Relatos medicinais: Thaís Carvalho

“Me chamo Thaís Carvalho, tenho 34 anos, e em 2010, aos 30 anos vivi ao mesmo tempo, a melhor e a pior experiências da minha vida, o nascimento da minha filha Gaia, e no parto descobri um câncer no ovário. Duas semanas depois do parto, fiz uma cirurgia para a retirada de todo meu aparelho reprodutivo, pois o câncer já havia tomado conta. E pra completar minha filha saiu da sala de parto direto para a UTI, pois nasceu com o pulmão em formação.E lá permaneceu por 1 mês inteiro, e os médicos diziam para rezarmos muito pois dentro da UTI ela contraiu uma bactéria no sangue e os médicos não acreditavam que ela sairia viva de lá.

Finalmente no seu primeiro mês de vida ela recebeu alta do hospital e veio pra casa, superando todas as expectativas dos médicos. Nesse mesmo período começaram os ciclos de quimioterapia. Foram 6 ciclos que deveriam ser feitos de 21 em 21 dias, porém os sintomas da quimioterapia eram fortes demais e mal conseguia levantar da cama. Comecei a passar o dia na casa da minha mãe para ela cuidar de minha filha enquanto meu marido trabalhava, e ele chegava cedo em casa para cuidar de mim, da Gaia e da nossa casa, com isso acabou perdendo o emprego pois não conseguia ficar até o horário que seu chefe lhe determinava, pois os compromissos em casa eram muitos.

Após o primeiro ciclo de quimio, comecei a sentir muitas dores no corpo, enjoos, falta de ar, falta de apetite, falta de sono, irritação extrema e um princípio de síndrome do pânico. Os remédios alopatas que os médicos passaram já não mais funcionavam, pelo contrário, parece que só piorava, enfraqueci tanto nesse período que não consegui cumprir o ciclo de 21 dias para a segunda dose, tive que esperar por 45 dias para fazer o segundo ciclo, e quanto mais o tempo passava mais ficava ruim.

Continuei vivendo assim, no segundo ciclo meus cabelos, sobrancelhas, cílios e todos os pelos do corpo caíram devido à quimioterapia, fiquei com uma cicatriz enorme na barriga, e quando eu começava a ficar pra baixo meu marido dizia que eu estava cada dia mais linda, ele foi meu grande alicerce, vivia me fazendo lindos elogios, me acordava todos os dias com café na cama, e como ele era cabeludo falou que iria raspar a cabeça pra me dar mais forças, mas eu não deixei ele fazer isso porque adorava aquele cabelão.

Tinha dias que abrir os olhos doía, e eu vivia prostrada numa cama. Foi quando meu marido não aguentava mais me ver sofrendo desse jeito que começou a pesquisar sobre tratamentos naturais e alternativos para a minha melhora, e nas suas pesquisas descobriu que a Cannabis é um maravilhoso aliado aos efeitos da quimioterapia, foi quando juntos resolvemos testar.

No início ele comprou maconha de rua e quando fumei imediatamente já vi mudanças absurdas no meu corpo, meus enjoos passavam, as dores iam embora, a fome apareceu e o sono vinha à noite, a minha vida mudou na água para o vinho do dia para a noite. Eu conseguia levantar da cama e fazer coisas simples que antes não conseguia como trocar as fraldas da minha filha, lavar louça, etc. Além de aliviar absurdamente esses sintomas o melhor acontecia no meu psicológico, eu me sentia bem, revigorada, esperançosa, e com forças suficientes para continuar na minha caminhada., e até a síndrome do pânico não evolui, e desapareceu.

Com isso a partir do terceiro ciclo, já conseguia intervalos de 21 dias pois já estava bem. Mas nós não estávamos satisfeitos com a compra da erva, pois não sabíamos como ela era produzida e não queríamos financiar o tráfico, foi quando resolvemos importar as sementes e cultivar na nossa casa. A diferença é absurda, uma planta sadia que potencializava seus componentes como o CBD e o THC, além do sabor e odor perfumados. A minha melhora era clara, as pessoas na rua me encontravam e ficavam impressionados de como eu estava bem, corada e feliz. Conversei na época com a minha mãe e no começo foi difícil para ela aceitar, mas com a minha melhora ela mesmo não concordando entendeu.

Para defender a minha saúde, rompi a legalidade de importação e cultivo da planta no nosso país, e hoje meu marido está respondendo a um processo de tráfico internacional. Parece até piada, depois de tudo que passei e graças a Deus estou a 1 ano da minha cura total dita pelos médicos, estamos enfrentando a justiça. É absurdo vivermos em pleno século XXI e passarmos por isso, uma planta curativa descriminada pelo mundo. Mas como diz meu marido, o pior já passamos, pois hoje eu e minha filha estamos vivas e sadias, e sem a planta sinceramente não conseguiria ter suportado a agressão da quimioterapia, tudo que vier pela frente é “fichinha”, nós enfrentaremos! 

Hoje sou ativista pela causa e luto pelo direito da legalização do cultivo da cannabis medicinal, acabei de participar do IV Simpósio Internacional de Cannabis Medicinal organizados pela Cebrid e Unifesp, e voltei de lá com muito mais garra pois lá conheci pessoas como eu que utilizam o poder da cannabis e lutamos para que o mundo todo tenha direito à vida!” – THAÍS CARVALHO, Belém/ PA.

Esta sessão tem por objetivo divulgar os casos e depoimentos de usuários medicinais que lutam pelo direito de um tratamento mais digno e saudável. Mais informações sobre o grupo Eu Uso Maconha Medicinal podem ser encontradas clicando aqui. Legalizar a maconha é uma questão de dignidade e respeito!

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