Relatos medicinais: Beto Volpe

“Olá, meu nome é Beto Volpe, tenho 52 anos e sou de São Vicente, litoral de SP. Não serei dissimulado, faço uso recreativo de maconha desde minha juventude mas, além da questão do apetite, ela foi fundamental para que eu estivesse vivo até hoje. 

Em 1989 eu contraí o HIV, uma época onde não havia conhecimento, medicamentos, nada. Apenas a fé. E ela não foi suficiente para evitar que, em 1996, eu tivesse uma pneumonia, três AVCs e um quadro de candidíase onde eu não conseguia me alimentar de forma alguma. Foi quando o médico virou para minha mãe e disse que a ciência já tinha feito todo o possível por mim e que a única coisa que me fazia comer algo e, principalmente, reter o alimento no organismo, era a maconha.

A partir daí a maconha passou a fazer parte de minha rotina domiciliar, o que me rendeu alguma energia reserva, energia essa que foi o diferencial entre a vida e a morte, pois cheguei a ficar com minha imunidade reduzida a zero e meu peso de 69 caiu para 34 quilos em pouco mais de um mês. Graças aos deuses nessa mesma época surgiu o coquetel e me resgatou de uma situação ‘terminal’ (odeio esse termo).

O tempo passou, os medicamentos equilibraram minha situação imunológica mas aparecera os efeitos colaterais. O primeiro foi o desequilíbrio de lipídios em meu organismo, que elevou minhas taxas de colesterol a 480 e triglicérides a 2760. Logo a seguir, e em consequência da gordura no sangue,fui diagnosticado com necrose óssea nos quadris, com dores agudas agravadas por uma fratura do fêmur por osteoporose severa (tb efeito colateral). As dores eram fortes e agudas, por vezes inviabilizando minha locomoção e meu sono. Essa dor só se tornava suportável para dormir quando eu fumava meu baseado e ‘esquecia um pouco’ da dor.

Ao todo já fiz 23 cirurgias e mais duas a caminho, para instalação de próteses na porção inferior dos fêmures (as superiores já eram). Mas o pior estava reservado para a oncologia. Tive dois tumores, o primeiro em 2003 na medula, pescoço, pulmão, fígado, baço, retroperitônio e virilha. Não era metástase, era um linfoma que apresentava sérios riscos disso. Fui submetido a uma severa quimioterapia que me tirou todos os pelos do corpo, incluindo os cílios, e 30 quilos, como em 96. E, como em 96, a salvação foi a Madame Cannabis. Saía da quimio bastante enjoado e com ânsias.

Chegava em casa, já tinha o dito cujo apertadinho e em segundos o mal estar passava. E em minutos a fome chegava e eu conseguia me alimentar. Ao final do tratamento meu hematologista disse-me que não sabia como tínhamos conseguido, ao que respondi que eu tinha meus recursos pessoais, rs…

Até hoje faço uso medicinal, pois tomo em média 25 comprimidos por dia e haja estômago para tudo isso. Mas também faço uso recreativo e farei até quando me for possível. Mesmo porque estudos recentes de centros de pesquisa renomados apontam que a maconha é ótima para combater o HIV no organismo. Até hoje não tive meus neurônios comprometidos, dirigi uma instituição por 14 anos (com direito a duas defesas de tese no STF) e ainda atuo na luta contra a AIDS. 

Então, como diria o falecido presidente Jânio Quadros, eu fumo porqueé gasosa. Fosse sólida, comê-la-ia, rsrs… Abraços e parabéns pela iniciativa!” – BETO VOLPE, São Vicente/SP.

Esta sessão tem por objetivo divulgar os casos e depoimentos de usuários medicinais que lutam pelo direito de um tratamento mais digno e saudável. Mais informações sobre o grupo Eu Uso Maconha Medicinal podem ser encontradas clicando aqui. Legalizar a maconha é uma questão de dignidade e respeito!

 

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