Quem quer rir, tem que fazer rir: nada é de graça

Se não tivermos investimentos no ativismo canábico, a legalização da maconha no Brasil não passará de um sonho dos anticapitalistas.

Analisando o caso do alemão Georg Wurth da DHV, é importante refletirmos na nossa situação aqui no Brasil. Não é de hoje que chamamos atenção para a questão do dinheiro. Infelizmente a maconha (mesmo sendo benéfica para o homem) é proibida há praticamente um século. O lobby proibicionista foi tão forte durante esse tempo, que hoje, é difícil de convencer uma pessoa de que a maconha não queima neurônios, por exemplo – uma das maiores falácias inventas. Sendo assim, é válido pensar se nós conseguiremos alcançar o nosso objetivo, sem o artifício monetário.

“Quem quer rir tem que fazer rir”, e nunca essa frase foi tão correta. Sem campanhas voltadas pro grande público, sem material de qualidade pra divulgação, com a estrutura que o ativismo tem no Brasil hoje, com certeza não iremos dar risadas tão cedo. É triste que mais uma Marcha da Maconha esteja se aproximando e por mais um ano teremos que nos desdobrar para conseguir bancar as despesas, utilizado de artifícios como vaquinhas, grow funds, pequenas doações, etc.

Se já não bastasse a arrecadação ser mínima, o dinheiro nem sempre é bem aplicado. O problema de ter uma organização pequena e centralizada é que as decisões se restringem sempre à um número muito pequeno de pessoas e organizações. É fácil das decisões serem dominadas por um grupo dominante. A prioridade do gasto sempre é discutida e por diversas vezes ocorrem atritos. Atritos esses que poderiam muito bem ser evitados se o valor disponível para o ativismo fosse maior.

Além da guerra contra o proibicionismo, a maconha também precisa lutar contra uma grande parte dos ativistas antiproibicionistas. Esses, além de não terem o foco na maconha e não darem valor à cultura canábica, insistem em combater o dinheiro capitalista daqueles que podem e se interessam em ajudar. Há anos que existe um debate sobre aceitar ou não investimento de growshops e tabcarias na Marcha, aceitar ou não esse “patrocínio”, colocar ou não a logo desses investidores nos materiais de divulgação. E pra saber qual lado sempre vence, basta olhar qualquer material de divulgação das marchas.

A aversão ao dinheiro dos empreendedores canábicos é triste e precisa ser combatida. Esse medo trava o processo de legalização no Brasil, nos privando da oportunidade de aumentar o alcance do nosso discurso. É humilhante que uma Marcha da Maconha, seja ela de qual cidade for, tenha que se desdobrar de inúmeras maneiras pra pagar a impressão dos folhetos de divulgação, ou a produção de faixas, cartazes, material de oficina, etc. Isso que não estamos nem abordando a questão das campanhas publicitárias, só os gastos básicos. Imagine só então a Marcha com dinheiro pra campanhas, bem feitas e planejadas. Osmar Terra não saberia onde se esconder depois de ter todos seus argumentos liquidados em rede nacional.

Não há um formato de arrecadação pré-determinado em lugar nenhum do Brasil, cada cidade se vira como pode. Não temos sequer uma organização canábica devidamente registrada. Não temos associações, nem cooperativas, nem ongs. O máximo que temos são inúmeros coletivos espalhados pelo país, lutando diariamente pra levar um pouco de informação às pessoas. Sem dinheiro nem elogios, apenas na raça.

Os grupos que lutam pela legalização, precisam abrir os olhos para as possibilidades que investimentos do setor privado podem nos trazer. Só de não ter que contar moedas para comprar as cartolinas dos eventos já seria uma maravilha, imaginem então com grana suficiente pra alugar espaços publicitários, comprar equipamento descente, fazer eventos e organizar um trabalho ativista contínuo. Seria uma grande guinada no nosso processo de legalização.

Vale lembrar á todos aqueles que são contra o capitalismo que envolve a maconha: vocês são minoria e não estão ajudando. Já existem diversos empreendimentos comerciais lucrando algum com a maconha. E quando dizemos maconha queremos dizer tudo que envolve esse tema, não que estejam vendendo fumo. Lojas de material de cultivo, marcas de roupa, sedas, tabacarias, etc… todos tem a obrigação de contribuir com a Marcha da Maconha – afinal de contas seus negócios dependem da ganja e isso seria um investimento melhor do que a bolsa de valores – e é nossa obrigação estarmos abertos à essas possibilidades.

Precisamos melhorar o nível do nosso ativismo, abrindo as portas para as possibilidades que aparecerem. Não só aceitar os investimentos como buscar investidores também! O planeta inteiro esta passando por um momento de mudança em relação à maconha e o nosso país está ficando pra trás. Não podemos perder o bonde, pois isso vai significar um prejuízo enorme para todos aqueles que sonham em viver em paz, livres da proibição.

Quem dera que conseguíssemos um prêmio como a DHV da Alemanha conseguiu. Imaginem o que faríamos com 1 milhão de euros nas mãos! Com certeza absoluta, os anticapitalistas iriam se coçar querendo participar do eustress, se é que não seriam os primeiros a querer sua parte do bolo.

Pode ser que não legalizássemos a maconha, mas com o trabalho possibilitado por todo esse dinheiro, com certeza ia ser difícil de encontrar um brasileiro que ainda achasse que é a folha que se fuma e não a flor.

Quem tem medo do dinheiro são aqueles que mais estão sujeitos a se corromperem por ele. Dinheiro é uma ferramenta importantíssima em qualquer segmento da nossa sociedade. Nem fumar maconha é de graça, quem dirá legalizar. Poderia ser diferente sim (um mundo justo, onde o dinheiro não importasse, onde todos se amassem e trabalhassem juntos por uma sociedade melhor e mais igualitária), mas infelizmente este é o mundo que vivemos e se posicionar contra o esses investimentos, simplesmente atrasa a legalização.

 

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