Ethan Nadelmann: “Os efeitos são, na maioria, vantajosos”

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Diretor da maior organização antiproibicionista dos EUA fala sobre a legalização e seus efeitos.

Como é bom apreciar a opinião de pessoas eloquentes, inteligentes e sensatas. Diferente dos “Senhores da Proibição” no Brasil, Osmar Trevas e Ronaldo Laranjada, o diretor da maior organização antiproibicionista dos EUA dá um show quando o assunto é legalização das drogas.

Em entrevista  ao site de notícias Zero Hora, o diretor da Drug Policy Alliance explica exatamente o porque a maconha e outras drogas devem ser regulamentadas. Ethan Nadelmann pondera que a legalização da maconha deve, sim, aumentar o consumo da droga, mas afirma que os benefícios compensam as desvantagens. Leia trechos da entrevista concedida por telefone.

Zero Hora — Um dos argumentos a favor da legalização da maconha é suprimir o narcotráfico. Essa estratégia irá funcionar?

Ethan Nadelmann – Estamos engajados em uma transição de longa duração da maconha de um mercado totalmente ilegal para, um dia, ser totalmente ou quase totalmente legal. Passamos por uma evolução similar com a revogação da proibição ao álcool em 1933. Nos anos que se seguiram, os antigos contrabandistas tentaram competir com o mercado legal emergente, mas, com o tempo, ficaram cada vez menos competitivos.

ZH — E quais são os riscos da legalização?

Nadelmann — Os efeitos são, em sua maioria, vantajosos. Vamos ver redução de prisões de jovens por porte de drogas, redução na corrupção policial, redução da arrecadação das organizações criminosas. O único risco é aumentar o uso problemático de maconha. É muito possível que o número de consumidores aumente, mas há um crescente número de evidências que sugerem que o aumento no consumo de maconha será acompanhado em uma redução no consumo de álcool e de fármacos. O aumento no consumo será entre pessoas em seus 40, 50, 60, 70 e 80 anos de idade, que se darão conta de que a maconha os ajuda a lidar com a artrite ou os ajuda a dormir sem pílulas. Não representará um grande problema de saúde pública. Os benefícios são enormes, e os riscos e as desvantagens são modestos.

ZH — Há algum sinal de mudança na política da Casa Branca para a maconha?

Nadelmann – Já há uma mudança notável. O momento mais significativo foi no final de agosto, quando o Departamento de Justiça emitiu o Cole Memoradum (nomeado a partir de James M.Cole, subsecretário de Justiça), que disse a Washington e Colorado: ‘Aqui estão os critérios que vocês devem prestar atenção. E se isso acontecer, nós não iremos intervir’. Então, o governo federal deu uma espécie de luz verde.

ZH — De que tamanho são o lobby pró-maconha e o lobby contrário a ela?

Nadelmann – O lobby contrário é enorme, essencialmente formado por grupos que constroem e exploram prisões privadas nos EUA, um setor que movimenta US$ 100 bilhões ao ano, organizações policiais, promotores, sindicatos de carcereiros e todas as pessoas e organizações que se beneficiam disto. É um lobby altamente influente na política americana. Já o lobby a favor é, em sua maioria, formado por organizações da sociedade civil, vistas até pouco tempo como não muito poderosas.

ZH — Outras drogas deveriam ser também legalizadas?

Nadelmann – Gostando ou não, não há terreno para usar a legalização da maconha como pretexto para legalizar outras drogas. Na Holanda, a maconha é semilegal há mais de 30 anos, mas não há movimento para fazer o mesmo com outras substâncias.

ZH — O senhor esteve no Brasil no ano passado. Percebe sinais de que uma mudança similar possa ocorrer?

Nadelmann — É questão de tempo para os líderes políticos fazerem eco aos chamados para a reforma e para a opinião pública mudar dramaticamente, como aconteceu nos EUA.

via Zero Hora

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