A importância do “Junho Verde” para a legalização brasileira

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Um segundo mês de manifestações canábicas é fundamental para fazer pressão sobre nossos legisladores e manter o tema em debate na sociedade por mais tempo.

Há pouco tempo publicamos um artigo no qual falamos da importância do dinheiro para o movimento canábico brasileiro e de como as marchas não devem se fechar para contribuições de comércios relacionados à ganja (leia mais aqui). Mas hoje vamos abordar um outro aspecto da organização das marchas brasileiras: as datas das manifestações.

Tradicionalmente, a Marcha Mundial da Maconha é no dia 5 de Maio, quando diversas cidades ao redor do mundo se unem em uma grande festa para celebrar a cultura canábica e reivindicar a legalização da ganja em seus respectivos países. No Brasil a coisa funciona um pouco diferente. Eventualmente ocorrem sim, uma Marcha da Maconha no dia 5 de Maio, coincidindo com a data mundial. Porém, no Brasil já contamos com mais de 40 cidades que se mobilizam a favor da erva e isso torna a nossa organização um pouco mais dinâmica.

Pelo menos nos últimos três anos, diversas cidades se organizaram em datas independentes ao redor do Brasil (ainda que muitas tenham coincidido entre si), proporcionando uma malha de manifestações que perdura o mês de Maio inteiro, e “abraça” Junho também. E isso é importantíssimo para o movimento no nosso país, nos baseando em nossos recursos disponíveis e os parâmetro sociais atuais.

Uma estratégia que veio dando muito resultado nos últimos anos é a de deixar as maiores marchas/cidades do país serem realizadas em meses diferentes. Por exemplo, com a cidade do Rio de Janeiro (ou Belo Horizonte, Brasília, alguma das principais) sendo a referência no “Maio Verde”, e a cidade de São Paulo – a maior Marcha da Maconha do país – se tornando o foco no mês de Junho.

Isso nos garante dois meses de marchas pelo Brasil, uma vez que diversas outras cidades menores se baseiam nas datas dos maiores eventos para realizarem suas manifestações. Considerando a precária estrutura ativista do Brasil, os recursos que possuímos para publicidade e divulgação, e as tristes abordagens que a mídia aberta dá sobre o tema atualmente, é de fundamental importância que tenhamos dois meses de marchas no país – principalmente este ano, no qual sediaremos a Copa do Mundo e teremos a atenção da mídia mundial toda voltada para nós.

Não podemos nos amedrontar frente a responsabilidade de fazer a legalização brasileira ser assunto mundial. Apesar de toda a bagunça que estará este país, por conta da Copa e das diversas manifestações que estão marcadas contra o evento, a Marcha da Maconha se destaca pelo seu caráter completamente pacífico e questionador, com argumentos que deixam qualquer Osmar Terra e Ronaldo Laranjeira no chinelo. Será o momento de mostrar que estamos sim conscientes do que está acontecendo no mundo, e que queremos uma legalização racional e eficiente, uma mudança na nossa falida política de drogas atual, – da mesma forma que inúmeros outros países estão fazendo. Não estamos alheios aos avanços de outros países e também exigimos a legalização para o nosso. O governo será pressionado de todos os lados, e não podemos deixar de dar o nosso recado, com o respaldo da mídia internacional.

A cidade do Rio de Janeiro já tem data marcada para o dia 10 de Maio; Campinas também já se decidiu, optando pelo dia 24 de Maio. Diversas outras cidades ainda estão em processo de definição, realizando ainda as suas primeiras reuniões deste ano. Entretanto, São Paulo ainda não se decidiu, assim como outras cidades grandes. Seria interessante de a cidade paulista adotasse a mesma estratégia do ano passado. Dessa forma, outras cidades menores podem se basear no mês de Junho para realizarem suas manifestações, abrindo mais tempo de organização, espaço na mídia e força na reivindicação. Seriam dois meses falando de maconha no país, um feito pra deixar qualquer proibicionista balançado em suas convicções.

Vale lembrar que o mundo não para e outros países seguem em suas lutas pela legalização. As notícias da legalização em outros países, ajudarão a fazer pressão em nosso Congresso, agora que eles tem um projeto popular de legalização da maconha encaminhado para debaterem, além do STF e o RE 635659. Será que com o planeta inteiro de olho nas nossas manifestações, Copa, Marchas… nossos legisladores terão coragem de mostrar o quão ignorantes são e como a sociedade brasileira é conservadora a ponto de continuar com uma guerra cara, falida e assassina, uma vez que os principais países do planeta estão mudando suas leis? Pode até ser que tenham sim, mas uma coisa é certa: dois meses de divulgação e debates valem mais que um.

São Paulo tem a oportunidade de ser a “cabeça de chave” em Junho, uma vez que Rio de Janeiro já definiu sua data. É importante também a comunicação e trabalho em conjunto com outras grandes cidades como Brasília, Belo Horizonte, Manaus, Fortaleza e Florianópolis. São muitas cidades, nosso país é muito grande. Concentrar a Marcha da Maconha no mês de Maio desperdiça o potencial que temos para manter o tema em pauta no nosso país. Com marcha ou sem marcha, Junho vai chegar com tudo e abalar as estruturas da ordem. Se o medo é ser abafado pelas manifestações, com certeza não vai ajudar fazer uma marcha em Abril,  nas coxas, com pressa. Precisamos usar tudo o que tivermos a nosso favor, desde tempo e paciência, à mídia internacional e recursos privados. Na luta pela legalização, não podemos nos dar ao luxo de perder tais oportunidades.

Continuaremos acompanhando o progresso das organizações das cidades ao redor do Brasil e prometemos reportar as principais novidades das Marchas da Maconha 2014. Esperamos que o bom senso e inteligência continuem dominando a organização, da maneira impecável que tornou os eventos anteriores memoráveis e históricos.

 

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