Relatos medicinais: Khelly Braga

“Minha relação com a maconha se deu lá na minha juventude 1977, curiosidade, uso recreativo, uso descontinuado, me dei mais a drogas lícitas, álcool e tabaco nesse tempo de ignorância. 

Quando sofri um acidente de trânsito em 1982 e tive que lidar com uma nova realidade então fui conhece- la como medicinal e para mim, o controle e cura de muitas das minhas doenças. Em consequência das fortes dores tomei tanta morfina base injetável que quando saí do hospital, seis meses depois estava tão viciada que “tomei” todas as drogas de farmácia possíveis de destilar, além da cocaína, LSD e ópio, drogas capazes de causar o mesmo ou maior efeito da morfina acalmando a dor, espasmos, enjoos, revolta, depressão e todo mal estar das sequelas do trauma. E os efeitos colaterais quase acabaram com a minha vida.

Relato médico… 

“Você sofreu um acidente de trânsito, esteve em coma por quinze dias, perdeu 90% dos movimentos dos membros inferiores devido a uma fratura na coluna vertebral,
comprometeu a medula óssea que esta comprimida entre as vértebras, T3, T4 e T6 altura do peito, quatro costelas fraturadas com pontas agudas direcionadas para seu pulmão esquerdo, por isso está nessa posição
que a impede de qualquer movimento inclusive
o de falar até que os ossos se consolidem e isso já está acontecendo colaborando para isso a sua pouca idade os ossos ainda em desenvolvimento.

Tinha completado 19 anos fazia exatamente 18 dias. Estava numa cama muito estranha parecia ser duas, uma ficava sob mim toda amarrada me comprimindo entre outra, era desconfortável sofria com forte mal estar principalmente quando giravam a “cama”, usando uma manivela para que eu ficasse na posição de bruços procedimentos para proteger o pulmão e manter os ossos unidos para consolidarem, vomitava e desmaiava todas as vezes do procedimento .

O cateter, pequena cirurgia próximo ao pescoço, garante que recebas a medicação com segurança, possibilidade segura no momento. A morfina base tem mantido seu estado estável, indispensável no seu caso de dores.
Sofreu traumatismo craniano grau III, por isso desenvolve desmaios constantes induzindo ao comas mais breves à medida que controlamos com a medicação. Fraturou “o fêmur direito, o braço direito e algumas escoriações”.

Esse estado durou seis meses, quando findou o estagio da minha nova circunstancia de vida. Estava tão comprometida com as drogas injetáveis que quatro meses depois, de volta ao hospital, passei por treze cirurgias de escaras, estava com 70% do meu corpo comprometido por infecções, mas escapei de uma infecção generalizada. De volta em casa, doze meses depois, os desconfortos um pouco mais amenos, mas de longe ficaria sem eles.

Não usava mais drogas injetáveis, mas tomava um coquetel de comprimidos duas vezes ao dia e quase morria de enjôo e espasmos musculares, uma odisseia de insanidades da medicina aplicada. Quando um grande amigo- irmão Sérgio, (Inmemorian), me visitou me ofereceu maconha usei como recreativo como foi no princípio, me senti muito bem e comi como a muito não comia, dormi um sono sossegado que nem lembrava mais como era.

Meu corpo ainda estava relaxado quando acordei liguei e marquei um novo encontro, conversamos um longo tempo com muita fumaça medicinal e graças a medical Marijuana consegui me livrar do vício, e muito graças a ela não desenvolvi todos os tipos de câncer provocados pelo uso do tabaco, (4.700), e o uso da bebida alcoólica poderia desenvolver uma cirrose vinda da hepatite B e C, que contraí das agulhas compartilhadas das drogas injetáveis.

E foi novamente graças a maconha que “segurei a onda” da abstinência do álcool.  Livre de mais uma droga, meu metabolismo se ajustava perfeitamente a minha nova vida, a planta- plantando saúde em mim era perceptível a todos os profissionais que cuidavam da minha recuperação admitiam que andava a passos largos, não se tratava de voltar a recuperar os movimentos, pois esse diagnostico já havia sido dado comprovando o estado irreversível, fato.

Foi quando comentei com meu médico que estava usando a erva e para minha surpresa estava diante de um pesquisador que aprovava o uso medicinal, e me palestrou o conhecimento medicinal da planta. Diante de todo conhecimento dos benefícios estava à lei que proíbe e pune o uso nas formas dessa lei tão BURRA nesse país de XUCROS. 

Empolgada e justiceira comecei uma marcha pelo uso legalizado, quando me rebelei fui marginalizada, discriminada…
“Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro, transformam um país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro”.

Levar em consideração também o fato de que, sob penas da lei BURRA, ficamos obrigados a frequentar as “biqueiras”, casas de tráfico, narcotraficantes e as crianças do BRASIL, que vendem a erva medicinal que é proibida sob os olhos da lei por valores absurdos e má qualidade, traficantes que matizam a maconha misturando craque na erva de forma que, por causa da visão errônea da justiça estamos suscetíveis a um perigo de enormes proporções. 


Mas, sobrevivendo à duras penas, tenho uma qualidade de vida dentro da minha graças a erva. E a vida andava pra frente em plenos movimentos. Sem muita opção do que fazer, pois ser portador de algum tipo de deficiência há 30 anos era algo de pouco conhecimento da ciência e do geral sendo assim nossas vidas era sem muita escolha e opção, eu, havida pela vida e com pouco dela, sem muito saber dela dei vida a duas vidas que hoje são a minha vida. Tenho dois filhos, produção independente, e juntos temos vivido os percursos dessa vida#loca#de#boa #leve#doce#agridoce #amarga #breve.

Minha primeira gravidez o bebê teve ameaça de nascer prematuro, fiquei 54 dias internada e não podia usar a erva e precisava dela era meu ReMéDiO, fumar era a única forma de uso, numa tentativa que fiz de fumar no banheiro quase fui expulsa do hospital e aí sim atribuíram qualquer ponto e vírgula fora do contexto a erva era o motivo, foi o caos até o bebê nascer.

Em respostas a toda “parafernália” e o circo armado para fazerem meu parto sugerindo que usariam todos os métodos disponíveis, preparam a cesariana, o fórceps etc, também filmariam, pois era um caso em 100 na época e nada disso aconteceu ganhei o bebe sozinha no quarto do hospital e maternidade Beneficência Portuguesa em POA/RS em 26/06/87 as 5:00hs da manha, um lindo bebê de 2k850g, 50cm em parto normal, isso que estava internada, a medica só veio para cortar o cordão e leva- lo para os procedimentos necessários.

Quatro dias depois fomos pra casa no conforto do lar parei com a medicação hospitalar e continuei com a minha medicação natural e a erva tudo serenou e curou Fiquei traumatizada com o rigor da lei BURRA aplicada que na minha segunda gravidez, três anos e nove dias tive meu segundo bebê em casa num parto tranquilo, maravilhoso, inesquecível só fomos ao hospital para tirar a placenta e fazer os procedimentos e pelo horário que ele nasceu 20h00min tivemos que passar a noite no hospital, mas foi apenas uma já em casa tudo crescia e florescia com na paz de Jah, estava no comando da minha vida e estava escrevendo uma história e meus filhos cresceram dentro da minha realidade, não escondi a minha verdade quando precisei dizer e com eles minha relação mãe e filhos, sempre os deixei livre:

“Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados…
Gibran Khalil Gibran

Os anos que se seguiam traziam aprendizado e amor suficientes para enfrentarmos a turbulência que traz a vida, normal para nosso desenvolvimento pessoal, pois como diz meu #Mestre, “O que não nos mata, nos fortalece”.

A vida acontecia de forma simples no interior numa “casinha no alto do morro foi tudo que pedi pra Jah” nossa relação sempre muito aberta, muito diálogo trouxe o conhecimento, assim não tive problemas quando aos 16 anos meu filho usou maconha de modo recreativo, o problema surgiu quando ele e amigos foram adquirir o seu e encontrou com o que definiu ser sua droga de preferência, o crack, me abalei por todos os sentimentos que passei a experimentar a partir da experiência do meu filho com a droga química mais destrutiva de todos os tempos e a minha era a culpa, não considerei esse fato não tive tempo de pensar em mim, nas minhas culpas e neuras, precisava ser prática decidi que precisava cuidar dele, talvez uma forma que encontrei para aliviar minhas dores? Talvez um amor verdadeiro e incondicional atribuído unicamente as mães. Não sei, talvez sim, tive muitas dúvidas esse dialogo interno também era deixado em segundo plano. Os sentimentos afloravam, à medida que a ação acabava sempre contrária ao pensamento. Estivemos sempre juntos os três mosqueteiros. Por um longo período sofremos todos os efeitos colaterais, físicos e psíquicos desse mal num país de um primitivismo político. 


“O fenômeno não é de direita nem de esquerda, não é de oposição nem de situação, não é conservador nem progressista. Merece outro adjetivo porque não aceita, por princípio, a política democrática e as regras do jogo constitucional. Esforça-se em corroê-las o tanto quanto pode. Não está disposto a discutir ideias e propostas à luz de fatos e evidências, mas a desqualificar sumariamente a integridade do seu adversário (e, assim, escapar do ônus de discutir propostas e fatos).

Cheio de convicções, é surdo a outros pontos de vista e alérgico ao debate. Não argumenta, agride. Dúvidas seriam sinais de fraqueza, e o primitivo quer ser tudo menos um fraco. Suas incertezas ficam enrustidas no fundo da alma”.
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,refens-do-bolsonarismo,1140280,0.htm.

Esse texto para revelar sem generalizar experiências que vivencio, dependentes e familiares sem condições financeiras e a mercê do sistema INÚTIL de saúde, o SUS, acabam resgatadas pelas entidades religiosas e acabam adquirindo outra doença…

“Não é bom ser aterrorizado por um Deus a ponto de que apenas o terror o fará agir corretamente, tampouco idolatrá-lo de modo doentio de tal forma que apenas a esperança de ganhar sua afeição irá fazê-lo agir corretamente. Essa alternância doentia entre ser extremamente degradado e submisso e ser extremamente arrogante está, com certeza, na raiz da-religião. 

Todas as religiões compartilham o mesmo engano, a mesma ilusão ilícita, que é a ideia de que a fé deve prevalecer à razão e que a própria fé deve ser considerada uma virtude. Em outras palavras, a disposição de aceitar uma proposição sem evidências, ou sem questionamento, é, por si só, algo virtuoso.”

Esse texto para revelar sem generalizar experiências que vivencio, dependentes e familiares sem condições financeiras e a mercê do sistema INÚTIL de saúde, o SUS, acabam resgatadas pelas entidades religiosas e acabam adquirindo outra doença…

Meu médico havia falecido nesse tempo e me senti órfã. Pela ânsia de solução daquela situação tomei seu lugar e passei os ensinamentos a respeito da erva medicinal meu longo convívio com ela e os porquês, queria afasta- lo da ingestão das tarja- preta, ansiolíticos administrados nos tratamentos quando internado, e seus efeitos colaterais. Ele já tinha conhecimento, mas ao se envolver com o crack não lhes interessa qualquer ação que os afaste da droga é o poder viciante e destrutiva dessa química.

Adoecemos com ele faz parte do “pacote” do convívio com um adicto, sair totalmente ileso não é possível, vencer batalhas como essa sem marcas e sequelas infelizmente sem chance, mas felizmente o amor, o conhecimento tudo transforma, restaura e vai fazer isso conosco no final, pois agora: “Ainda estão rolando os dados”. Hoje, oito anos depois estamos retomando nossas vidas, Thiago está limpo só por hoje, já tem 12 meses, é pouco, mas para quem era usuário compulsivo, morador de rua, (tempos de trevas), já consideramos uma vitória e com o uso da maconha Medicinal estamos bem.

Muito obrigada e parabéns pela iniciativa.” – KHELLY CORREA MONTEIRO MASS BRAGA, Atibaia/SP.

Esta sessão tem por objetivo divulgar os casos e depoimentos de usuários medicinais que lutam pelo direito de um tratamento mais digno e saudável. Mais informações sobre o grupo Eu Uso Maconha Medicinal podem ser encontradas clicando aqui. Legalizar a maconha é uma questão de dignidade e respeito!

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