Maconha combate a radioatividade do solo

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Já imaginou plantar maconha para salvar Fukushima? Os cientistas já, e confirmaram que funciona.

Infelizmente décadas de proibição e mentiras em relação à maconha nos distanciaram de tal forma da planta, que nunca cansamos de nos surpreender com os inúmeros benefícios que ela pode nos proporcionar. O que era pra ser natural e comum é motivo de espanto. A ciência com relação ao cânhamo segue aos trancos e barrancos por conta da estagnação das décadas anteriores. Uma área importante de pesquisa que está recebendo atenção especial é a fitorremediação, ou descontaminação do solo, embora o fato de que o cânhamo é capaz de eliminar contaminantes do solo já seja conhecida há algum tempo.

O projeto de fitorremediação de Chernobyl

Por mais de uma década, o cânhamo industrial vem crescendo nos arredores da usina nuclear de Chernobyl abandonado em Pripyat, Ucrânia, e tem ajudado a reduzir a toxicidade do solo. Agora os japoneses estão considerando seguir o mesmo curso, a fim de corrigir os danos ambientais causados pelo desastre de Fukushima. No entanto, devido a Lei de Controle da Canabis japonesa forçada pela potências de ocupação norte-americanas, em 1948, o cânhamo só pode ser cultivado sob licença – que é altamente restrita e difícil de obter.

Em 1989, apenas três anos após a explosão inicial, o governo soviético da época solicitou que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) avaliasse a situação ambiental. Na zona de exclusão de 30 km em torno de Chernobyl, concentrações elevadas de vários metais tóxicos, incluindo iodo, césio – 137, estrôncio – 90, além de plutônio foram encontrados no solo, bem como em plantas e até mesmo nos animais.

Que plantas são úteis para fitorremediação ?

Em resposta, foi decidido que um esforço combinado para reduzir a contaminação do solo através do uso de plantas benéficas seria realizada. Este processo conhecido, como fitorremediação, começou imediatamente e usou várias plantas para retirar esses contaminantes, além de duas variedades específicas de brássicas para remover o cromo, chumbo, cobre e níquel, o milho para assumir liderança (vários pesquisadores têm demonstrado a capacidade de absorção de chumbo – notável de esta importante cultura) e, mais recentemente , girassol e cânhamo.

A plantações de girassol começaram em 1996, posterior ao desenvolvimento de uma variedade que prometeu até então inédita eficiência de descontaminação. As plantações de cânhamo logo em seguida, em 1998. Slavik Dushenkov, um cientista de pesquisa com Phytotech – uma das organizações por trás das plantações de cânhamo – afirmou que, “o cânhamo está provando ser uma das melhores plantas fito-remediativa que temos sido capazes de encontrar.”

Assim como na Ucrânia, muita terra rural na vizinhança de Belarus foi afetado pela explosão e as autoridades também estão usando a maconha como um descontaminante. A colheita produzida será transformado em etanol, já que o aumento da produção de biocombustíveis é uma meta fundamental para aumentar a saúde econômica e ambiental geral da região.

Diferenças na absorção de metais

Em 2012, um estudo romeno pesquisou a segurança nutricional do cânhamo produzido a partir de plantas cultivadas em solos ricos em cálcio, magnésio, potássio e ferro. O estudo determinou que cinco linhagens distintas de cânhamo romeno desenvolveram diferentes perfis nutricionais de acordo com a absorção dos vários metais no solo. Por exemplo, a linhagem Zenit apresentou maiores taxas de absorção de cálcio, enquanto a Armanca absorveu menos; as linhagens Diana, Denise e Silvana apresentaram taxas de magnésio mais elevadas, e a variedade Zenit mostrou maior concentração de ferro.

Apesar das diferenças, as sementes e óleo de todas as cinco linhagens apresentaram elevados níveis de magnésio, cálcio, ferro, manganês, zinco e potássio, que são metais alimentares altamente benéficos. No entanto, todas as variedades testadas também mostraram níveis acima do seguro para o cádmio, um metal pesado tóxico que pode causar sérias complicações à saúde – ainda que o solo estivesse dentro do limite de segurança para concentração de cádmio. As linhagens Armanca e silvana apresentaram níveis particularmente elevados de cádmio.

O Cânhamo e a absorção de cádmio

O consumo excessivo de alimentos com níveis elevados de cádmio pode levar a deformidades articulares e ósseas, doenças respiratórias, anemia e insuficiência renal. Em lugares onde o cádmio está presente no solo, as variedades de cânhamo devem ser selecionadas com base na absorção de cádmio, afim de deixar o solo seguro para cultivar alimentos, seja para humanos humanos ou animais.

De acordo com um estudo sobre as linhagens chinesas realizado em 2011, muitas linhagens de cânhamo tem a capacidade de absorver e acumular até mesmo grandes quantidades de cádmio no solo, sem prejudicar à própria planta.

Ainda que isso gere várias implicações para a seleção de lugares para o cultivo de cânhamo para produção de comida segura, isso indica que os terrenos contaminados com cádmio irão se beneficiar com os sistemas de fitorremediação que fazem um uso primário ou principal do cânhamo. Além disso, mesmo para descontaminar o solo não for seguro para consumo, ele ainda pode ser utilizado em uma série de aplicações industriais, tais como o biocombustível.

O cânhamo é o menos afetado por metais pesados no solo

A resistência do cânhamo à contaminantes no solo é bem documentada. Já em 1975, um estudo publicado no Agronomy Journal descreveu como as características do solo influenciaram a absorção elementar e perfil final dos canabinoides nas linhagens psicoativas

Para ilustrar isso, quinte terrenos com perfis de solos diferentes foram testados. Neles foi plantada a mesma linhagem, um fenótipo afegão, e suas colheitas foram testadas para análise de conteúdo de metal. Os pesquisadores concluíram que as diferenças podiam ser usadas para determinar a origem geográfica de cada planta,a traves de análise foliar.

em 1995, o Instituto Polonês de Fibras Naturais divulgou um estudo que demonstrava que as linhagens testadas eram resistentes a altos níveis de metais pesados no solo, sem que isso afetasse seu crescimento. Porém pouca pesquisa foi feita a respeito da segurança do uso de fibras em roupas ou outras finalidades industriais. E esta questão deve ser pesquisada à fundo, a fim de estabelecer possíveis usos para o cânhamo nessas condições de cultivo.

Como podemos ver, é provado que a maconha pode ser usada na reparação dos danos humanos causados aos nossos solos e ecossistemas, o cânhamo pode beneficiar centenas de milhares de terrenos em todo o mundo – estima-se que só nos EUA sejam mais de 30 mil locais que precisam de correção. Como é comum nesse caso, as restrições internacionais quanto ao cultivo do cânhamo impede a implementação de qualquer operação de grande escala em terrenos contaminados, tornando isso um grande problema a ser corrigido, mas que não irá acontecer tão cedo, por falta de financiamento e interesse do governo.

 

Maconha cura o vício em crack; cura o câncer do corpo; cura a radiatividade do solo; abre nossas mentes para um mundo de possibilidades e outro nível de entendimento. Quanto mais estudamos a respeito, mais percebemos o quão irracional é essa guerra que o mundo trava contra a ganja há praticamente um século.

Em um sistema legalizado, podemos afirmar que a maconha seria a maior revolução depois da industrial. Ela beneficia os mais variados setores que se possa imaginar, desde finalidades médicas até tirar a radioatividade do solo. Isso é fantástico! Não é de se surpreender que o lobby das industrias do petróleo e de algodão lutem tão fervorosamente contra a legalização da maconha. Legalizar a maconha, significa legalizar um concorrente do qual eles não podem vencer. Mas a proibição está perto do fim e logo cultivar cânhamo não vai mais ser novidade. Que a marola legalizadora que o Uruguai está lançando sobre a América Latina se espalhe logo e permita um futuro mais sustentável para o homem e o nosso meio ambiente.

 

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