Robinson, fala bastante sobre o cânhamo e seus usos industriais; também temos o “O Fino da Erva”, de Dau Bastos, que tem uma linguagem simples e é uma ótima opção para os pais; e por último indicamos o “Maconha: Mitos e Fatos”, de Lynn Zimmer e John P. Morgan, que da não só um, mas vários pontos finais em lendas e mitos sobre a maconha.

É muito importante oferecer conteúdo de qualidade sobre o tema para aqueles que não tiveram oportunidade de conhecer a planta como ela realmente é, para que possam formar opiniões embasadas em informações concretas e reais sobre o assunto. Lembrando que a informação deve ser passada aos poucos, para que não se sintam pressionados a mudar de opinião de maneira forçada, e sim construírem um entendimento ao tempo deles. Deixem-os “à sós” com a informação!

Prepare-se para conversar mais de uma vez

Depois que sua família já estiver aceitando que você é usuário de canábis, vai ser necessário mais do que uma única simples conversa. Podem surgir lágrimas, frustração e até debates acirrados, mas tudo isso é esperado e normal, já que estas informações podem ser confusas por conta do lado emocional.

Mostre os pontos bons da maconha, os benefícios de suas diversas formas de uso, desmistifique-a e explique a finalidade da mídia de massa – de alimentar a ideia nas pessoas de algo que querem, que no caso é a proibição da maconha. E acima de tudo, mostre-lhes como tudo começou e o real motivo de sua proibição. Um ótimo documentário que contém essa informação é o “Grass: History of Marijuana”.

“Bem-vindo ao meu mundo”

Apresente à eles outras pessoas que fazem parte deste grande “barato”. Apesar de ser um tabu, fumar maconha não é novidade no mundo e muito menos no Brasil. Consumir maconha faz parte da cultura humana e é bom deixar isso bem claro. Lembre seus familiares de como a ganja é difundida na nossa sociedade e que todos os tipos de pessoas usam (e nem por isso elas são viciadas, irresponsáveis ou delinquentes).

Diferente do homem, a maconha não é preconceituosa e abraça à todos de maneira igual. Seja um professor, um médico, advogado, político, pai, mãe, filho ou careta, ela é utilizada por todos e nossa sociedade não está em ruínas por conta desse fato.

Falando em profissionais, mostre como hoje a luta pela legalização já tomou proporções bem maiores no Brasil e como ela é defendida de maneira coerente por muitos profissionais respeitados. Na internet é fácil encontrar entrevistas, debates, congressos e palestras de profissionais sobre o tema, como neurologistas, professores, advogados, delegados e ativistas, entre outros que falam sobre o tema de forma justa.

Assim seus familiares verão que diversas pessoas defendem essa causa, pessoas que também lutam pela mesma coisa que você. Também verão que seus argumentos são totalmente coerentes e que existe esse outro lado da história que a maioria não teve a oportunidade de conhecer.

Revendo os conceitos

É comum pessoas que somente aceitam o uso medicinal da maconha, falarem que o problema é o uso recreacional. Não dificilmente você vai ouvir repetirem “mas você não precisa disso para ser feliz”.

Um argumento bastante plausível é a diferença que fazem com relação ao álcool. Pois as pessoas não fazem esse tipo de pergunta quando se trata de bebidas alcoólicas. Através da cultura e imagem passada pela mídia, beber álcool se tornou um hábito completamente normal e esperado, se tornando inclusive fator de aceitação.

Mostre à eles a discrepância entre essas duas substâncias, e que mesmo o álcool causando muito mais danos à sociedade e ao próprio indivíduo, possui forte apoio do governo e é incentivado pela sociedade e mídias de massa – enquanto isso a maconha segue sem jamais ter matado uma única pessoa sequer em toda a história.

Prós & Contras

Mostrar-lhes os contras da maconha também é aconselhável. Mesmo sabendo que a maconha causa pouquíssimos danos – um deles ligado à eventual fumaça inalada -, é legal você mostrar que conhece aquilo que utiliza e sabe reconhecer seus possíveis malefícios. Coerência nessa hora é crucial!

Sua sensibilidade com relação a planta é algo que contará muito na confiança de seus familiares. Não seja rude, mas tenha firmeza quando falar de maconha. Mostre que você sabe do que está falando e acredita naquilo que diz.

 

É importante ter consciência que este processo de “sair do armário” é gradativo, exige paciência e disposição. Afinal, durante todos esses anos de proibição, as campanhas feitas em prol da “guerra contra as drogas” foram muito fortes e certeiras. Esteja focado em educar e informar aqueles que estão ao seu redor através de meios alternativos como internet, palestras e livros que contenham fontes sérias.

E dessa forma nós conseguiremos mudar opiniões, já que não podemos contar com a mídia em massa. Mesmo com algumas sinalizações de que estamos à caminho de uma mudança, nossa sociedade é muito hipócrita e desinformada. O processo de legalização é muito lento, diário e contínuo. E se dará principalmente através da mudança de pensamento da sociedade, e não somente através de uma nova lei implantada. Depende de todos nós, através de conversas na faculdade, no trabalho, em casa, na fila do supermercado, no ônibus ou com os amigos. Se cada um fizer sua parte, sem medo, com inteligência e segurança do que está dizendo e sabe, com certeza num futuro não distante viveremos uma nova realidade.

 

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