Relatos medicinais: Alexandre Thomaz

“Meu nome é Alexandre Thomaz. Levava uma vida normal até aos 33 anos de idade quando notei uma anomalia no meu corpo, um caroço surgiu no meu pescoço e em poucas semanas tornou-se bastante saliente. Fui num clinico geral que solicitou alguns exames e já encaminhou para um cirurgião de cabeça e pescoço, Dr. Marclei Luzardo que examinou e pediu que alguém me acompanhasse, minha mãe neste caso, na próxima consulta e disse “ Alexandre, isto é muito grave!” e sugeriu que fizéssemos uma cirurgia na semana seguinte.

Para mim que sempre tive uma saúde exemplar, derrepente comecei a viver um pesadelo, mas afinal se fizesse a cirurgia estaria tudo resolvido, imaginei tentando minimizar. Fiz a cirurgia no pescoço para retirar este nódulo e encaminhar para exame patológico, no dia seguinte o médico marcou uma reunião no próprio hospital com meus pais e anunciou: “ Vc terá que iniciar um tratamento e quanto antes iniciar melhor. O tumor é um Neoplasma maligno e requer quimioterapia e radioterapia”. Meu chão caiu, pensei porque comigo? Tentei contabilizar quanto tempo de vida ainda teria pela frente.

Fui para uma fila na Santa Casa de Porto Alegre tentar conseguir o tal do tratamento pelo SUS, visto que meu plano de saúde não contemplava o mesmo. Tive sorte consegui iniciar os tratamentos em dois meses, para mim era uma corrida contra o tempo, tinha esperança que poderia me salvar. Foram prescritas oito sessões de quimioterapia e posteriormente 25 sessões de radioterapia. Todos me diziam sobre os sintomas destes tratamentos, principalmente sobre os enjôos, comecei a pesquisar mais e fui me preparando.

Quando fiz a primeira sessão até achei que não era isso tudo, na segunda iniciou a queda dos cabelos, a bomba era tão forte que o intervalo destas sessões era de 20 dias e fui percebendo os efeitos, era acumulativos a cada sessão ficava mais fraco, acabava com as células cancerígenas e as boas também. A imunidade ia lá em baixo, nestes casos gripe se tornam pneumonia facilmente . Na sexta sessão, os enjoos iniciaram na hora de colocar o cateter, já puxava um baldezinho e os médico resolveram parar a quimio por aqui. Na radioterapia moldaram uma mascara de chumbo na minha face deixando somente a área afetada do pescoço em exposição, foram ao todo 25 sessões diárias, foi bem na época do verão e não podia pegar sol de jeito nenhum, queimaduras são comum nesta fase do tratamento, Durante e após a radio, perdi todo o sabor dos alimentos, não conseguia me alimentar direito, tudo era desagradável e o engolir era dolorido.

E onde a Maconha entra nisto? Na época da universidade já tinha fumado algumas vezes, mas o tempo passou. Nas primeiras sessões da quimio relatei para o oncologista que me acompanhava, sobre as dificuldades que estava tendo com os efeitos colaterais e ele foi taxativo “ eu não posso te prescrever mas em países do primeiro mundo eles estão utilizando a cannabis como um atenuador destes sintomas” e fui atrás. Comecei a pesquisar na internet e fiquei surpreso com o que vi, quanta gente se beneficiando desta planta em tratamentos similares e até menos complexos, percebi que ainda tinha muita informação para ser buscada, mas fui atrás de uns amigos que sabia que fumavam e comprei uma maconha prensada, e iniciei meu tratamento paralelo, logo percebi alguma mudanças no meu cotidiano, comecei me alimentar melhor, tinha apetite.

Troquei as noites rolando na cama, por noites de sono. Gradualmente percebia melhorar até minha auto estima. Continuei pesquisando sobre a terapia com maconha e conclui se está maconha prensada, que pode ter todo tipo de impureza já me ajudava, imagina se pudesse cultivá-la. Aliás morava num apartamento em Canoas, quando iniciei os tratamentos resolvi mudar meu estilo de vida, sabia que a doença poderia ser um desequilíbrio na minha vida, talvez maus hábitos, má alimentação e até mesmo emocional.

Acabei comprando um sitiozinho na cidade vizinha, onde iniciei uma horta totalmente orgânica, aliás tinha oxigênio puro, água de qualidade e agora me alimentava com ingredientes cultivados de forma orgânica, habito que mantenho até os dias de hoje. Nesta mesma horta, tinha um canteiro que era reservado para as plantas medicinais, chás na maioria, mellisa, capim cidro, hibiscos, camomila entre outras.

Na época que resolvi plantar a maconha, tive o cuidado de importar sementes da Holanda num site especializado, verifiquei que havia muitas variações de sementes e algumas mais adaptadas para uso medicinal. Comecei a cultivar, tirei uma safrinha e percebi a diferença na qualidade de consumir algo cultivado por mim mesmo, ela era tão higiênica que dava para usar inclusive na alimentação, fazia chás, bolos, pão de queijo e até docinhos preparava com este ingrediente e fumava eventualmente, sempre buscando novas informações descobri um tal de vaporizador, onde podia consumir sem produzir combustão da queima.

Era só uma brisa dos cristais da maconha. Na piores fases do tratamento fui procurar ajuda psiquiátrica, tinha muitas incertezas sobre o futuro da minha vida,e Dr. Prescreveu uma série de remédios tarja preta, tipo Tranquinal etc. o que só piorou o meu estado, abandonei o tratamento e cada vez tinha mais certeza que o remédio que estava realmente ajudando na minha recuperação vinha de uma simples plantinha e podia cultivar no meu quintal.

Num belo sábado, um vizinho me liga dizendo “ Alexandre, achei estranho, mas tem uns policias militares numa propriedade ao lado olhando para tua horta”, desconfiei do que estava acontecendo, tentaram me atrair para o sitio dizendo que meus cães tinha fugido e mordido uma criança, não fui e ficaram toda a madrugada de sábado campanando, como não apareci, resolveram arrebentar as portas reviraram tudo, tiravam tudo das gavetas e jogavam no chão, retiraram as coisas da geladeira, arrebentaram cadeados, consumiram alimentos, beberam e usurparam objetos como jaqueta e lanternas. Resultado da operação: não havia drogas, não havia armas, não havia dinheiro, mas levaram meus 10 pezinhos de maconha que utilizava para aliviar meus sintomas.

No outro dia todos os jornais da região reservaram espaço para noticiar o feito, o próprio jornal que eu trabalhava a 17 anos na área comercial, publicou na capa edição “ aprendidos pés de maconha na casa de publicitário”, a empresa de caráter conservador, sabia do meu problema com o câncer e entendeu perfeitamente ao não me demitir após o feito. O delegado encarregado do caso quando encaminhou a justiça denunciou os militares envolvidos na invasão por abuso de autoridade, visto que não tinham nenhum tipo de mandado para atuar, e agiram de forma equivocada. O Ministério Publico prontamente aliviou os policias dizendo que estavam cumprindo sua função. O caso foi julgado em primeira instancia e a sentença foi “extinta a punibilidade” o Ministério Público apelou e o processo esta nesta fase.

Se a Constituição Federal diz que todo Ser Humano tem direito a dignidade humana fico me perguntando por que o Estado que deveria justamente contemplar meu bem estar de cidadão é justamente quem me pune por procurar esta alternativa?” – ALEXANDRE THOMAZ, Canoas/RS.

Esta sessão tem por objetivo divulgar os casos e depoimentos de usuários medicinais que lutam pelo direito de um tratamento mais digno e saudável. Mais informações sobre o grupo Eu Uso Maconha Medicinal podem ser encontradas clicando aqui. Legalizar a maconha é uma questão de dignidade e respeito!

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s