Mercado da maconha legal pode chegar a US$ 110 bi e atrai empreendedores nos EUA

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A maconha se tornou um mercado bilionário e os grandes investidores já sabem disso.

Há muitas formas de ter barato: John e Jane sabiam disso antes de viajarem para Denver, Colorado. Mas nenhum deles estava preparado para a vasta diversidade de opções que encontraram quando chegaram.

No 3D Cannabis Center, eles encontraram maconha saborizada para atender a todo paladar –menta, bala de goma, frutas cítricas e até mesmo trufas e pralina. “Nós recebemos ontem estilo suíço”, diz o vendedor, apontando um chocolate amargo. A seleção também inclui variedades como Cookies & Cream ou tangerina com chocolate. Tudo, é claro, contendo maconha.

“Tudo tem entre 80 miligramas ou 40 miligramas de THC”, explica o vendedor atrás do balcão. THC é a abreviação de tetrahidrocanabinol, o agente psicoativo da maconha.

Pouco tempo depois, John, um engenheiro, sente o cheiro adocicado de uma das numerosas variedades.

Incrível”, diz, desfrutando o momento. Em casa, a única opção para comprar maconha é de vendedores em partes suspeitas da cidade. Agora, pela primeira vez, ele e sua esposa, uma recepcionista, estão em um estabelecimento alegre, não diferente de uma mercado, com piso de madeira e balcões de vendas. Eles não sabem por onde começar.

Será que optam pela “Silverback Gorilla”, que cresce no solo e tem aroma terroso? Ou talvez a “Death Star”, que nas palavras do vendedor é “o céu”? É o produto de 10 anos de cultivo.

Em um país mais conhecido pelas penas draconianas que aplica aos crimes ligados às drogas, uma revolução improvável está em andamento nos Estados Unidos. A maconha já foi aprovada para fins medicinais em mais de 20 Estados. Em muitos lugares, mesmo pessoas com males menores como uma dor de cabeça ou leve depressão têm pouca dificuldade em obter uma prescrição.

Após referendos dos eleitores, os Estados de Washington e do Colorado legalizaram plenamente a maconha em 1º de janeiro. As decisões provocaram uma onda de turismo em massa aos Estados por pessoas como John e Jane.

Os “ganjapreneurs”

Empreendedores de maconha como Toni Fox, a dona do 3D, estão prosperando como resultado. A mulher de 42 anos diz que o movimento era tamanho no início e a oferta tão limitada que ela só conseguia abrir nos fins de semana. Novos cultivadores de maconha estão surgindo por todo o Estado para atender a enorme demanda. Em alguns casos, os proprietários estão cobrando duas a quatro vezes os valores de mercado para aluguel de prédios grandes o bastante para cultivo de maconha.

Em outras partes do país, mesmo onde a maconha ainda não foi legalizada, plantações de alimentos estão surgindo no meio do nada enquanto as empresas se preparam para atender o mercado. Startups de tecnologia estão oferecendo aplicativos para consumidores e técnicos estão desenvolvendo diversos vaporizadores –basicamente cigarros eletrônicos para maconha, que podem ser comprados como dispositivos descartáveis ou mesmo como objetos caros de design.

Investidores estão começando a levantar dinheiro para entrar no mercado gigante o mais cedo possível. Analistas dizem que há um mercado potencial para a maconha que pode chegar a US$ 110 bilhões, quatro vezes a receita gerada anualmente pela indústria do tabaco.

Comparações estão sendo feitas com a era pontocom, à corrida do ouro do século 19 ou mesmo ao fim da lei seca nos anos 30, quando ocorreu um crescimento imenso da indústria do álcool. E todo mundo está tentando entrar no jogo –idealistas assim como homens de negócios realistas, charlatães, gênios e malucos.

Com seu casaco vermelho e vestido plissado cor de rosa, Fox não é o tipo de mulher que alguém imaginaria ser parte da cena de maconha. Ela iniciou seu negócio depois que seu irmão foi para a cadeia para cumprir uma pena de 10 anos por vender maconha aos amigos. A punição draconiana inspirou Fox a se tornar uma “ativista de maconha”.

Mãe de dois filhos, ela participou de protestos e até mesmo abriu seu próprio negócio, que inicialmente só podia vender maconha para fins medicinais. Ela também apoiou o grupo de lobby “Mães pela Maconha”.

Como muitos outros membros do movimento pela legalização, Fox está convencida de que a maconha é um dos melhores medicamentos para ajudar a tratar doenças como câncer, epilepsia ou mal de Alzheimer –e certamente é melhor que o álcool.

Sentada em um sofá bege em sua sala de espera, é difícil dizer se seus olhos vidrados são produto da maconha ou de exaustão. Desde a legalização plena da maconha no Colorado, ela dificilmente tem tempo de folga. “Em 1º de janeiro, as pessoas aguardaram cinco horas para entrar”, diz. A popularidade do negócio resultou em lucros durante os três primeiros meses do ano superiores aos dos últimos três anos somados.

Desencadeando uma necessidade coletiva

A legislação recente parece ter desencadeado uma necessidade coletiva de maconha na cidade. Muitos produtos estão esgotados e fumar maconha se tornou tão socialmente aceitável que a orquestra sinfônica local, carente de recursos, se uniu recentemente a uma empresa de maconha para realizar um concerto beneficente. Durante o intervalo no evento apenas para convidados, homens e mulheres em trajes sociais podiam ser vistos acendendo cigarros de maconha no pátio do prédio e produzindo nuvens espessas de fumaça.

As autoridades estaduais anunciaram recentemente que a receita do setor aumentou 60% desde janeiro. Elas estimam que os impostos e taxas estaduais gerarão até US$ 134 milhões em um ano. O Estado só arrecada cerca de US$ 40 milhões com impostos sobre a venda de álcool.

“Eu chamo de jogo de Monopoly da maconha”, diz o investidor KC Stark, falando em uma voz rouca em um salão escuro. Algumas poucas empresas foram convidadas ao local para participar de um “Encontro da Maconha”. Ela é apenas uma das muitas convenções de maconha que podem ser visitadas na cidade. No momento, é “dinheiro correndo atrás da maconha correndo atrás de dinheiro correndo atrás da maconha”, diz Stark.

O empresário veste sapato branco, jeans e um colete de terno sobre uma camisa. Ele diz ter investido em “dezenas” de empresas ligadas à maconha. Ele também é proprietário do clube Studio A64 em Colorado Springs, onde os convidados podem cantar karaokê e também fumar maconha, e que Stark deseja transformar em uma rede global como o Starbucks.

Mas para sua apresentação na conferência de maconha, Stark está presente como proprietário da MMJ Business Academy, onde ele ensina o básico do setor para empreendedores que esperam abrir uma nova empresa. Stark diz que aqueles que derem os passos certos têm chance de se tornarem “altamente ricos”.

Correm rumores sobre as quantias de dinheiro que as pessoas podem ganhar no setor. E se concentram em empreendedores como Tripp Keber, um homem imponente e de ombros largos vestindo um terno cinza.

Keber entrou no negócio de maconha em 2010, com um “barracão de madeira”, diz rindo bastante. Ele construiu sua mesa usando dois gabinetes e arrancou a porta do banheiro para usar como tampo. Desde então, há apenas uma constante nos negócios de Keber: crescimento. Nos últimos 16 meses, ele comprou ações de mais de 20 empresas no setor de maconha. Mas a Dixie Elixirs continua sendo o centro de sua empresa. A empresa produz pralinas de chocolate, balas e refrigerantes com sabor de pêssego, groselha e melancia. Tudo com quantidades diferentes de THC.

Ele também opera empresas como Warehouses All Over the City, uma empresa que desenvolve software para gestão de estoque, uma empresa de equipamentos e uma empresa de importação e exportação chamada In Perfect Harmony. “É o nome do cavalo da minha filha”, diz.

No momento, Keber diz estar comprando participações acionárias em empresas quase mensalmente. “Eu tenho uma equipe financeira forte que está me ajudando”, comenta. “Eles sempre dizem: pare de comprar empresas”, fala rindo.

Privando os cartéis das drogas

Ele diz que a indústria da maconha criou dezenas de milhares de empregos e nota que o Estado está injetando os primeiros US$ 40 milhões da receita tributária do setor nas escolas da região. “A propósito”, ele acrescenta, a indústria está privando os cartéis das drogas de bilhões de dólares apenas neste ano. “Olhe para o México”, ele diz. “Oitenta mil pessoas foram assassinadas em seis anos no país.”

Agora que as pessoas podem comprar maconha legalmente, as receitas da Dixie cresceram quase 10 vezes em um ano. “Nós temos provavelmente perto de um milhão de dólares em pedidos pendentes”, ele diz. Para atender a explosão da demanda, Keber está atualmente convertendo uma velha padaria industrial em uma instalação de produção de seus produtos comestíveis. No meio do canteiro de obras, já é possível ver o início daquela que será uma engarrafadora plenamente automatizada para suas bebidas de maconha. Atualmente, as garrafas ainda são cheias manualmente.

Até o final do ano, Keber estima que uma tonelada de produtos alimentícios de maconha sairá dali por mês, o dobro da produção atual. Keber diz que já investiu “milhões e milhões” em seu pequeno império. “Eu já disse publicamente que isto não é um negócio para pobres.”

Maconha ainda vetada para o setor financeiro

Isso se deve em parte ao fato de ainda ser difícil obter financiamento no setor. Até recentemente, a lei federal dos Estados Unidos proibia os bancos de até mesmo permitir a abertura de contas para empresas ligadas a maconha. Mesmo hoje, muitas instituições financeiras, organizações de empréstimo e fundos hedge evitam o envolvimento no setor, por preocupação com sua imagem.

Muitas empresas ainda operam apenas com dinheiro, diz o ex-promotor de concertos Steve DeAngelo. Um carro blindado passa uma vez por semana para transportar o dinheiro de seu Harborside Health Center, na Califórnia, que tem um volume de negócios anual de US$ 25 milhões. O carro blindado leva os pagamentos de impostos da empresa, que são levados à administração fiscal local. Não é muito eficiente. “Os tesoureiros municipais precisam sentar ali e contar e contar por horas”, diz DeAngelo.

Para contornar o envolvimento com bancos, o que inibe muitas novas empresas, DeAngelo formou a rede ArcView de investidores juntamente com um sócio. Nesta semana, ela realizou uma de várias conferências anuais em Denver, que buscam unir investidores com tipos criativos com grandes ideias de negócios.

O próprio DeAngelo é um sujeito à moda antiga. Na adolescência, ele participou de manifestações em apoio à legalização da maconha. Com suas tranças finas e chapéu extravagante, DeAngelo parece um pouco com seu herói, Quanah Parker, um dos últimos chefes comanches do século 19. Parker era conhecido como um guerreiro que travou guerra contra o homem branco, mas posteriormente fez muitos negócios com eles.

Por sua vez, DeAngelo, antes uma pessoa à margem, conta hoje com “um belo salário de classe média alta”, segundo ele próprio. Mesmo assim, ele continua sendo um homem de convicção. Ele vê a maconha como sendo “um produto de bem-estar” que expande sua “espiritualidade”, sua capacidade de “paciência, de desfrutar uma bela refeição, os sons de uma bela peça musical ou seu senso de libido”. De fato, ele considera a distribuição industrializada de drogas como sendo um pesadelo.

via UOL

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