Maconha é 114 vezes mais segura que álcool, afirma estudo

Um estudo científico comparou os efeitos de sete drogas recreativas nos seres humanos e concluiu que a maconha é a menos mortal delas. O álcool foi considerado a mais mortal, seguido por heroína, cocaína, tabaco, ecstasy, metanfetaminas e, finalmente, maconha.

Os pesquisadores afirmam que o álcool é 114 vezes mais mortal que a maconha. Para chegar a essa conclusão, eles compararam a dose usualmente consumida de cada droga com a dose considerada fatal.

A conclusão foi que consumidores de maconha ficam, normalmente, muito distantes da dose que seria mortal para eles. Por isso, a maconha foi a única das sete drogas classificada como tendo “baixo risco de mortalidade”. As demais foram distribuídas nas categorias de médio e alto risco.

Essas conclusões devem ser vistas com muita cautela. Os pesquisadores não avaliaram outros danos causados pelas drogas aos consumidores. Eles se concentraram apenas no risco de overdose.

Eles também não avaliaram riscos colaterais, como a transmissão de doenças no uso de drogas injetadas com agulhas compartilhadas.

Evidências práticas mostram que o consumo moderado de álcool, por exemplo, é razoavelmente seguro, enquanto o uso regular de heroína pode ser devastador. E os autores da pesquisa não negam isso.

Eles só dizem que, na média, quem bebe tende a chegar mais perto da dose mortal do que quem usa heroína.

O estudo foi publicado na revista Scientific Reports. Traz a assinatura de Dirk Lachenmeier, PhD em química de alimentos e toxicologia da universidade alemã de Karlsruhe; e Jürgen Rehm, diretor do Centro de Saúde Mental e Vícios de Toronto, no Canadá.

via Exame

Maconha pode ser tratamento contra Apnéia do Sono

Novo estudo indica que o THC pode ser a solução para Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono.

Para quem não conhece, a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), ou simplesmente Apneia do Sono, é uma síndrome que causa uma interrupção completa do fluxo de ar através do nariz ou da boca por um período de pelo menos dez segundos e, por hipopneia, uma redução de 30% a 50% desse fluxo.

Os sintomas mais comuns são ronco, episódios visíveis de interrupção da respiração e sono excessivo durante o dia. O ronco pode ser excessivamente alto e interferir com o sono dos outros. Portadores de sintomas mais graves costumam acordar com sensação de sufocamento, refluxo esofágico, boca seca, espasmo da laringe e vontade de urinar.

O distúrbio ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo. Para ser mais exato, durante as crises, ela para de roncar por causa do bloqueio da passagem de ar pela faringe. A repetição dos episódios de apnéia tem como consequência a menor oxigenação do sangue, o que pode resultar em danos ao organismo.

Pois bem, um estudo publicado esta semana pela revista PLoS One, também publicado online pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA, descobriu que a maconha pode ser uma opção de tratamento contra a SAOS.

Para a realização do estudo, pesquisadores da Universidade de Illinois usaram ratos com uma forma de apnéia do sono e injetaram neles antagonistas de receptores canabinóides (que imita o efeito dos canabinóides), bem como THC.

De acordo com os investigadores, “Estes resultados ressaltam o potencial terapêutico do Dronabinol (THC sintético) no tratamento da SAOS, que implicam na participação de ambos os receptores de canabinóides no efeito do Dronabinol para a eliminação da apnéia.”. Segundo os pesquisadores, 9% dos americanos possuem essa síndrome, e esse número tende a crescer.

Os resultados deste estudo, refletem os resultados de um outro estudo publicado em outubro no Respiratory Physiology & Neurobiology, que concluiu: “Estes resultados sublinham um grande potencial terapêutico do Dronabinol para o tratamento da apnéia obstrutiva do sono.”

Certamente, a utilização da maconha com níveis balanceados de THC deve ser tão eficaz ou mais que o Dronabinol no combate a SAOS, já que na maconha in natura é completa e possui outros canabinóides, oferecendo um efeito comitiva completo e beneficiando o corpo.

 

A história do uso cultural e espiritual da canábis

TOPSHOTS An Indian Hindu man dressed as Lord Shiva hold an 'ajgar' - snake - as he takes part in a religious procession on the eve of the Maha Shivratri festival in Jalandhar on March 9, 2013. Hindus mark the Maha Shivratri festival by offering special prayers and fasting to worship Lord Shiva, the lord of destruction. AFP PHOTO/SHAMMI MEHRA

shiva“Eu sou Jeová teu Deus, eis que te dou toda a planta que há sobre a terra, e que dá semente nela mesma, para que fazeis bom uso dela.” – Gênesis.

A prova da ingestão da Cannabis sativa mais antiga que se têm são as fezes fossilizadas de um membro de nossa espécie que contêm claramente vestígios de pólen de Cannabis. Este cropólito foi achado às margens do lago Baikal, localizado na Ásia Central, e datado em 10 mil anos.

É provável que a Cannabis tenha sido uma das primeiras plantas a serem domesticadas pelo homem há 20 mil anos – vários e fortes indícios levam a essa conclusão. Há 15 mil anos, acredita-se, a planta já era usada para a confecção de tecidos, cordas, fios, etc., no entanto, não se sabe se era já inalada ou ingerida deliberadamente com a intenção de alterar a consciência, em todo caso, há provas definitivas do uso cultural da Cannabis há 6.500 anos naquela que é considerada a mais antiga cultura neolítica da China chamada Yang Chao. Nessa cultura, as fibras da planta eram usadas na confecção de roupas, redes de pesca e caça, cordas, etc., sendo que as sementes eram usadas na alimentação na forma de farinha, bolos, pudins e outras preparações.

O livro de medicina mais antigo que se conhece, o Pên-Ts’ao Ching, remonta há 4 mil anos e fala do uso mágico das inflorescências femininas da planta: ” Se tomada em excesso produzirá a visão de demônios. Se tomada durante muito tempo ilumina seu corpo e o faz ver espíritos.”

Há 3.500 anos, o Atharva veda, livro sagrado dos Hindus, também se referia à Cannabis na forma de Bhang, preparação esta que incluía a resina da planta misturada com manteiga e açúcar. O Bhang era usado para “libertar da aflição” e para “alívio da ansiedade”. Ainda hoje o Bhang é consumido livremente em algumas partes da Índia pelos recém-casados na noite de sua Lua-de-mel, como afrodisíaco. A religião hinduísta acredita que a Cannabis é um presente dos Deuses. De fato, diz-se que a planta teve origem quando Shiva (uma das personalidades de Deus na tríade dessa religião), chegando a um banquete preparado por sua esposa Parvati, saliva ao ver tantas delícias e de sua saliva surge a planta abençoada.

Os Shaivas, devotos de Shiva, fumam continuamente a ganja (a planta feminina) com o charas (a resina das flores) para meditarem e se elevarem espiritualmente. Eles consideram que o chilum – o cachimbo onde a planta é fumada- é o corpo de Shiva, o charas é a mente de Shiva, a fumaça resultante da combustão da planta é a divina influência do Deus e o efeito desta, sua misericórdia.

 

shiva2Os Citas também faziam uso mágico-religioso da Cannabis. Esta era privilégio dos nobres que se reuniam para consumí-la em tendas especialmente construídas para esse fim. Essas tendas eram montadas sobre as areias do deserto e um grande buraco era aberto onde se queimavam toras de madeiras aromáticas. Quando estas estavam em brasa, três ou quatro pés da planta eram jogados inteiros no buraco que era então coberto com uma tampa feita de pele de carneiro, exceto por uma abertura em torno da qual os participantes se reuniam para gozarem dos vapores que se elevavam. Isso há 2.800 anos.

Os Assírios conheciam a planta a qual chamavam Kunubu ou Kunnapu, que veio dar no latim Cannabis. A planta era cultivada pelo rei, que a distribuía diariamente, junto com um litro e meio de cerveja, para todos os cidadãos, num claro exemplo de uso hedonístico, não anômico. As qualidades medicinais da planta estão descritas em escrita cuneiforme num dos livros mais antigos da humanidade e que fazia parte da Biblioteca de Assubarnipal há 2.700 anos. Este livro pode ser visto hoje no British Museum em Londres.

Entre os gregos, a Cannabis na forma de haxixe, era ingerida junto com ópio na célebre preparação descrita por Homero – chamada Nephenthes, que aliviava as dores, angústias e preocupações.

Devido à proibição do Corão ao uso do álcool, desde sempre o haxixe e a Cannabis têm sido o embriagante preferido dos povos islâmicos. Sendo considerada pura, a planta é passível de ser usada pelos crentes. A célebre seita dos haxixin, liderada pelo afamado Ai-Hassan lbn- Ai Sabbah, o velho da montanha, fazia uso da planta. Seu líder levava os membros a um recinto onde estes fumavam haxixe em meio a um lauto banquete servido por jovens e belas mulheres que lhes atendiam em todos os seus desejos. Após isto, o Velho da Montanha lhes dizia que assim gozariam do paraíso de Allah caso cometessem assassinatos políticos que favorecessem a seita. A palavra assassino tem origem a partir deste episódio, já que os membros da seita eram chamados de haxixin. É certo que os cruzados que os combateram aprenderam destes o uso do haxixe, levando-o consigo de volta à Europa.

Com a islamização do norte da África, a planta se espalha rapidamente por este continente e breve não só os povos islamizados dela fazem uso entusiástico como também as tribos animistas do resto da África.

Um rei africano apresentado à erva, converte-se a seu culto e a tribo passa a se chamar Bena Riamba – ” os irmãos da Cannabis”. Todo dia ao pôr-do-sol, os membros desta tribo se reúnem em roda no pátio central da aldeia para fumar a planta. Antes de passar o cachimbo, olham-se nos olhos dizendo: “Paz irmão da Cannabis”. Representantes desta tribo são até hoje encontrados na costa sul de Moçambique.

 

Mother_of_the_World_1Assim como os Bena Riamba, muitas outras tribos se convertem ao uso da planta, incorporando-a em destaque no seu panteão. A palavra maconha, vem de Ma Konia, Mãe Divina, num dialeto da costa ocidental africana.

Apesar de saber que as caravelas portuguesas tinham seu velame e cordame feitos da fibra do cânhamo (Cannabis sativa), acredita-se que a Cannabis tenha sido introduzida no Brasil pelos negros escravos que para cá foram trazidos. Os nomes pelos quais a planta é conhecida aqui indicam tal fato, já que são todos nomes de origem africana- fumo d’angola, Gongo, Cagonha, Marigonga, Maruamba, Diamba, Liamba, Riamba e Pango. Este último vem do sânscrito Bhang, através do árabe Pang, até o africanismo pango.

De toda forma, a planta esteve desde o início associada à população de origem africana, sendo que a ampliação de seu uso, atingindo também aqueles de origem européia, era considerada por autores como Rodriques Dória como: ” uma vingança da raça dominada contra o dominador”.

Os cultos afro-brasileiros sempre utilizaram a Cannabis. Já no século XVIII, os relatos sobre os calundus- reunião de negros ao som de tambores- indicavam a presença da planta, que era inalada pelos participantes, deixando-os “absortos e fora de si”. Até a década de 30 do século XX, quando são legalizados os Candomblés e Xangôs, a Cannabis era constantemente apreendida nos terreiros junto com os objetos de culto. A Cannabis é considerada planta Exú, sendo consagrada a esta divindade.

Em 1830, a legislação do município do Rio de Janeiro punia o uso do “pito de pango”, como era conhecida a Cannabis, com pena de multa de 5 mil réis ou dois dias de detenção; esta foi nossa primeira lei a respeito da planta.

Nas décadas de 20 e 30 deste século, são produzidos os primeiros trabalhos científicos brasileiros a cerca do hábito de fumar maconha. Apesar de seus autores serem em sua quase totalidade médicos preocupados em justificar a proibição da planta, estes tinham um olhar etnográfico sensível, descrevendo com minúcias os rituais do “clube de diambistas, nome dado à associação de indivíduos com o intuito de fumar Diamba.. Os diambistas eram, preferencialmente, membros dos estratos mais baixos da população brasileira, em especial pescadores que se reuniam para fumar a erva cantando loas a esta. São dessa época os famosos versos: ” Diamba, sarabamba, quando fumo diamba, fico com as pernas bambas. Fica sinhô? dizô, dizô”. Termos utilizados pelos diambistas. como “fino”, “morra” e “marica” entre outros, são até hoje parte da gíria própria dos usuários.

A distribuição geográfica do consumo da Cannabis na época incluía Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Maranhão e Bahia. Daí, pouco a pouco o hábito se espalha e a partir da década de 60, com a contra-cultura, passa a atingir outros estratos sociais. Atualmente, seu uso é amplamente disseminado entre as camadas médias urbanas.

Também os povos do novo mundo não ficaram imunes à Cannabis. Hoje em dia no Brasil, os Mura, os Sateré-Mawé e os Guajajaras fazem uso tradicional da erva. Os Guajajaras tem a planta em alta estima e sua presença na mitologia do grupo atesta à antiguidade de seu uso, que remeteria à segunda metade do século XVII. A planta é consumida no contexto xamânico, junto com o tabaco, para propiciar o transporte místico do pajé e na divinação. No contexto profano, a erva é inalada em grupo antes de trabalhos pesados nos multirões para dar disposição- indicando que a chamada síndrome amotivacional, associada à Cannabis- possa ser um fenômeno antes cultural do que uma decorrência dos seus princípios ativos. Os dados jamaicanos parecem confirmar essa tese, uma vez que nesse país a Cannabis é amplamente fumada por trabalhadores rurais como estimulante antes de trabalhos pesadoes e extenuantes.

Outros nativos das Américas também usam a Cannabis, entre os quais estão os índios Cuna do Panamá, que já possuíam escrita antes da chegada dos europeus, os índios Cora do México, e outros. Segundo uma comunicação pessoal do arqueólogo chileno Manuel Arroyo foram encontradas pinturas ruprestes naquele país, próximas a fronteira com a Argentina, feitas com tintas cujos pigmentos indicavam a presença de thc e que foram datadas em 12.000 anos. Isto sugere não só uma presença pré-colombiana da planta no continente, como também um uso mágico-religioso da mesma, aventando a hipótese de uma inspiração cannábica de uma determinada tradição artística indígena.

 

lotenHoje em dia existem religiões organizadas onde observa-se o uso da cannabis. Para os Rastafari da Jamaica, a planta é Kaya, a energia feminina de Deus. Seu uso diário naquilo que é chamado “Irie meditation”, a meditação da energia positiva, é justificado pelas seguintes passagens da Bíblia, no Gênesis:” Eu sou Jeová teu Deus, eis que te dou toda a planta que há sobre a terra, e que dá semente nela mesma, para que fazeis bom uso dela” e no livro das revelações, o Apocalipse, quando descreve o paraíso:” vi também a árvore da vida, cujas folhas são a cura das nações”.

Para a doutrina do Santo Daime, a planta é sagrada e identificada com Santa Maria, a mãe de Jesus (hoje não é mais assim devido a inquisição farmacológica e institucional, a dominação ideológica anti-natureza e há abusos que não cabe aqui tratar). Para consagrá-la, é necessário aderir a um uso cultural diferenciado, sendo a planta consumida exclusivamente durante os rituais, em silêncio, com o pito, a denominação nativa para baseado, passado sempre no sentido anti-horário, isto é, da direita para a esquerda.

Devido à longa história de associação entre nossa espécie e a Cannabis, esta apresenta um grande polimorfismo decorrente de inúmeras hibridizações levadas a cabo com a intenção de desenvolver plantas com qualidades desejadas. Sendo a planta dióica, ou seja, possuindo os sexos separados em duas plantas – uma macho e a fêmea, o gênero cannabis compreende três espécies distintas: sativa, indica e ruderalis. O famoso “Skunk”, híbrido, aparecido recentemente e já famoso, nada mais é do que o cruzamento de três diferentes linhagens- plantas afegãs indicas, plantas tailandesas indicas e por fim plantas mexicanas sativas. Estas plantas foram cross polinizadas dando origem a um cultivar que apresenta as seguintes características: necessita de pouca luz, matura depressa e produz resina abundante com um alto teor de THC.

Ao contrário do que se pensa, o princípio ativo da Cannabis não é um alcalóide, já que não apresenta nenhuma base nitrogenada, sendo antes um lipóide solúvel complexo, composto por vários isômeros de tetrahidrocanabinóis, cujo principal responsável pelos efeitos da planta é o 3-4-transtetrahidrocanabinol.

Sabia-se desde 1988 que nosso cérebro apresentava receptores autônomos para o THC, mas somente em 1994, com a descoberta da Anadenamida por Devane que se compreendeu pela primeira vez em detalhe o mecanismo de ação do princípio ativo da Cannabis. A anadenamida, palavra que vem do sânscrito Ananda, que quer dizer felicidade, revelou-se ser um neurotransmissor autônomo presente naturalmente no nosso cérebro regulando seu funcionamento e agindo como analgésico em momentos de stress do organismo. O THC, apresentando uma estrutura química semelhante à Anadenamida, encaixa antes dessa no neurorecptor, desencandeando a gama de efeitos típicos da planta.

Logicamente os efeitos da Cannabis não podem ser creditados exclusivamente às substâncias químicas que esta contém, sendo o resultado da interação de múltiplos fatores como biológicos- o peso corporal do indivíduo e sua condição física; os psicológicos- suas motivações e atitudes, personalidade, humor e lembrança de experiências passadas; efinalmente os sociais e culturais- a natureza do grupo de usuários e sua perfomance ritual, o sistema simbólico compartilhado, a expectativa do conteúdo visionário e os adjuntos não verbais, como músicas, incensos, etc., assim como o sistema de crenças e valores dos consumidores.

 

bruxRecentes estudos sobre o mecanismo da atuação do THC nos sítios neuroreceptores do cérebro demonstraram a impossibilidade de adição química à substância devido a certas características de sua metabolização, sendo, portanto, uma substância “não viciante” no sentido clássico da palavra. Muitos mitos em relação à planta têm caído por terra ultimamente, á medida em que estudos com maior seriedade científica começam a ser divulgados. Recentemente a OMS (organização mundial de saúde) realizou uma pesquisa na qual chegou à conclusão que o uso recreacional da maconha traz menos malefícios à saúde pública do que o álcool e o tabaco. O valor terapêutico da planta, desde milênios conhecido da humanidade e desde já algumas décadas reconhecido pela comunidade científica, começa agora a sensibilizar os governos de alguns países como a Inglaterra e alguns estados americanos como a Califórnia, Oregon, Arizona e outros, que liberaram o uso medicinal da Cannabis.

A legislação brasileira em relação à Cannabis necessita, em face do exposto, ser repensada. Antes de mais nada, a luta pela legalização é uma luta pela ampliação das liberdades individuais. O código penal brasileiro não prevê pena para crime de auto-lesão, é por isso que o suicídio(ou sua tentativa) é inimputável. Ora, uma vez que o fumante de maconha em última análise só está fazendo mal a si mesmo, é uma contradição, pois, que seja punido por seu ato. A repressão ao consumo da Cannabis no Brasil esteve ligada, em seus primórdios, à tentativa de suprimir os elementos africanos da religiosidade popular, sendo então sua proibição historicamente ligada à tentativa de cercear a liberdade religiosa. A perseguição implacável da Polícia Federal aos Guajajaras e as periódicas batidas nas aldeias são uma afronta à liberdade de auto-afirmação étnica deste grupo indígena. A negação por parte do nosso governo do uso medicinal da Cannabis é um atentado a saúde pública, impossibilitando a cura e o alívio de muitos, que vêem sabotada a sua liberdade de viver.

A ameaça velada de enquadramento por apologia a todos aqueles que, em alguns casos, só pronunciam a palavra proibida-“maconha” é um entrave a uma das liberdades mais fundamentais- a liberdade de expressão.

Por último, mas não menos pior, a proibição do uso recreacional da maconha é uma herança sombria da tradição judaico-cristã. que penaliza o prazer, implicando numa restrição a liberdade do gozo, da fruição dionisíaca, do lazer em suma.

Pedro Fernandes Leite da Luz
Ph.D. em Antropologia – UFSC

via Pistas do Caminho

Legalização da maconha medicinal não afeta a taxa de usuários adolescentes

De acordo com um novo estudo, mais uma teoria proibicionista pode ser contestada, provando que a regulamentação é a melhor alternativa.

A aprovação de leis estaduais que legalizam a posse e comercio de maconha recomendada pelos médicos aos pacientes, não levou a um aumento do uso da planta entre os adolescentes, de acordo com uma pesquisa publicada pelo National Bureau of Economic Research – uma organização de pesquisa apartidária sediada em Cambridge, Massachusetts.

Pesquisadores das Universidade do Colorado, Oregon e Montana, avaliaram dados federais sobre o uso da maconha entre os jovens e os episódios de tratamento para os anos de 1993 à 2011 – um período de tempo em que 16 estados autorizaram o uso da maconha medicinal.

Os autores relataram:

” Nossos resultados não são consistentes com a hipótese de que a legalização da maconha medicinal causa um aumento do uso entre estudantes do ensino médio. De fato, as estimativas de nossa especificação preferida são pequenas, consistentemente negativa, e nunca são estatisticamente distinguível do zero”.

Uma análise publicada em abril pelo Journal of Adolescent Health, determinava a mesma coisa, ” Este estudo não encontrou um aumento do uso de maconha na adolescência relacionado com a legalização da maconha medicinal. Isso sugere que as preocupações com relação a influencia que a legalização da maconha medicinal tem sobre o uso adolescente, pode ter sido um exagero”.

Estudo explica como a maconha cura o câncer

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Novo estudo britânico revela o mecanismo por trás dos efeitos anticancerígenos da maconha. 

Os cientistas já sabem há muito tempo que compostos derivados da maconha possuem algumas propriedades que combatem o câncer, mas uma descoberta recente demonstra exatamente como um desses compostos pode combater tumores.

Publicada no “Journal of Biological Chemistry”, a pesquisa revela duas “plataformas sinalizadoras” até então desconhecidas em células que permitem que o THC, o ingrediente psicoativo da cânabis conhecido por produzir a sensação de estar “chapado”, encolha alguns tumores cancerosos.

“O THC, o principal componente ativo da maconha, possui propriedades anticancerígenas”, disse em comunicado o Dr. Peter McCormick, pesquisador da University of East Anglia, na Inglaterra, e co-autor do estudo. “Sabe-se que esse composto atua através de uma família específica de receptores celulares chamados receptores canabinoides. Mas não estava claro qual desses receptores era responsável pelo efeito do THC de reduzir o tamanho de tumores.”

Quando os pesquisadores aplicaram THC a tumores induzidos em camundongos usando células de câncer de mama humano, a interação entre dois receptores celulares canabinoides, o CB2 e o GPR55, foi responsável pelos benefícios antitumorosos do THC.

“Nossas descobertas ajudaram a explicar alguns dos efeitos amplamente conhecidos mas ainda pouco compreendidos do THC, em doses baixas e altas, sobre o crescimento de tumores”, acrescentou McCormick. Em e-mail enviado ao Huffington Post, ele destacou que a dosagem de THC é crucial para os resultados, já que o protocolo errado pode ocasionalmente aumentar o crescimento de tumores.

“Assim, o ideal seria ou o THC purificado aplicado em dose eficaz, fornecida por um provedor de serviços médicos, para reduzir os efeitos colaterais cognitivos já conhecidos e ainda assim promover a redução apropriada no crescimento dos tumores, ou um homólogo sintético que exercesse os mesmos efeitos”, disse o cientista. Ele acrescentou que a equipe de pesquisadores não examinou todos os tumores e que alguns tipos podem não reagir a esse tratamento, se não tiverem os receptores compatíveis expressos.

O sistema endocanabinoide (EC) é uma rede de comunicações no cérebro e corpo que está envolvido em uma série de processos fisiológicos que afetam as sensações, as habilidades motoras e a memória das pessoas. O sistema EC reage aos endocanabinoides de ocorrência natural no corpo e também aos canabinoides encontrados na maconha, como o THC. E cientistas descobriram que o receptor CB2, especificamente, é sensível às propriedades terapêuticas dos compostos baseados na maconha.

Não é a primeira vez que cientistas constatam que a maconha pode ser útil no combate ao câncer. Estudos anteriores descobriram que o THC reduz pela metade o crescimento de tumores no câncer pulmonar e impede o câncer de espalhar-se pelo corpo. Já foi demonstrado também que o THC induz a morte de células de câncer cerebral.

Mas o THC é apenas um entre os muitos canabinoides encontrados na maconha. Outros, como o CBD, um composto químico não tóxico e não psicoativo encontrado na planta cânabis, também se mostram promissores no combate ao câncer. Pesquisadores na Califórnia descobriram que o CBD pode sustar a metástase emmuitos tipos de câncer agressivo.

Uma equipe de cientistas no Reino Unido descobriu que seis canabinoides purificados diferentes – o CBD (canabidiol), CBDA (ácido canabidiólico), CBG (canabigerol), CBGA (ácido canabigerólico), CBGV (canabigevarina) e CBGVA (ácido canabigevárico) – apresentam uma grande gama de qualidades terapêuticas que “miram e desligam” caminhos que permitem o crescimento dos cânceres.

Vários estudos realizados nos últimos anos demonstraram o potencial médico da maconha, para outras finalidades além do tratamento do câncer. Formas purificadas de cânabis foram vinculadas a melhor controle glicêmico e podem ajudar a reduzir o alastramento do HIV. A legalização da planta para fins médicos pode até levar àqueda dos índices de suicídio.

Hoje o governo federal dos EUA classifica a planta como uma das substâncias “mais perigosas”, ao lado da heroína e do LSD, “sem qualquer utilização médica aceita atualmente”.

McCormack disse ao HuffPost que os pesquisadores estão se aproximando da realização de ensaios clínicos, mas que ainda levará pelo menos cinco anos para que eles comecem.

via BrasilPostMedical News TodayJournal of Biological Chemistry

Efeito Comitiva dos canabinóides

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O poder medicinal da maconha não está em apenas um ou outro canabinóide, mas sim em uma ação conjunta entre todos os seus componentes. Compreender os efeitos da ação dos canabinóides é o principal caminho para desfrutar da versatilidade dessa planta, que vem se mostrando a melhor opção medicinal para inúmeros tratamentos.

Por muitos anos o delta-9-tetrahidrocanabinol, o famoso THC, foi o canabinóide mais popular e amplamente pesquisado pela ciência. Isso se deve ao fato de ser o mais abundante e principal responsável pelos efeitos psicoativos causados pela planta. Até pouco tempo atrás, quase não se falava sobre outros componentes da maconha.

No entanto, hoje em dia parece que o canabidiol (CBD) tem chamado muito mais atenção. O canabidiol é o segundo canabinóide mais abundante na planta da maconha e apesar de ter muitas propriedades medicinais, inclusive anticancerígenas, ele se destaca por não ser psicoativo. Na verdade ele também é responsável por balancear os efeitos psicoativos do THC. Devido à sua capacidade de fornecer alívio terapêutico para crianças e adultos que sofrem de distúrbios epilépticos, o CBD vem ganhando cada vez mais destaque no debate sobre a maconha medicinal. Isso acontece simultaneamente em vários países, inclusive no Brasil.

Por aqui, graças à nossa sociedade desinformada e conservadora, bastou alguns canais de comunicação abordarem o CBD como tratamento não psicoativo para a epilepsia, e logo o composto caiu nas graças de todos, até dos mais desconfiados sobre o tema. Isso porque a abordagem midiática do CBD foi feita de forma individualizada, preconceituosa e desinformada. A grande mídia busca segregar o CBD (em forma de óleo), na intenção de fazer as pessoas pensarem que o canabidiol é algo alheio à maconha, não psicoativo e moralmente permitido. A intenção é muito clara: separar o CBD da maconha e continuar a recriminar o THC, sem esclarecer sobre os outros canabinóides, para manter a proibição da maconha. Esta divisão entre psicoativo/imoral e não-psicoativo/permitido, colabora para a manutenção do preconceito contra o usuário recreativo, além de prejudicar milhares de pacientes que necessitam de outros canabinóides além do canabidiol.

E não é só aqui que acontece isso. Alguns estados americando querem aprovar “leis do CBD” para o uso medicinal do canabinóide como um composto isolado e isso é gravíssimo. Devemos questionar e combater esse tipo de política, afim de melhorar o debate e buscar alernativas mais compatíveis com a versatilidade da maconha.

Por conta dessa divisão inventada pela mídia, muitos leigos podem enxergar o CBD e o THC como competidores, mas não são. A realidade é que ambos os compostos, juntamente com dezenas de outros canabinóides, desempenham um papel importantíssimo na prestação dos benefícios terapêuticos associados ao tratamento com a planta. Os efeitos medicinais são muito melhores quando os canabinóides trabalham em conjunto. É exatamente esse trabalho em equipe, entre canabinóides e mais de 400 outros compostos adicionais (terpenos, flavonóides, etc), que dão versatilidade a maconha e a tornam a melhor opção de tratamento para uma grande variedade de doenças.

A maconha é composta por dezenas de canabinóides medicinais. Dar atenção para um deles e ignorar todos os outros é um completo desperdício e uma injustiça.

A maconha é composta por dezenas de canabinóides medicinais. Dar atenção para um deles e ignorar todos os outros é um completo desperdício e uma injustiça.

Quanto mais canabinóides melhor

Um pessoa bem informada sobre maconha provavelmente estará familiarizada com os mais famosos canabinóides que compõe a planta, conhecidos como os Seis Grandes Canabinóides: THC, CBD, CBG, CBN, CBC, e THCV. Cada planta de maconha contém estes e muitos outros compostos em diferentes porcentagens, como parte do perfil químico total da planta. Uma planta com maior porcentagem de CBD, por exemplo, terá mais efeitos corporais, enquanto que uma planta com um nível de THC mais elevado, terá maior efeito psicoativo. A maconha é uma planta fantástica para a medicina, não só no sentido curativo, mas pela variedade de aplicações possíveis devido à essa grande diversidade de canabinóides.

Graças à décadas de cultivo e aperfeiçoamento de técnicas, hoje é possível manipular genéticas de maconha a fim de desenvolver uma planta com maior ou menor quantidade de determinado canabinóide. Por conta dessas técnicas de cultivo, hoje existem linhagens de maconha com mais CBD do que THC, na proporção de até 4:1. Mas isso não significa que essas plantas deixam de ser maconha só porque tem menos THC, nem os extratos derivados dessas plantas.

É o caso do Óleo de Maconha (Hemp Oil /RSO) de CBD, que está sendo apresentado ao público como medicamento feito unicamente de canabidiol, tornando-o moralmente aceito. Mas isso não condiz com a realidade. Sempre que falarmos sobre um extrato de maconha, o mais correto seria dizer que ele é rico em determinado canabinóide, jamais dizer que ele é feito – porque, afinal de contas, ele é feito de maconha. Portanto, não significa que extratos de CBD contenham somente CBD e estejam livres de THC, ou qualquer outro canabinóide. Este é um grande equivoco cometido por muitos leigos no assunto, quando não conhecem muito bem o processo de produção do óleo. O óleo é feito diretamente da planta, e pode ser feito a partir de qualquer genética de maconha, sendo assim, ele continuará contendo todos os outros componentes, porém em níveis diferentes. A única forma de se produzir um medicamento feito exclusivamente de algum canabinóide, é de forma sintética (como no caso do Marinol).

Além de canabinóides, a composição química da maconha contém outros compostos como os terpenoides, aminoácidos, proteínas, açúcares, enzimas, ácidos gordos, esteres e flavonoides, apenas citando alguns. Naturalmente, você consome todos esses compostos quando utiliza a maconha, seja com finalidades recreativas ou medicinais – inclusive, essa é a forma mais adequada de consumir a maconha medicinal. Vale lembrar que a maioria dos canabinóides apresentam propriedades medicinais e podem beneficiar a saúde em algum sentido. Ou seja, para um tratamento adequado, o médico precisa ter pleno conhecimento sobre genéticas de maconha e aconselhar a melhor genética para cada paciente. Alguns podem precisar de um óleo rico em THC, outros uma tintura rica em CBD, e quem deve fazer a distinção e escolha da genética é o profissional de saúde.

A questão é, como todos esses compostos funcionam em conjunto para proporcionar alívio terapêutico? A resposta pode ser encontrada em um conceito chamado de Entourage Effect, ou Efeito Comitiva.

Neste vídeo é possível entender melhor sobre os efeitos dos varios canabinóides encontrados na maconha:

 

 

Entourage Effect

Descrito pela primeira vez em 1998 pelos cientistas israelenses Raphael Mechoulam e Shimon Ben-Shabat, a ideia básica do Entourage Effect (ou Efeito Comitiva ao pé da letra), é que os canabinóides dentro da maconha funcionam em sinergia, trabalhando em conjunto e afetam o corpo através de um mecanismo semelhante ao dos próprios endocanabinóide do sistema corporal. Esta teoria serve como base para uma ideia bastante recriminada dentro da comunidade farmacologia: a ideia de que em alguns casos os extratos de maconha (óleos, tinturas e inclusive as próprias flores secas) contendo todos os agentes terapêuticos funcionam melhor que a administração de canabinóides individuais e isolados.

A teoria do efeito entrega foi aperfeiçoada há pouco tempo por Wagner e Ulrich-Merzenich, de maneira que eles definem os quatro mecanismos básicos pelos quais o extrato completo da planta contribui para o tratamento medicinal:

  • Capacidade de afetar múltiplos alvos dentro do corpo;
  • Capacidade de melhorar a absorção de ingredientes ativos;
  • Capacidade de superar mecanismos de defesa bacterianas;
  • Capacidade de minimizar os efeitos colaterais adversos.

Assista à este vídeo onde o Dr. Sanjay Gupta explica sobre o funcionamento dos canabinoides no nosso corpo e aborda também o Efeito Comitiva:

 

 

Múltiplos alvos

Muitos estudos têm demonstrado a eficácia da maconha como um agente terapêutico para espasmos musculares associados a esclerose múltipla. Um estudo realizado pelo Dr. Wilkinson e colegas, determinaram que os extratos da planta inteira foram mais eficazes do que o componente THC isolado.

Os pesquisadores compararam 1mg de THC contra 5mg/kg de extrato de maconha com a quantidade equivalente de THC, e descobriram que o extrato da planta  produziu um efeito antiespasmódico muito maior que o composto isolado. Os investigadores atribuíram este resultado a presença de canabidiol (CBD) no extrato de maconha, o que ajuda a facilitar a atividade do sistema endocanabinóide do corpo.

Melhor absorção

O Efeito Comitiva também trabalha para melhorar a absorção dos extratos de maconha. Os canabinóides são compostos quimicamente polares, ou seja, de difícil absorção pelo corpo na forma isolada.

A absorção de produtos tópicos fornece um exemplo deste problema. A pele é composta por duas camadas, o que faz com que seja difícil a passagem de moléculas muito polares, tais como a água e canabinóides. Com o auxílio de terpenoides, como cariofileno, a absorção de canabinóides pode ser aumentada e os benefícios terapêuticos alcançados mais facilmente.

Superando os mecanismos de defesa bacterianas

O Efeito Comitiva encontrado nos extratos de maconha, é eficaz no tratamento de várias infecções bacterianas. Existem uma série de estudos que mostram as propriedades antibacterianas dos canabinóides. No entanto, em alguns casos as bactérias desenvolvem mecanismos de defesa ao longo do tempo para combater os efeitos dos antibióticos, tornando-as resistentes às terapias anteriormente eficazes.

Sendo assim, os extratos da maconha são altamente benéficos, pois também possuem componentes não-canabinóides que têm propriedades antibacterianas. Estas moléculas atacam as bactérias através de maneiras diferentes dos canabinóides. Atacando em várias frentes, o desenvolvimento de resistência bacteriana se torna limitada.

Combatendo possíveis efeitos colaterais adversos

Por fim, o Efeito Comitiva permite que certos canabinóides modulem os efeitos colaterais negativos de outros canabinóides. O exemplo mais cabal disso é a capacidade do CBD de modular os efeitos psicoativos do THC.

Muitos já ouviram falar sobre o aumento da ansiedade e paranoia por vezes associada ao consumo da maconha. Entretanto, uma pesquisa mostrou que graças ao Efeito Comitiva, o CBD pode ser eficaz em minimizar a ansiedade associada ao THC, diminuindo sentimentos de paranoia nos raros casos relatados por usuários.

Como você pode ver, o THC, CBD e os outros canabinóides não precisam competir uns com os outros, muito pelo contrário, eles não só podem, como devem trabalhar em conjunto, afim de proporcionar a cura e/ou alívio terapêutico para uma ampla variedade de condições.

 

Vivemos um momento favorável ao CBD e apesar de termos consciência que já é um grande passo, temos que ficar atentos ao discurso que está sendo adotado pela mídia de massa (adotado inclusive por muitos pais e pacientes que precisam do canabidiol), onde destacam apenas o composto CBD como agente tratador de doenças, desassociando ele da planta da maconha e negligenciando os benefícios medicinais de todas as outras dezenas de canabinóides – como se somente o uso do CBD fosse medicinal e merecesse respeito, enquanto o uso de outros canabinóides – tão ou mais importantes, dependendo do caso – é considerado desnecessário. Isso também compromete a saúde de milhares de outros pacientes que se beneficiam dos efeitos de outros canabinóides, como o próprio THC que é o indicado em casos de TDAH, depressão, ansiedade, esclerose múltipla, entre outras.

Os casos do uso de CBD que ganharam destaque na mídia são todos relacionados à epilepsia, e existe uma infinidade de casos na internet de diversas outras doenças, tratadas com a maconha completa, inclusive casos de cura de câncer. O direito à maconha medicinal, seja na forma de óleo, tintura, pomada, extrato de CBD, de THC ou oqualquer seja, é uma questão de respeito e dignidade. A luta é pela planta, não por um composto.

Além disso há uma questão não abordada pela mídia, porém não menos importante e que vale a pena destacar: ninguém deveria precisar pedir permissão para importar nenhum tipo de extrato de maconha, pois deveríamos cultivar a maconha aqui mesmo. O interesse da grande indústria em manter a planta proibida é muito grande, e quanto mais distante eles conseguirem nos manter longe dela, mais poderão lucrar. Monopolizar o cultivo e produção de medicamentos é sem dúvida um dos objetivos das grandes farmácias, como a Bayer e seu braço GW Pharma. Sociedade e legisladores precisam entender que a melhor alternativa para produção de maconha medicinal é plantar aqui, em solo brasileiro, e não ter que importar. A parcela de pacientes que podem pagar U$ 500 (fora impostos) na importação do óleo, é mínima, apenas quem tem muito dinheiro para manter um tratamento assim. O óleo de maconha deveria ser distribuído gratuitamente pelo SUS e regulamentado para a produção caseira ou por cooperativas, e o que não falta são pessoas já dispostas a começar trabalhar com isso aqui no Brasil.

O cultivo caseiro é pilar central na questão da maconha medicinal.

O cultivo caseiro é pilar central na questão da maconha medicinal.

O primeiro passo já foi dado e é importante sim, mas a forma como esta sendo conduzido fará toda a diferença. A sociedade precisa compreender que não é possível isolar um canabinóide a não ser pela produção sintética, nenhum óleo no mundo é composto apenas por um único canabinóide. Não existe esse papo de “óleo de CBD”, é óleo de maconha! Ou se quiserem, óleo de maconha rico em CBD. Nesse sentido, o mais importante é o conhecimento das genéticas adequadas e o desenvolvimento de tratamentos com base nessas genéticas específicas.

Uma coisa é certa: comer frutas reais, legumes e outros vegetais, proporciona uma nutrição muito mais saudável e eficaz do que tomar pílulas de vitaminas isoladas. A ciência vem mostrando que com a maconha pode funcionar da mesma forma, a comitiva de canabinóides valem muito mais do que um único composto isolado. Que venha o óleo, que venham as cooperativas e cultivo caseiro… que venha a cura pela maconha.

 

Alzheimer é causado pela perda de canabinóides, segundo estudo

o-ALZHEdsIMERS-facebookDe acordo com um novo estudo feito pela Universidade de Stanford, a doença pode ser causada pelo bloqueio e perda de canabinóides cerebrais.

O Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que provoca o declínio das funções intelectuais, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social e interferindo no comportamento e na personalidade. O marcador primário da doença é o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, o que compromete a sinapse das células neurais. Por muito tempo, os cientistas souberam que esses aglomerados que interferiam nos sinais de memória do cérebro, mas não tinham certeza de como.

Eis então que uma equipe da Escola de Medicina da Universidade de Stanford investigou os efeitos das placas de proteínas beta-amiloides em relação às atividades dos canabinóides endógenos, os endocanabinóides. Pra quem não sabe, nosso corpo produz substâncias chamadas endocanabinóides, semelhantes aos canabinóides encontrados na maconha. Estes compostos são produzidos naturalmente por nosso corpo e desempenham as mais diversas funções no nosso organismo, exercendo um papel fundamental na memória e aprendizagem por exemplo.

Analisando o cérebro de ratos, os pesquisadores observaram que as placas de beta-amiloide prejudicam indiretamente nas atividades normais dos endocanabinóides. Essa interferência pode ser a causa para os déficits de memória no início da doença de Alzheimer, segundo Daniel Madison – o PhD que liderou o estudo. Sendo assim, os canabinóides da maconha podem ser uma nova oportunidade para o tratamento do Alzheimer antes que a doença se desenvolva.

Entretanto, o Dr. Madison diz também que apesar das possíveis aplicações da maconha, não é possível afirmar com certeza que fumar maconha poderia neutralizar os efeitos da placa beta-amiloide na memória e aprendizagem.

“Os endocanabinóides são muito transitórios e são ativos apenas quando ocorrem importantes entradas no cérebro”, explica Dr. Madison. O principal ingrediente da maconha, o THC, tem um efeito mais duradouro, ele observa. “A exposição à maconha ao longo de muito tempo é diferente: como se melhorasse tudo indiscriminadamente, então você perde o efeito de filtragem. É como ouvir cinco estações de rádio ao mesmo tempo”.

Por outro lado, um estudo feito pela Universidade Complutense de Madri e pelo Instituto Cajal, demonstram que o uso da maconha pode reduzir a inflamação associada ao Alzheimer e, assim, evitar o declínio mental.

Inclusive, um estudo recente feito em 2013 por pesquisadores da Neuroscience Research Australia, sugere que o CBD, canabinóide não psicoativo encontrado na maconha, pode ser muito benéfico para o tratamento do Alzheimer. A equipe liderada por Tim Karl, descobriu que o tratamento com CBD levou a melhoras drásticas na memória de camundongos geneticamente modificados para imitarem os sintomas do Alzheimer.

Além do potencial no combate aos sintomas do Alzheimer, outros estudos sugerem que os canabinóides também podem ser uma promessa para retardar a progressão de doenças neurodegenerativas.

Sendo assim, podemos afirmar que as pesquisas apontam para um futuro promissor para aqueles que sofrem de Alzheimer, pois tanto o THC quanto o CBD vem mostrando aspectos positivos no tratamento da doença. Ainda que faltem estudos complementares, a maconha medicinal já é um tratamento bem estabelecido nos EUA e em outras partes do mundo.

Assista esse vídeo, onde Clint Werner, autor do livro Marijuana: Gateway to Health, explica um pouco sobre os componentes da maconha e a proteção do cérebro, prevenindo assim a progressão do Alzheimer: