Itália irá plantar maconha para fins medicinais

Cultivo será feito pelo exército em fábrica de medicamentos químicos de uso militar.

Após muito debate e resistência dos setores mais conservadores do governo, eis que a Itália está prestes a dar mais um passo rumo à uma nova política de drogas – seguindo de fato a tendência mundial. Apesar da iniciativa visar apenas o uso medicinal da planta, este pode ser considerado, talvez, o maior avanço pró legalização dos últimos anos no país.

Segundo o jornal La Stampa, o cultivo será feito pelo exército, em uma fábrica de medicamentos químicos de uso militar em Florença, e a produção será destinada exclusivamente ao uso terapêutico. Esta medida deverá beneficiar muitos pacientes que sofrem com a difícil e cara importação de medicamentos à base de maconha, como o Sativex por exemplo. O sinal verde foi dado pelas ministras da Defesa e da Saúde,  Roberta Pinotti e Beatrice Lorenzin, e a iniciativa deve ser formalizada até o final de setembro.

O uso de maconha ou de seus derivados para fins terapêuticos é permitido na Itália desde 2007. Entretanto os pacientes interessados precisam importar o medicamento, seguindo protocolos complexos e burocráticos. Dessa forma, são pouquíssimos os cidadãos que podem ser beneficiados pelo uso terapêutico da maconha  (cerca de 60 pessoas). Isso sem contar o fato de que a importação do remédio é muito, muito cara. A nova medida é uma tentativa de ajudar esses milhares de pacientes que precisam de tratamento.

A ministra Pinotti já havia manifestado apoio à mudança há algum tempo, porém Lorenzin ainda mantinha ressalvas por ter uam abordagem mais técnica. Se tudo der certo, medicamentos à base de maconha já poderão ser encontrados em farmácias italianas já a partir do ano que vem.

Entretanto, este acordo não parecia que teria um final pacifico: o setor conservador do governo temia que esta medida pudesse favorecer processo de legalização para fins recreativos. Só após muitos diálogos e acordos, o cultivo pelo exército foi aprovado. A ministra Lorenzin – conhecida por ter uma “mente aberta”- sempre afirmou em suas declarações que “do ponto de vista farmacológico, não há problemas com o uso terapêutico da cannabis. Ninguém duvida dos efeitos benéficos, mas deve ser tratado como uma droga”.

Com a nova iniciativa, milhares de pacientes com esclerose múltipla, câncer, epilepsia, glaucoma e muitas outras condições, poderão se beneficiar de um tratamento mais digno, à base de maconha. É uma vitória que pode inspirar ainda mais o processo brasileiro.

Não há dúvidas de que estamos em processo de legalização, mas ainda estamos muito atrasados. No Brasil o assunto ainda é novidade, e milhares de famílias e pacientes sofrem com o descaso do governo em relação à esse assunto. É importante buscarmos formas de produção do medicamento em território brasileiro, não só pelo governo, mas por cooperativas, associações e diversas outras iniciativas (inclusive a privada). Já passou da hora de regulamentar a produção, distribuição e comércio da maconha medicinal por aqui. É questão de dignidade, de saúde e de respeito à vida humana! Parabéns Itália, que essa novidade nos sirva de exemplo e inspiração!

 

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