Maconha é 114 vezes mais segura que álcool, afirma estudo

Um estudo científico comparou os efeitos de sete drogas recreativas nos seres humanos e concluiu que a maconha é a menos mortal delas. O álcool foi considerado a mais mortal, seguido por heroína, cocaína, tabaco, ecstasy, metanfetaminas e, finalmente, maconha.

Os pesquisadores afirmam que o álcool é 114 vezes mais mortal que a maconha. Para chegar a essa conclusão, eles compararam a dose usualmente consumida de cada droga com a dose considerada fatal.

A conclusão foi que consumidores de maconha ficam, normalmente, muito distantes da dose que seria mortal para eles. Por isso, a maconha foi a única das sete drogas classificada como tendo “baixo risco de mortalidade”. As demais foram distribuídas nas categorias de médio e alto risco.

Essas conclusões devem ser vistas com muita cautela. Os pesquisadores não avaliaram outros danos causados pelas drogas aos consumidores. Eles se concentraram apenas no risco de overdose.

Eles também não avaliaram riscos colaterais, como a transmissão de doenças no uso de drogas injetadas com agulhas compartilhadas.

Evidências práticas mostram que o consumo moderado de álcool, por exemplo, é razoavelmente seguro, enquanto o uso regular de heroína pode ser devastador. E os autores da pesquisa não negam isso.

Eles só dizem que, na média, quem bebe tende a chegar mais perto da dose mortal do que quem usa heroína.

O estudo foi publicado na revista Scientific Reports. Traz a assinatura de Dirk Lachenmeier, PhD em química de alimentos e toxicologia da universidade alemã de Karlsruhe; e Jürgen Rehm, diretor do Centro de Saúde Mental e Vícios de Toronto, no Canadá.

via Exame

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Anvisa reclassifica o canabidiol

A reclassificação já era esperada e simboliza uma mudança muito importante, mas ainda não é o suficiente.

Hoje é um dia histórico para pacientes e ativistas que lutam pelo direito ao uso medicinal da maconha. Ainda que seja uma mudança singela, um importante passo está sendo dado e deve melhorar a condição de vida de muitos pacientes (os que puderem pagar pelo remédio).

Durante a primeira reunião pública do ano, a diretoria da Anvisa foi unanime e decidiu retirar o canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito e liberar o uso de medicamentos à base da substância para venda controlada. Agora a substância deve integrar a “Lista C1” que é uma lista de remédios controlados que envolve uma série de medicamentos.

Apesar de ter sido um processo bastante conturbado até aqui, a mudança deverá facilitar a importação do óleo de cânhamo industrializado para pacientes e para pesquisas científicas.

Porém entre todos os interessados nessa reclassificação, a maior beneficiada se chama HempMeds, empresa distribuidora do RSHO, o óleo de canhamo industrializado, principal produto utilizado por aqueles que estão buscando esse tratamento. No mundo inteiro, a HempMeds já lucra milhões de dólares com a venda do óleo e agora acabou de ganhar carta branca no gigantesco mercado brasileiro.

Mesmo que seu produto seja bastante suspeito, de qualidade duvidosa e criticado por diversos pacientes e profissionais canábicos no mundo inteiro, a HempMeds começa o ano com a certeza de lucro no Brasil, um lucro astronômico. Isso deve dar um respiro para a empresa, que no cenário mundial sofre com inúmeras denúncias e está perdendo mercado, sofrendo com uma grande desvalorização de suas ações.

A reclassificação do canabidiol ainda não resolve toda a questão do uso da maconha medicinal e nesse caso, o horizonte não é tão animador. A maconha medicinal não se resume ao canabidiol, de forma que o THC é outro importantíssimo componente para o tratamento de milhares de pacientes como os que sofrem de câncer, esclerose multipla, dores crônicas, glaucoma, entre outras.

Uma esperança é que o CFM, da mesma forma que autorizou os médicos a prescreverem CBD, também autorize os médicos a prescreverem THC. Dessa forma os médicos poderão receitar o THC com segurança, gerando uma grande demanda e forçando a pauta no Anvisa.

Porém o THC é socialmente recriminado, pois é psicoativo e pode ser administrado de forma recreativa. Essa é uma outra luta que ainda deverá ser travada, dentro e fora da Anvisa, mas dessa vez não poderemos contar com criancinhas inocentes, brancas, de classe média/alta, para emocionar e sensibilizar sociedade, políticos e médicos.

Esta singela mudança, ainda implica na questão do acesso ao medicamento, que não foi resolvido. Ao final da reunião, um dos pais presentes se pronunciou de maneira a elogiar histórica decisão e informou que um novo projeto de lei deve ser encaminhado, com o objetivo de favorecer o acesso ao medicamento por parte de pacientes de baixa renda, de forma que o governo arque com as despesas.

Trata-se de uma alternativa bastante equivocada, pois a melhor forma de garantir o acesso àqueles que precisam é garantir o cultivo e produção nacional. Cooperativas medicinais e cultivo caseiro sequer foi mencionados durante a reunião. O Brasil possui jardineiros competentes o suficiente para produzir um óleo melhor que o da HempMeds, com custo mais baixo, mas infelizmente esse não é o foco das atuais discussões, somente entre os ativistas e pacientes pobres.

A reclassificação deve trazer algum alívio para muitas famílias, mas traz também uma certa indignação e sentimento de descaso com os milhares de pacientes que ainda sofrem com o preconceito contra a maconha e por isso tem seu tratamento proibido.

Os próximos capítulos dessa novela serão muito importantes, mas uma coisa já podemos adiantar: quem plantar seu remédio, vai ser preso.

 

CFM autoriza médicos a receitarem derivamos de maconha

Pela primeira vez, um país autoriza seus médicos a prescrever o canabidiol (CBD), um dos 80 princípios ativos da maconha.

A Folha teve acesso à decisão do CFM (Conselho Federal de Medicina), que será detalhada em coletiva de imprensa nesta quinta (11), à tarde e encaminhada ao “Diário Oficial da União”.

O conselho adiantou que os médicos poderão prescrever o composto para formas severas de epilepsia. Ainda não está claro se o documento contemplará também enfermidades como a doença de Parkinson e a esquizofrenia.

Estudos já demonstraram a efetividade da substância para melhorar a qualidade de vida dos pacientes que sofrem com tais doenças.

Nos Estados Unidos, o canabidiol é vendido para ingestão via oral, como pomada cutânea e até xampu.

A FDA (agência que regula medicamentos nos EUA) considera o composto seguro, mas não permite que quem o comercializa alegue propriedades medicinais –segundo o órgão, para isso são necessárias pesquisas mais abrangentes, envolvendo grandes grupos de pessoas.

Anvisa

A decisão do CFM segue a norma do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, que em outubro autorizou a prescrição do CBD para médicos do Estado.

O canabidiol, entretanto, ainda não consta na lista de substâncias permitidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Isso significa que sua importação tem de ser autorizada caso a caso –não é permitida a venda, por exemplo, em farmácias. A primeira autorização saiu em abril, e desde então foram 238 liberações.

Um dos requisitos da Anvisa para a liberação da importação é exatamente uma prescrição médica. Com a decisão do CFM, isso deve se tornar mais fácil, uma vez que uma reclamação dos pacientes era que esses profissionais tinham receio de receitar o CBD, já que a substância era proibida pelo seu conselho.

A inédita decisão é fruto de um debate que começou quando a família de Anny Fischer, 6, obteve na Justiça, pela primeira vez no país. o direito de importar a substância.

Anny tem uma forma grave de epilepsia para a qual não há tratamento específico. A doença provocava até 80 convulsões por semana com duração de 10 minutos cada uma e comprometia o desenvolvimento de Anny. Hoje, ela tem pequenos espasmos esporádicos que duram cerca de três segundos.

De Brasília, a família só conseguiu o laudo e receita na USP de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A USP estuda o canabidiol desde os anos 1970.

“A gente fazia de tudo de forma ilegal, e o neurologista da Anny não prescrevia o CBD”, diz Norberto Fischer, pai da Anny. “Muitas pessoas ainda nos procuram dizendo que não conseguem a receita médica”, afirma.

via Folha

Maconha pode ser tratamento contra Apnéia do Sono

Novo estudo indica que o THC pode ser a solução para Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono.

Para quem não conhece, a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), ou simplesmente Apneia do Sono, é uma síndrome que causa uma interrupção completa do fluxo de ar através do nariz ou da boca por um período de pelo menos dez segundos e, por hipopneia, uma redução de 30% a 50% desse fluxo.

Os sintomas mais comuns são ronco, episódios visíveis de interrupção da respiração e sono excessivo durante o dia. O ronco pode ser excessivamente alto e interferir com o sono dos outros. Portadores de sintomas mais graves costumam acordar com sensação de sufocamento, refluxo esofágico, boca seca, espasmo da laringe e vontade de urinar.

O distúrbio ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo. Para ser mais exato, durante as crises, ela para de roncar por causa do bloqueio da passagem de ar pela faringe. A repetição dos episódios de apnéia tem como consequência a menor oxigenação do sangue, o que pode resultar em danos ao organismo.

Pois bem, um estudo publicado esta semana pela revista PLoS One, também publicado online pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA, descobriu que a maconha pode ser uma opção de tratamento contra a SAOS.

Para a realização do estudo, pesquisadores da Universidade de Illinois usaram ratos com uma forma de apnéia do sono e injetaram neles antagonistas de receptores canabinóides (que imita o efeito dos canabinóides), bem como THC.

De acordo com os investigadores, “Estes resultados ressaltam o potencial terapêutico do Dronabinol (THC sintético) no tratamento da SAOS, que implicam na participação de ambos os receptores de canabinóides no efeito do Dronabinol para a eliminação da apnéia.”. Segundo os pesquisadores, 9% dos americanos possuem essa síndrome, e esse número tende a crescer.

Os resultados deste estudo, refletem os resultados de um outro estudo publicado em outubro no Respiratory Physiology & Neurobiology, que concluiu: “Estes resultados sublinham um grande potencial terapêutico do Dronabinol para o tratamento da apnéia obstrutiva do sono.”

Certamente, a utilização da maconha com níveis balanceados de THC deve ser tão eficaz ou mais que o Dronabinol no combate a SAOS, já que na maconha in natura é completa e possui outros canabinóides, oferecendo um efeito comitiva completo e beneficiando o corpo.

 

Por dentro da etiqueta azul

 

RSHO

Relatório investigativo põe em xeque não só o óleo de maconha industrializado RSHO, mas também a própria Medical Marijuana Inc., gigante americana produtora do medicamento.

No Brasil, a história do óleo de maconha apenas começou a ser escrita, mas lá fora já tem muitos anos. Por isso precisamos fazer uma profunda análise sobre a importação, uma vez que podemos desenvolver alternativas de produção nacional com menores custos e qualidade superior, de forma a beneficiar não só os pacientes que podem pagar pelo tratamento, mas todos aqueles que necessitam.

Vistas as vantagens que a regulamentação da produção nacional traria à sociedade, podemos dizer que a importação do óleo de maconha é uma burocracia desnecessária. Porém ainda que desnecessária, a importação é a única forma legal de obter o medicamento atualmente – e continuará sendo até que haja uma mudança em nossa política de drogas.

A luta pelo sagrado direito de plantar o próprio medicamento é dever de todos aqueles que desejam a maconha como tratamento. Principalmente daqueles que já fazem o uso e tem autorização legal para tal. Interesses financeiros ou pessoais, não podem se sobrepor à saúde de milhares de pacientes. Lutar apenas pelo direito de importar um medicamento que pode ser cultivado em casa é no mínimo uma incoerência, para não dizer egoísmo.

A importação do óleo de maconha deve ser apenas uma dentre várias opções, e não a única opção. Além dos inúmeros benefícios que a regulamentação do cultivo medicinal poderia trazer à sociedade, importar o medicamento favorece o proibicionismo e alimenta uma industria que anda levantando suspeitas no mercado sobre a qualidade e procedência do óleo.

Um tal de canabidiol

A pequena Anny Fischer foi o primeiro paciente brasileiro a ter garantido o direito de importar um medicamento a base de maconha.

A pequena Anny Fischer foi o primeiro paciente brasileiro a ter garantido o direito de importar um medicamento a base de maconha.

O canabidiol (CBD) é apenas um dos inúmeros canabinóides disponíveis na planta da maconha. Ele recebe uma atenção especial por ser não-psicoativo, o segundo em quantidade, balanceando os efeitos psicoativos do tetraidrocanabinol (THC). Apesar disso, o THC também tem importantes efeitos medicinais, como nos casos de esclerose múltipla e depressão, além de ter efeitos anti cancerígenos. Portanto,os esforços devem ser focados não apenas no direito ao CBD, mas no direto à maconha medicinal por completa.

Em Abril de 2014, a pequena Anny Fischer foi a primeira brasileira a ter garantido o direito de importar um medicamento a base de maconha, neste caso o RSHO®. Essa vitória foi muito repercutida e significativa, de forma que em pouco tempo, dezenas de pacientes e pais desesperados também conseguiram a mesma autorização da Anvisa.

Desde que a primeira autorização foi concedida, ativistas vem alertando sobre diversas questões importantes a respeito do medicamento, como o alto custo de importação, facilidade de produção nacional, qualidade do produto importado e interesses empresariais. Atualmente o debate está dividido entre os que desejam apenas uma maior flexibilidade para importar o óleo, e aqueles que exigem uma produção nacional, como o cultivo medicinal por exemplo.

Neste ponto, é necessário dizer que falamos especificamente do RSHO®, óleo de maconha rico em canabidol (CBD) produzido pela gigante Medical Marijuana Inc., e distribuído por sua subsidiária HempMeds. Este óleo é importado no Brasil por valores altíssimos, cerca de U$ 500 uma ampola de 10g, fora os gastos de envio e burocracia. Existe uma pequena elite que pode adquirir o medicamento sem maiores problemas, mas a grande maioria dos pacientes que necessitam, possuem uma baixa renda e não dispõe de recursos para bancar o alto valor do tratamento.

O RSHO é o principal óleo consumido pelos pacientes que estão experimentando o novo tratamento a base de maconha e, pelo atual cenário político-social, este óleo continuará sendo a principal fonte de canabidiol no Brasil. Dos 113 pacientes autorizados a importar o óleo, cerca de 80 estão utilizando este óleo. Precisamos ser extremamente atenciosos com óleo, pois nos EUA já existes sérias suspeitas quanto à qualidade do produto e seus mecanismos de negócios.

Com o resultado das eleições de 2014, somadas aos recentes debates no Congresso Federal, é provável que uma solução improvisada seja adotada pelos parlamentares afim de silenciar os pacientes que tem urgência e travar o debate sobre os demais usos. A ideia que corre o Congresso é a de flexibilizar a prescrição e importação do RSHO®, sem alteração na atual lei 11.343/06, podendo inclusive o Estado custear o medicamento para aqueles pacientes que não podem pagar.

Sendo assim, é de fundamental importância que todos os interessados no uso medicinal da maconha trabalhem pelo direito ao cultivo medicinal (e todas suas possibilidades), pois é a única forma de garantir um acesso digno à todos aqueles que precisam.

O puzzle do nome

O óleo de maconha (hemp oil) é um extrato natural utilizado no mundo inteiro como tratamento de diversas condições médicas, sendo consumido topicamente, por ingestão ou inalação. Existem diversas técnicas de produção e pode ser feito até mesmo em casa. Pode ter diferentes concentrações de canabinóides, variando de acordo com a linhagem utilizada. Ainda não existe nenhuma técnica que isole os canabinóides no processo de produção do óleo, de forma que todo extrato sempre conterá alguma taxa de todos os canabinóides da planta, por menor que seja essa taxa.

Devemos sempre dizer que um óleo é rico em determinado canabinóide, e não que ele é feito deste canabinóide. Não existe “óleo de CBD”, e sim óleo rico em CBD. Isso é importante para que se evite confusão e prejuízo ao processo de legalização, pois a sociedade ainda é muito preconceituosa e desinformada em relação à maconha.

Rick Simpson, principal responsável pela (re)descoberta do óleo.

Rick Simpson, principal responsável pela (re)descoberta do óleo.

Quando falamos em óleo de maconha, normalmente nos referimos à ele como RSO, abreviatura de Rick Simpson Oil, ou simplesmente Hemp Oil. Isso porque Rick Simpson foi quem aperfeiçoou a técnica de produção e difundiu o tratamento pelo mundo. Este óleo é feito com flores secas, e pode ser rico tanto em THC quanto em CBD (ou qualquer outro canabinoide), depende apenas da linhagem que for utilizada. Este seria o óleo original, pois é o primeiro, mais comum e acessível aos pacientes.

Já o nome RSHO®, Real Scientific Hemp Oil, é uma marca registrada pela Medical Marijuana Inc. (MJNA), que claramente tenta assemelhar-se à abreviatura “RSO”, tirando vantagem dos mais desatentos e desinformados. Trata-se de um óleo de maconha rico em CBD, produzido a partir do cânhamo (hemp), e que passa por diversos processos industriais para obter a concentração desejada de canabidiol.

É muito importante conhecer estas diferenças, pois quando falamos de maconha medicinal não é só saúde e direitos que estão envolvidos. Muito dinheiro também está em jogo, e é interesse das grandes indústrias que o quadro brasileiro continue exatamente do jeito que está: cultivo medicinal proibido, favorecendo a importação de seus produtos.

Hemp ou Marijuana?

Com o crescente interesse em torno do canabidiol para tratamentos de epilepsia e outras condições, tem havido no mundo inteiro uma onda de produtos ricos em CBD. Entre eles está o RSHO® (carro chefe da gigante obscura Medical Marijuana Inc.), comercializado principalmente nos EUA mas que também é enviado para o mundo inteiro.

Para entender melhor o RSHO®, antes é necessário entender como funciona a lei americana. Segundo a lei federal americana, existe uma divisão básica: a grosso modo, toda planta ou produto contendo até 0,3% de THC, é considerada Hemp, ou cânhamo; se a planta ou produto tiver mais de 0,3% de THC é considerada Marijuana, ou maconha. Na verdade, isto se baseia em uma decisão judicial de 2004, do Tribunal de Apelações federal, que protegia a venda de alimentos derivados do cânhamo. Mesmo que os agricultores ainda não tivessem autorização para cultiva-lo,o cânhamo industrial permaneceu legal para importação e venda nos EUA.

Entretanto, de acordo com Fred Gardner da FDA (Food and Drug Administration, equivalente à nossa ANVISA), “o Canabidiol atende à definição do Cronograma I sob a Lei de Substâncias Controladas. A DEA é a agência reguladora”. O DEA (Drug Enforcement Administration, equivalente ao nosso DENARC), uma agência governamental responsável pela repressão e controle de narcóticos. Ainda que não tóxico, que não gere dependência e não seja psicoativo, A DEA categoriza o CBD e todos os outros canabinóides da maconha, como substâncias de Classe I, e portanto são proibidos em território nacional.

Essa divisão entre Hemp e Marijuana é crucial para o sucesso do RSHO® no mundo inteiro. A MJNA afirma oferecer um tratamento “legal nos 50 estados americanos” – inclusive tornou a frase uma espécie de slogan – pelo fato dos produtos serem feitos a partir do cânhamo industrial, como suplementos alimentares e conterem menos de 0,3% de THC. Este é o discurso com o qual tentam burlar a proibição e promover seus produtos, se aproveitando da área cinzenta legal na lei federal americana.

Hemp Oil Hustlers

Apresentando o RSHO como um composto milagroso, proveniente do cânhamo, embalado e confiável, a Medical Marijuana Inc. consegue conquistar até os mais conservadores e preconceituosos. É uma forma agradável de apresentar o produto, sem se veicular diretamente à maconha, livrando-se do peso da proibição e dos estigmas provocados por ela. Aqui no Brasil, grande parte dos que descobriram uma esperança na maconha sequer imaginavam que dessa planta era possível fazer medicamento – na verdade, muitos são preconceituosos, desinformados e contra o uso recreativo da planta.

Dessa forma, o Real Scientific Hemp Oil cai como uma luva para aqueles que são contra ou não buscam vínculo com a maconha. Mas o que estes não sabem, é que exatamente por ser tão industrializado e feito a partir do cânhamo, este óleo não é um medicamento de excelência. Na verdade, a gigante Medicam Marijuana Inc. está começando a sofrer com uma série de suspeitas negativas quanto a qualidade de seus produtos.

Nos EUA, muitas queixas de pacientes surgiram depois de ficarem seriamente doentes por fazerem o tratamento com o RSHO. A Project CBD – uma organização sem fins lucrativos com foco na pesquisa e educação sobre o canabidiol – conduziu uma profunda investigação por mais de seis meses sobre as praticas de negócios de varias empresas que comercializam esses produtos. Para ler o relatório completo, clique aqui. Curiosamente, após a publicação do relatório, a Medical Marijuana Inc. entrou com um processo judicial de U$ 100 milhões contra o laboratório que fez os testes, alegando que teriam produzido falsos resultados com a intenção de prejudicar a empresa.

O que começou com uma investigação sobre um esquema de pirâmide, se transformou e um relatório de 30 páginas, envolvendo testes analíticos de laboratório, visitas em instalações de produção de óleo de maconha e um curso intensivo de dados científicos sobre solventes tóxicos, metais pesados e outros contaminantes. Essa investigação está causando um verdadeiro furor na comunidade canábica americana.

O relatório lança luz sobre as práticas de negócios destas empresas, todas controladas pelo mesmo círculo de empresários, que utilizam técnicas de marketing para conquistar novos revendedores e movimentar suas subsidiárias, gerando cada vez mais lucros. Além disso, o relatório também apresenta toda a história da Medical Marijuana Inc. e como, através de uma série de práticas suspeitas, conquistou o posto de maior produtora e distribuidora de óleo de maconha do planeta.

A Medical Marijuana Inc. emitiu uma resposta para a Project CBD, leia aqui.

Ao enfatizar o CBD não-psicoativo em sua linha de produtos, a Medical Marijuana Inc. foi capaz de demarcar uma posição à frente em um terreno de negócios que está evoluindo rapidamente. Simplesmente o nome de “maconha medicinal” foi suficiente para seduzir diversos investidores que buscavam apenas lucrar com as possibilidades desse novo mercado ainda inexplorado. Já o discurso de medicamento milagroso, “sem vínculos morais” com a maconha, embalado e legalizado, conquistou milhares de pacientes e pais aflitos.

Gigante obscura

A Medical Marijuana Inc. é uma gigante obscura no mercado da maconha.

A Medical Marijuana Inc. é uma gigante obscura no mercado da maconha.

Fundada em 2009 por Bruce Perlowin e Don Steinberg, dois ex-traficantes de maconha, a Medical Marijuana Inc. (MJNA) é na verdade um braço da Hemp Inc., a maior empresa no setor de cânhamo industrial, que produz praticamente tudo a partir do cânhamo, e domina grande parte do mercado. Ela começou como uma empresa chamada Berkshire Collection, identificada pela Security Exchange Commission, como uma das 59 empresas de fachada que operavam à sombra de uma empresa de telecomunicações fraudulenta chamada Blackout Media, cujo mentor Sandy Winick pegou prisão perpétua ao ser sido considerado culpado por dar um golpe de mais de U$ 140 milhões, lesando muitos investidores.

A Medical Marijuana Inc. é uma empresa guarda-chuva, detentora de uma complicada rede de subsidiárias e afiliadas, que incluem a HempMedsPX, Red Dice Holdings, Dixie Botanicals, PhytoSphere Systems, Kannaway, CanChew BioTechnologies, Canpia Holdings, Ace Hydro, KannaLife Sciences, e a Wellness Managed Services. O propósito original dessa rede empresarial tem pouco a ver com a cura de doentes, mas sim em aproveitar-se de oportunidades históricas colocadas de forma exclusiva a fim de conseguir lucro.

A grosso modo, todas essas empresas são na verdade uma só, a Medical Marijuana Inc.. Em 2011, Michael Llamas comprou a maior parte da MJNA em ações, através de outra empresa que controlava, a Hemp Deposit and Distribuition Corporation. Llamas se tornou CEO da MJNA, levantando muitas suspeitas no mercado, pois já tinha uma má reputação por envolvimento com complexas fraudes hipotecárias, vindo a ser indiciado em 2012 justamente por este crime.

A partir dai, a MJNA adotou uma política de redução de danos para limpar sua imagem. Através de uma série de comunicados, informou o mercado que seu ex-CEO havia deixado sua posição para cuidar de “assuntos pessoais alheios aos interesses da empresa”. Mas mesmo afastado da MJNA, Llamas continuou sendo seu acionista majoritário, ou seja, ainda está dando as cartas.

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Práticas comerciais questionáveis são parte do histórico dessas empresas. Os cifrões dos lucros sempre foram o foco, e não a saúde dos pacientes. É preciso entender que essas empresas são gigantescas e trabalham com números, não com pessoas. O que interessa para eles é vender caixas e caixas de produtos, movimentar seus estoques, valorizar suas ações, vender milhares de seringas pelo mundo inteiro, sem dar importância para o paciente.

Exemplo disso é a subsidiária Kannaway, lançada em janeiro de 2014. Trata-se de uma empresa que está reunindo um exército de fanáticos pelo CBD, com pouca ou nenhuma experiência em maconha medicinal, para se tornarem “distribuidores independentes” de produtos MJNA.

 

 

 

Estamos falando de uma dinâmica bastante suspeita, aparentemente um esquema de pirâmide. Ao se inscrever para ser um “distribuidor independente” da Kannaway, o interessado deve comprar algum produto HempMeds, entre pomada de cânhamo rica em CBD, uma caneta vaporizadora ou alimentos ricos em CBD. A empresa está estruturada de tal forma que os seus distribuidores são na verdade incentivados a recrutar mais distribuidores, ao invés de realmente vender algum produto.

Uma vez no programa, o distribuidor ganha comissões por cada um que ele convença a se tornar também um distribuidor e isso segue, de maneira que estes também são incentivados a recrutar mais distribuidores. Quanto mais recrutas, mais o distribuidor sobe no rank interno, até atingir o cobiçado status de “Royal Diamond”. Além disso, todos os distribuidores também tem que pagar uma taxa mensal de U$ 15 ou correm o risco de perder as comissões de meses anteriores.

Esquemas pirâmide fatalmente vão falir, pois é construído em um número cada vez maior de distribuidores. Mas quando isso acontece, os que estão na ponta já fizeram muito dinheiro. No caso da Kannaway, falamos de Stuart Tito, proprietário da General Hemp. Anteriormente, Tito já havia ajudado a levantar capital para a formação da Medical Marijuana Inc., e também financiou a criação de outra empresa chamada CannaVest., que há mais de um ano forneceu óleo de cânhamo usado na linha de produtos ricos em canabidiol da MJNA.

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Em pouco tempo, outro personagem ganhou grande destaque na história dessa gigante. Michael Mona Jr, que era Presidente do Comitê de Gestão da Red Dice Holdings (outra subisidiária da MJNA), deixou seu posto para lançar uma nova empresa chamada CannaVest Corp. Um folheto coorporativo publicado pela CannaVest afirma que “o Sr. Mona trabalhou como consultor para Medical Marijuana Inc. até o início de 2013, quando ele foi nomeado Presidente e CEO da CannaVest Corp”.

CannaVest e Medical Marijuana Inc., são como empresas irmãs e fizeram uma série de jogadas de marketing suspeitas a fim de supervalorizar suas ações. Llamas e Mona bombardearam a imprensa e o mercado com comunicados a respeito da parceria, inclusive apresentando um produto chamado RSHO. Em março de 2013 a MJNA anunciou que estava vendendo sua subsidiária PhytoSphere à CannaVest, mas no final das contas elas continuaram irmãs e trabalhando em conjunto.

Óleo suspeito

Entretanto, dezenas de pacientes relataram terem tido problemas ao fazer uso do RSHO, distribuído pela HempMeds. Vômito, diarreia, dores de cabeça e abdominais foram alguns dos efeitos causados pela ingestão deste óleo.

Uma pedra no sapato da Medical Marijuana Inc. se chama Jason Cranford. Ele é um horticultor, geneticista de genéticas ricas em CBD e dono de um dispensário de maconha medicinal no Colorado. Além de cultivar maconha para pacientes e doar clones de genéticas ricas em CBD para famílias carentes, Cranford fundou uma instituição de caridade sem fins lucrativos, a Flowering Hope Foundation. Ele ganhou notoriedade em 2013, quando desenvolveu uma cepa de maconha rica em CBD chamada Hope Haleigh, que mais tarde se tornou nome de um projeto de lei (Haleigh’s Hope Act) que legalizou cepas ricas em CBD para finalidades de pesquisas na Georgia.

O problema foi quando a KannaLife – outra subsidiária da Medical Marijuana Inc. – para dar uma olhada no maquinário de produção. Preocupados com o marketing agressivo dos produtos comercializados pela empresa, Cranford foi ao Facebook e perguntou se alguém já tinha tido problemas com o Real Scientific Hemp Oil. A primeira pessoa a responder à pergunta foi Brittanny Guerrero, cuja filha sofre de epilepsia, e teve problemas gastrointestinais graves, sendo inclusive hospitalizada, após ingerir o RSHO.

Brittanny também enviou para Cranford alguns dos RSHO que havia adquirido. Ele testou no CannLab em Denver. Os resultados indicaram um nível de THC superior a 0,3%, mas não era a única coisa que Cranford suspeitava que estivesse errado com o óleo. Depois de ouvir reclamações de mais de uma dúzia de famílias, ele decidiu testar uma amostra de RSHO para metais pesados e outras toxinas.

A maioria dos laboratórios de testes em canábis não fazem testes para metais pesados, por isso Cranford enviou as amostras para o Stewart Environmental Consultants, em Fort Collins. Os resultados iniciais pareciam confirmar o que Cranford suspeitava: o RSHO continua altos níveis de vários metais pesados, incluindo npiquel, selênio, molibdênio, arsênico e prata.

Poucos dias depois, o Stewart Environmental Consultants emitiu um segundo relatório, onde contradizia as conclusões anteriores, onde cinco números, todos pertencentes à toxinas e metais pesados, foram alterados de níveis nocivos para níveis seguros.

O laboratório afirmou que seu técnico cometeu um erro na pressa em obter os resultados para Cranford. Mas ao ser solicitado para emitir esta nota oficialmente, o laboratório se recusou. Tão pouco explicou porque emitiu o primeiro resultado “errado”, se haviam outros dois tecnicos na equipe, que poderiam ter feito as analises e correções a qualquer momento.

De qualquer forma, a Medical Marijuana Inc. começou a divulgar o segundo conjunto de resultados de testes, que estão inócuos, juntamente com um comunicado de imprensa, afirmando que um “laboratório top” deu um atestado de pureza ao principal produto da empresa. Outros testes subsequentes, em instalações registradas pelo DEA e FDA, não dariam um certificado de pureza ao RSHO.

***

Interessada na história e reputação de  Mykyla Comstock, a HempMedsPX contatou Brandon Krenzler, pai da menina para que ele experimentasse o  RSHO e compartilhasse algumas amostras com a comunidade canábica de Oregon. Mykayla já fazia uso de óleo de maconha no tratamento contra a leucemia há algum tempo, e Brandon não viu problema em experimentar o novo óleo. Mas assim que Mykayla ingeriu o óleo, começou a reclamar de fortes dores abdominais. Quando ele tentou experimentar o óleo em si mesmo, sentiu os mesmos efeitos negativos. Outros pacientes, para os quais Brandon havia enviado as amostras relataram problemas semelhantes. Brandon ainda teria ligado para Charles Vest, vice-presidente da HempMeds, para reclamar do produto: “Por favor Charles, como ser humano, pare de vender este óleo! Por favor pare! Eu não me importo se você der isso à adultos, se você vender isso como suplemento alimentar… mas pare de dar isso especificamente para as crianças, você está envenenando elas!”.

 

 

Após esse episódio, Brandon enviou duas amostras de RSHO, uma Blue e outra Gold, para a Project CBD, que por sua vez convidou o Dr. Noel Palmer do PhytaTech (laboratório analítico em Denver) para fazer os devidos testes. Além das amostras de Brandon, o Projeto CBD também enviou amostras “Gold” de outros pacientes de Crohn, que também relataram sérios problemas ao ingerir o óleo.

As três amostras Blue testadas estavam limpas, mas as amostras Gold não passaram no teste. Dr. Noel Palmer encontrou níveis significativos de hexano, um solvente industrial altamente tóxico, em ambas as amostras de RSHO Gold. Sintomas de envenenamento por hexano incluem náuseas, vômitos, dores de cabeça, tontura e confusão mental. As concentrações de hexano em excesso de 50 gramas podem ser fatal.

Cromatografias das amostras de RSHO Gold também apresentaram um segundo pico maior, presumivelmente outro solvente clorado, que PhytaTech não foi capaz de identificar devido a limitações do equipamento.

Na tentativa de verificar as descobertas da PhytaTech e identificar a substância misteriosa, o Projeto CBD contatou a Flora Research Laboratories (laboratório registrado no DEA e FDA e localizada em Grants Pass, Oregon), que concordou em examinar as duas amostras de RSHO Gold, estritamente por preocupações com a saúde pública.

James Neal-Kababick, diretor da Flora Research Laboratories, confirmou a presença de níveis significativos de hexano e outros resíduos de solventes na amostra de RSHO Gold de Krenzler. Uma miscelânea de contaminantes foram encontrados neste item, incluindo variantes de pentano, butano, e acetato de etilo. Estes são todos os “solventes classe I, a classe mais perigosa de solventes tóxicos”, explicou Dr. Jahan Marcu, um ciência consultado pelo Projeto CBD.

Em sua análise de laboratório, Dr. Neal-Kababick observou que a primeira amostra ele testou acabou entupindo seu equipamento: “Maior resíduo deixado na agulha e encontrado em tampas de frascos ventilados usados ​​…. Precisei de vários muita água para limpar o sistema de reporte. . . .  Uma parte foi dissolvida pelo excesso de água utilizado. Nunca tive problemas assim antes.”

Qualidade em xeque

De acordo com o relatório da Project CBD, a PhytoSphere, é a peça central nas práticas questionáveis de produção de medicamento a partir do processamento de pasta cânhamo importada. Mas importada de onde?  Não falam, é segredo! Canadá? Alemanha? Europa Oriental? Yunnan, China? Rumores não faltam. O mais provável é que cânhamo industrial seja cultivado na China, para servir de tecido, material de construção, ração animal… e não para um tratamento médico.

Ainda em 2013, Tamar Wise, ex-chefe de ciências da Dixie – outra subsidiária da MJNA – postou em seu Facebook: “Estou cansada das chamadas empresas CBD, alegando que o que eles oferecem é medicina. Qualquer usando produtos de CBD vindos do cânhamo, por favor, esteja ciente de que não está consumindo aquilo que pensa. Estas formulações começam com uma pasta de cânhamo bruto e sujo, contaminado com vida microbiana! Eu já vi isso e estes organismos decompõem a pasta. A pasta talvez ainda contenha solvente residual e outras toxinas, pois a extração é feita em um processo que, na verdade,torna o óleo improprio para consumo humano. O que estas empresas estão fazendo é criminoso e perigoso… Eu não posso ficar quieta mais. E por ter sido eu a formular a maioria destes produtos, como chefe de ciência na Dixie, eu me sinto responsável por espalhar a verdade. Deixei a Dixie por razões éticas, mas não posso simplesmente ir embora. Essas fraudes precisam ser expostas por aquilo que são… vamos manter essa indústria pura e segura.”

Alarmada com o que viu na pasta de cânhamo da MJNA, Wise compartilhou suas preocupações com o Dr. Jeffrey Raber do WERC, de Los Angeles, que testa produtos de maconha medicinal para níveis de canabinóides, mofo e resíduo de pesticidas. Wise suspeita que a Medical Marijuana Inc. extraia sua pasta de CBD do montante de cânhamo industrial que é especialmente tratado com micro-organismos e umidade para dissolver o tecido celular, agilizando assim a remoção da fibra bruta, que é utilizada na produção de têxteis e outros bens.

Estas alegações repercutem até hoje na comunidade canábica americana, e vários ativistas e empresas do setor estão atentos à essa questão. Desde as práticas comerciais duvidosas da empresa, até a qualidade do óleo e preço que é vendido.

O RSHO é muito mais caro do que o óleo de cânhamo, um suplemento nutricional amplamente disponível. Um frasco de 220ml de Nutiva Hempseed, é vendido na Amazon por U$ 9, enquanto um vidrinho de Cibdex Hemp Oil – tintura da Medical Marijuana Inc. produzido pela Dixie e distribuido pela HempMeds também – custa U$ 160; RSHO é bem mais caro, onde uma ampola de 10g pode ultrapassar os U$ 500.

Sendo assim, o que torna os preços de varejo do RSHO serem tão altos? A literatura promocional da HempMeds afirma que o RSHO é um produto derivado de “sementes e caules de cânhamo”. Mas o CBD não pode ser extraído a partir de sementes, apenas de flores e folhas… e em uma proporção muito menos, do caule da planta do cânhamo. Por isso há a necessidade de todo um processo industrial, e o refinamento de milhares de kilos de cânhamo, para que a MJNA atenda a demanda de óleo.

Óleo de Maconha rico em CBD não é o mesmo que óleo de cânhamo, rico em proteínas. A ofuscação dessa nomenclatura é problemática para Eric Steenstra, presidente do Vote Hemp e um dos membros fundadores da Associação da Industria do Cânhamo. “A realidade é que a melhor fonte de CBD são cepas desenvolvidas especialmente para isso, que possuam altas taxas de canabidiol na resina da planta”, afirmou.

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Na etiqueta dos produtos Medical Marijuana Inc. está escrito “óleo descarboxilado”. Esse é um processo pelo qual a pasta de cânhamo industrial passa, para que se torne um composto concentrado em canabidiol. A grosso modo, trata-se de um processo de fervura, no qual a pasta é aquecida para que elimine um grupo carboxilo na forma de dióxido de carbono (CO2). Isso é necessário pois a planta viva possui uma alta taxa de THCA e CBDA, que podem ser transformados em THC e CBD após este processo. Processando o extrato na temperatura certa, pelo tempo certo, é possível produzir concentrados em um ou outro canabinóide. Esse processo é fácil e qualquer pessoa que produza óleo de maconha precisa fazer para que o medicamento tenha efeito. Quando colocado na enbalagem de um produto, com letras garrafais, o termo soa como científico, dando um ar de superioridade ao produto. Mas na verdade, todo óleo de maconha precisa ser descarboxilado.

 

 

Na verdade, a descarboxilação é apenas um processo simples, utilizado em nível industrial, para transformar uma pasta de cânhamo em um óleo rico em CBD – pois não é a forma correta e mais indicada de se obter um extrato rico neste canabinóide. O ideal é cultivar cepas ricas em canabidiol, e produzir um extrato a partir da resida das flores e folhas da planta.

Essa questão industrial também se reflete no próprio conceito do RSHO, pois podemos perceber que trata-se de uma alternativa ambiciosa para lucrar com rapidamente em um mercado inexplorado. Desde a origem da empresa Medical Marijuana Inc., a missão está muito mais para gerar lucros do que ajudar pacientes.

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A equipe da Project CBD foi convidada a visitar as instalações da CannaVest, em San Diego, empresa que trabalha em conjunto com a Medical Marijuana Inc. na produção do RSHO. Foram recebidos pelo Dr. Joshua Hartsel e dois executivos da CannaVest, Chris Boucher e Michael Mona.

Hartsel é especializado em química orgânica medicinal, com doutorado na Virginia Tech, e pós doutorado na Universidade da Califórnia. Após se especializar, ele fundou o Delta-9 Technoogies, um laboratório de testes analíticos que servia a indústria da maconha medicinal da Califórnia. Após fazer alguns testes para a CannaVest em março de 2013, seis meses depois ele foi contratado pela própria CannaVest para montar um laboratório interno e tomar a frente nos processos de produção e refinamento. De acordo com o próprio Dr. Hartsel, a CannaVest não tinha departamento de ciência, nem laboratório próprio antes de sua chegada. Entretanto, a empresa já havia fornecido milhares de litros de óleo de cânhamo rico em CBD para a Medical Marijuana Inc., por muitos meses antes, através de sua subsidiária PhytoSphere.

Segundo Dr. Hartsel, diretor de laboratório da CannaVest, a extração se inicia na Europa e a pasta é enviada aos EUA. Depois que chega ao laboratório, a pasta é aquecida e descarboxilada em grandes panelas de aço inoxidável,  refinada em um processo de destilação a vácuo de dois estágios, resultando em um concentrado de óleo de CBD. Quando a Project CBD visitou a CannaVest, o laboratório não tinha equipamento para testar metais pesados ​​ou micotoxinas derivadas de fungos. Mas Hartsel disse que em breve seria a instalação de tecnologia de ponta, tecnologia de triagem rápida para identificar o DNA de patógenos.

A Project CBD afirma em seu relatório que “não duvida da sinceridade de Hartsel, mas em algum lugar ao longo da linha de produção, parece que um grande erro foi feito, resultando em um lote de RSHO venenoso. A Project CBD não sustenta que este lote é típico de todo o óleo comercializado pela HempMeds. Nós não sabemos a extensão do problema. Tampouco pretendemos saber quem é o responsável final pela contaminado RSHO Gold, quando foi feito ou o que pode ter acontecido com o óleo após CannaVest fornecer o óleo à HempMeds”.

De qualquer forma, independentemente do que os testes de laboratórios mostram, existem problemas inerentes com a extração de canabidiol a partir do caule do cânhamo industrial. A noção de que a CannaVest só extrai CBD do cânhamo industrial já é em si bastante suspeita, tanto pelas relações comerciais da empresa, quanto pela procedencia da pasta e metodologia utilizada no processo.

Mas vamos supor por um momento que a CannaVest seja uma empresa correta e realmente esteja cumprindo os regulamentos federais e deixando de lado as folhas e as flores do cânhamo, aproveitando só o caule. Por conta do pouco CBD que pode ser extraído, uma enorme quantidade de matéria vegetal seria necessária para extração de óleo suficiente para atender a demanda da empresa.

Além disso, o cânhamo é um bio acumulador que suga os contaminantes do solo. Uma vez no solo, os metais pesados são muito difíceis de remover. Microtoxinas derivadas de fungos que resistem à decomposição são outra preocupação. “Quanto mais material vegetal você concentrar, maiores são as chances de concentrar contaminantes nele”, explicou o Dr. John McPartland à Project CBD. A CannaVest diz que processa 700 mil toneladas de cânhamo industrial por ano e transforma em 150 mil kilos de óleo concentrado. Sendo assim, este óleo rico em CBD tem grandes possibilidades de ter metais pesados, micro toxinas ou outros venenos concentrados também.

Aparentemente, a CannaVest está tentando se separar da Medical Marijuana Inc, após uma série de desentendimentos comerciais, o que pode significar que a Medical Marijuana Inc tenha que procurar outra fonte de óleo rico em CBD para continuar operando. Entretanto, a própria CannaVest admite que a extração de CBD a partir do cânhamo industrial não é ideal, preferem extrair de cepas ricas em CBD, e que esperam poder fazer isso quando as leis mudarem.

Cultivo Medicinal

Após tanta agitação, é provável que uma empresa do tamanho da Medical Marijuana Inc. já tenha tomado as providencias necessárias para se regularizar quanto à qualidade do óleo fornecido, mas isso não apagaria seu histórico obscuro e suas práticas comerciais suspeitas. Além disso, vale lembrar que estamos falando de um óleo industrializado: o suco da fruta sempre é melhor que o de pozinho.

Empresas sérias do ramo da maconha medicinal, com princípios e preocupadas com a saúde de seus pacientes, costumam fazer um acompanhamento com estes pacientes, afim de verificar as melhoras na saúde e eficácia do medicamento. Essas empresas geralmente produzem medicação à partir da Marijuana, utilizando a resina de plantas ricas em canabidiol, desenvolvidas muitas vezes por estas próprias empresas. Porém, elas só podem atuar nos estados onde a maconha é regulamentada, limitando a área de atuação e deixando milhares de pacientes à mercê do óleo duvidoso da HempMeds.

Acreditamos que o cânhamo industrial não é uma fonte ideal de CBD, mas pode ser uma fonte viável se as linhagens corretas forem cultivadas organicamente, em bom solo, com extração e métodos seguros de refinamento. A produção de extratos ricos em CBD deve ser feita a partir de fontes naturais abundantes neste canabinoide, como linhagens de maconha (Marijuana), com altas taxas de CBD e pouco THC, desenvolvidas especialmente para essa finalidade.

O desespero e urgência dos mais desinformados, não pode servir de ponte para que uma empresa como a Medical Marijuana Inc. adentre nosso país, ainda proibicionista e extremamente preconceituoso, suportada por seus distribuidores independentes, e tire proveito do caos que vivemos com por conta da proibição. Aos que precisam do medicamento, cabe se aprofundar no tema, buscando sempre a alternativa mais saudável e confiável.

Reivindicar o direito de cultivar o próprio medicamento é a melhor forma de garantir um tratamento de qualidade para todos aqueles que mais precisam. Por hora, a importação ainda é necessária e por isso deve ser feita com toda atenção e cuidado, de empresas sérias e sinceramente comprometidas com a saúde dos pacientes. Que se flexibilize sim a importação, mas que também seja dado ao paciente o direito de cultivar seu próprio remédio. Somente com alternativas de cultivo é que poderemos avançar de verdade na questão da maconha medicinal.

via Project CBD

Maconha não diminui notas nem QI de jovens, diz estudo

Uso de maconha de forma moderada não afeta o desempenho intelectual ou educacional de adolescentes

a nova pesquisa garante que – ao contrário do que já foi dito em pesquisas anteriores – o uso de maconha de forma moderada não afeta o desempenho intelectual ou educacional de adolescentes. As informações são do The Independent.

Segundo a publicação, o estudo foi feito pelo Instituto Avon de Estudos Longitudinais entre Pais e Filhos e apresentado no congresso anual do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia (ECNP), em Berlim, no início desta semana. A conclusão da pesquisa é de que o uso da droga não causa piores resultados em exames acadêmicos e nem mesmo diminui o QI dos usuários.

A pesquisa foi feita com 2.612 crianças, que foram submetidas a testes de QI com oito anos de idade e, novamente, quando tinham 15 anos. Em ambas as idades, eles responderam também a uma pesquisa sobre o uso de maconha.

De acordo com os resultados da pesquisa, o uso de maconha não pode ser declarado como um fator predominante para que os adolescentes tenham dificuldades acadêmicas. “Isso pode sugerir que os resultados anteriores, que mostram um menor desempenho cognitivo em usuários de maconha, podem ter considerado o estilo de vida, o comportamento, a história pessoal, mais do que o próprio uso da maconha em si”, disse o chefe da pesquisa, Claire Mokrysz, que também leciona na Universidade de Londres.

Com isso, a educação passa por um momento de reflexão: as crianças que usam a dorga e vão mal na escola vão mal porque estão fumando maconha, ou eles fumam maconha porque estão indo mal na escola?. Este último estudo sugere que dizer que a maconha é sempre o problema, pode ser uma análise simples e superficial de algo mais complexo.

via Terra

 

No papel, MACONHA – por que no vaso não? (2014)

A legalização medicinal envolve, primordialmente, o cultivo caseiro.

Nos últimos tempos, muito tem sido falado a respeito do canabidiol (CBD) e de como o óleo de maconha é fundamental no tratamento de crianças com epilepsia. Porém a maconha medicinal não se restringe apenas à pacientes infantis, muito pelo contrario. A grande maioria dos pacientes que necessitam da maconha como medicamento são adultos, detentores das mais diferentes condições medicas, de ansiedade ao câncer.

A grande mídia tem dado uma atenção especial à questão do óleo importado, mas existem soluções muito mais baratas e práticas, como o cultivo caseiro. E é pensando nisso que os rapazes do coletivo Prensa 420 produziram um excelente documentário sobre o uso medicinal da maconha e a necessidade do cultivo caseiro.

Gilberto Castro tem 41 anos. Usa maconha para aliviar os sintomas da esclerose múltipla. Com a receita médica, ele busca o direito para importar o remédio Sativex, ilegal no Brasil e liberado só em 11 países. Mas o remédio é caro e ele quer mais. E por que não cultivar sua própria erva? É essa a questão do mini-doc gravado em uma tarde de setembro de 2014.

Dê o play e assista ao documentário.

 

Produção Coletivo Prensa420