Maconha pode fazer governo devolver impostos no Colorado

Lucro com a venda da droga é tão alto que estado deve restituir contribuintes em cerca de US$ 7,63

A liberação da maconha no Colorado foi recheada de polêmicas. Visava ao aumento das receitas através da coleta de impostos para, enfim, destinar mais recursos às escolas. Mas uma lei estadual pode levar boa parte desse dinheiro arrecadado diretamente ao bolso dos moradores do estado — causando uma grande dor de cabeça para os legisladores.

A Constituição estadual impõe um teto ao montante de tributos que o Colorado pode coletar sem a necessidade de restituir os contribuintes. E isso significa que os moradores do estado poderão receber uma fatia dos US$ 50 milhões arrecadados em impostos derivados do uso recreativo da maconha no primeiro ano de legalização. A situação é tão bizarra que conseguiu colocar em comum acordo democratas e republicanos — ávidos para salvar cada centavo dos cofres públicos. O imbróglio constitucional surpreendeu e causou divergências até nas lojas que comercializam a droga.

— Não tenho problema em pagar impostos se eles forem destinados à educação — ponderou Maddy Beaumier, de 25 anos.

Mas, para o carpinteiro David Huff, de 50 anos, trata-se de uma boa notícia. Afinal, avalia, os tributos que tornam o preço da maconha 30% mais caros, dependendo da jurisdição, são altos demais.

— Não ligo se eles me derem um cheque, uma restituição através de descontos nos meus impostos ou se me derem um baseado de graça da próxima vez que eu vier. Os tributos são altos demais, eles têm que restituir — queixou-se.

O Colorado, conhecido como “Rocky Mountain” por seu solo rochoso, legalizou a maconha em 2012 e fez história no ano passado ao inaugurar lojas de venda da droga para uso recreativo — com um imposto indireto de 15% e direto de 2,9%. A legalização da droga, porém, esbarrou numa limitação fiscal. Em 1992, uma emenda estadual chamada “Nota do Direito dos Contribuintes” passou a exigir que novos impostos sejam referendados através do voto popular. E mais. Determina, ainda, que o estado devolva aos contribuintes toda a arrecadação que superar o valor de uma certa fórmula, calculada no crescimento da inflação e da população. Seis vezes na História, o Colorado já se viu forçado a devolver dinheiro a seus moradores, num total de mais de US$ 3,3 bilhões.

Democratas e republicanos acreditam não haver motivos para entregar aos contribuintes o dinheiro da venda da maconha. E estão lutando para encontrar uma maneira de reter essa renda — mesmo que seja necessário convocar o eleitorado às urnas para opinar em um referendo.

Após a legalização da maconha, em 2012, os eleitores foram às urnas outra vez no ano seguinte e aprovaram a aplicação de um imposto de 15% sobre a droga para ser destinado às escolas, além de 10% adicionais para os cofres públicos em geral. Calculava-se que essa tributação iria gerar US$70 milhões no primeiro ano. Hoje, o estado calcula que o lucro seja de cerca de U$50 milhões. Mas, como a economia americana está ganhando fôlego e outras fontes de renda crescem rapidamente, o Colorado pode ter que devolver boa parte do que arrecadou. Os números finais ainda não estão fechados, mas fontes ligadas ao governo calculam que esse montante pode chegar a US$ 30,5 milhões — o que daria cerca de US$ 7,63 para cada adulto do Colorado.

via O Globo

 

Mercado da maconha legal pode chegar a US$ 110 bi e atrai empreendedores nos EUA

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A maconha se tornou um mercado bilionário e os grandes investidores já sabem disso.

Há muitas formas de ter barato: John e Jane sabiam disso antes de viajarem para Denver, Colorado. Mas nenhum deles estava preparado para a vasta diversidade de opções que encontraram quando chegaram.

No 3D Cannabis Center, eles encontraram maconha saborizada para atender a todo paladar –menta, bala de goma, frutas cítricas e até mesmo trufas e pralina. “Nós recebemos ontem estilo suíço”, diz o vendedor, apontando um chocolate amargo. A seleção também inclui variedades como Cookies & Cream ou tangerina com chocolate. Tudo, é claro, contendo maconha.

“Tudo tem entre 80 miligramas ou 40 miligramas de THC”, explica o vendedor atrás do balcão. THC é a abreviação de tetrahidrocanabinol, o agente psicoativo da maconha.

Pouco tempo depois, John, um engenheiro, sente o cheiro adocicado de uma das numerosas variedades.

Incrível”, diz, desfrutando o momento. Em casa, a única opção para comprar maconha é de vendedores em partes suspeitas da cidade. Agora, pela primeira vez, ele e sua esposa, uma recepcionista, estão em um estabelecimento alegre, não diferente de uma mercado, com piso de madeira e balcões de vendas. Eles não sabem por onde começar.

Será que optam pela “Silverback Gorilla”, que cresce no solo e tem aroma terroso? Ou talvez a “Death Star”, que nas palavras do vendedor é “o céu”? É o produto de 10 anos de cultivo.

Em um país mais conhecido pelas penas draconianas que aplica aos crimes ligados às drogas, uma revolução improvável está em andamento nos Estados Unidos. A maconha já foi aprovada para fins medicinais em mais de 20 Estados. Em muitos lugares, mesmo pessoas com males menores como uma dor de cabeça ou leve depressão têm pouca dificuldade em obter uma prescrição.

Após referendos dos eleitores, os Estados de Washington e do Colorado legalizaram plenamente a maconha em 1º de janeiro. As decisões provocaram uma onda de turismo em massa aos Estados por pessoas como John e Jane.

Os “ganjapreneurs”

Empreendedores de maconha como Toni Fox, a dona do 3D, estão prosperando como resultado. A mulher de 42 anos diz que o movimento era tamanho no início e a oferta tão limitada que ela só conseguia abrir nos fins de semana. Novos cultivadores de maconha estão surgindo por todo o Estado para atender a enorme demanda. Em alguns casos, os proprietários estão cobrando duas a quatro vezes os valores de mercado para aluguel de prédios grandes o bastante para cultivo de maconha.

Em outras partes do país, mesmo onde a maconha ainda não foi legalizada, plantações de alimentos estão surgindo no meio do nada enquanto as empresas se preparam para atender o mercado. Startups de tecnologia estão oferecendo aplicativos para consumidores e técnicos estão desenvolvendo diversos vaporizadores –basicamente cigarros eletrônicos para maconha, que podem ser comprados como dispositivos descartáveis ou mesmo como objetos caros de design.

Investidores estão começando a levantar dinheiro para entrar no mercado gigante o mais cedo possível. Analistas dizem que há um mercado potencial para a maconha que pode chegar a US$ 110 bilhões, quatro vezes a receita gerada anualmente pela indústria do tabaco.

Comparações estão sendo feitas com a era pontocom, à corrida do ouro do século 19 ou mesmo ao fim da lei seca nos anos 30, quando ocorreu um crescimento imenso da indústria do álcool. E todo mundo está tentando entrar no jogo –idealistas assim como homens de negócios realistas, charlatães, gênios e malucos.

Com seu casaco vermelho e vestido plissado cor de rosa, Fox não é o tipo de mulher que alguém imaginaria ser parte da cena de maconha. Ela iniciou seu negócio depois que seu irmão foi para a cadeia para cumprir uma pena de 10 anos por vender maconha aos amigos. A punição draconiana inspirou Fox a se tornar uma “ativista de maconha”.

Mãe de dois filhos, ela participou de protestos e até mesmo abriu seu próprio negócio, que inicialmente só podia vender maconha para fins medicinais. Ela também apoiou o grupo de lobby “Mães pela Maconha”.

Como muitos outros membros do movimento pela legalização, Fox está convencida de que a maconha é um dos melhores medicamentos para ajudar a tratar doenças como câncer, epilepsia ou mal de Alzheimer –e certamente é melhor que o álcool.

Sentada em um sofá bege em sua sala de espera, é difícil dizer se seus olhos vidrados são produto da maconha ou de exaustão. Desde a legalização plena da maconha no Colorado, ela dificilmente tem tempo de folga. “Em 1º de janeiro, as pessoas aguardaram cinco horas para entrar”, diz. A popularidade do negócio resultou em lucros durante os três primeiros meses do ano superiores aos dos últimos três anos somados.

Desencadeando uma necessidade coletiva

A legislação recente parece ter desencadeado uma necessidade coletiva de maconha na cidade. Muitos produtos estão esgotados e fumar maconha se tornou tão socialmente aceitável que a orquestra sinfônica local, carente de recursos, se uniu recentemente a uma empresa de maconha para realizar um concerto beneficente. Durante o intervalo no evento apenas para convidados, homens e mulheres em trajes sociais podiam ser vistos acendendo cigarros de maconha no pátio do prédio e produzindo nuvens espessas de fumaça.

As autoridades estaduais anunciaram recentemente que a receita do setor aumentou 60% desde janeiro. Elas estimam que os impostos e taxas estaduais gerarão até US$ 134 milhões em um ano. O Estado só arrecada cerca de US$ 40 milhões com impostos sobre a venda de álcool.

“Eu chamo de jogo de Monopoly da maconha”, diz o investidor KC Stark, falando em uma voz rouca em um salão escuro. Algumas poucas empresas foram convidadas ao local para participar de um “Encontro da Maconha”. Ela é apenas uma das muitas convenções de maconha que podem ser visitadas na cidade. No momento, é “dinheiro correndo atrás da maconha correndo atrás de dinheiro correndo atrás da maconha”, diz Stark.

O empresário veste sapato branco, jeans e um colete de terno sobre uma camisa. Ele diz ter investido em “dezenas” de empresas ligadas à maconha. Ele também é proprietário do clube Studio A64 em Colorado Springs, onde os convidados podem cantar karaokê e também fumar maconha, e que Stark deseja transformar em uma rede global como o Starbucks.

Mas para sua apresentação na conferência de maconha, Stark está presente como proprietário da MMJ Business Academy, onde ele ensina o básico do setor para empreendedores que esperam abrir uma nova empresa. Stark diz que aqueles que derem os passos certos têm chance de se tornarem “altamente ricos”.

Correm rumores sobre as quantias de dinheiro que as pessoas podem ganhar no setor. E se concentram em empreendedores como Tripp Keber, um homem imponente e de ombros largos vestindo um terno cinza.

Keber entrou no negócio de maconha em 2010, com um “barracão de madeira”, diz rindo bastante. Ele construiu sua mesa usando dois gabinetes e arrancou a porta do banheiro para usar como tampo. Desde então, há apenas uma constante nos negócios de Keber: crescimento. Nos últimos 16 meses, ele comprou ações de mais de 20 empresas no setor de maconha. Mas a Dixie Elixirs continua sendo o centro de sua empresa. A empresa produz pralinas de chocolate, balas e refrigerantes com sabor de pêssego, groselha e melancia. Tudo com quantidades diferentes de THC.

Ele também opera empresas como Warehouses All Over the City, uma empresa que desenvolve software para gestão de estoque, uma empresa de equipamentos e uma empresa de importação e exportação chamada In Perfect Harmony. “É o nome do cavalo da minha filha”, diz.

No momento, Keber diz estar comprando participações acionárias em empresas quase mensalmente. “Eu tenho uma equipe financeira forte que está me ajudando”, comenta. “Eles sempre dizem: pare de comprar empresas”, fala rindo.

Privando os cartéis das drogas

Ele diz que a indústria da maconha criou dezenas de milhares de empregos e nota que o Estado está injetando os primeiros US$ 40 milhões da receita tributária do setor nas escolas da região. “A propósito”, ele acrescenta, a indústria está privando os cartéis das drogas de bilhões de dólares apenas neste ano. “Olhe para o México”, ele diz. “Oitenta mil pessoas foram assassinadas em seis anos no país.”

Agora que as pessoas podem comprar maconha legalmente, as receitas da Dixie cresceram quase 10 vezes em um ano. “Nós temos provavelmente perto de um milhão de dólares em pedidos pendentes”, ele diz. Para atender a explosão da demanda, Keber está atualmente convertendo uma velha padaria industrial em uma instalação de produção de seus produtos comestíveis. No meio do canteiro de obras, já é possível ver o início daquela que será uma engarrafadora plenamente automatizada para suas bebidas de maconha. Atualmente, as garrafas ainda são cheias manualmente.

Até o final do ano, Keber estima que uma tonelada de produtos alimentícios de maconha sairá dali por mês, o dobro da produção atual. Keber diz que já investiu “milhões e milhões” em seu pequeno império. “Eu já disse publicamente que isto não é um negócio para pobres.”

Maconha ainda vetada para o setor financeiro

Isso se deve em parte ao fato de ainda ser difícil obter financiamento no setor. Até recentemente, a lei federal dos Estados Unidos proibia os bancos de até mesmo permitir a abertura de contas para empresas ligadas a maconha. Mesmo hoje, muitas instituições financeiras, organizações de empréstimo e fundos hedge evitam o envolvimento no setor, por preocupação com sua imagem.

Muitas empresas ainda operam apenas com dinheiro, diz o ex-promotor de concertos Steve DeAngelo. Um carro blindado passa uma vez por semana para transportar o dinheiro de seu Harborside Health Center, na Califórnia, que tem um volume de negócios anual de US$ 25 milhões. O carro blindado leva os pagamentos de impostos da empresa, que são levados à administração fiscal local. Não é muito eficiente. “Os tesoureiros municipais precisam sentar ali e contar e contar por horas”, diz DeAngelo.

Para contornar o envolvimento com bancos, o que inibe muitas novas empresas, DeAngelo formou a rede ArcView de investidores juntamente com um sócio. Nesta semana, ela realizou uma de várias conferências anuais em Denver, que buscam unir investidores com tipos criativos com grandes ideias de negócios.

O próprio DeAngelo é um sujeito à moda antiga. Na adolescência, ele participou de manifestações em apoio à legalização da maconha. Com suas tranças finas e chapéu extravagante, DeAngelo parece um pouco com seu herói, Quanah Parker, um dos últimos chefes comanches do século 19. Parker era conhecido como um guerreiro que travou guerra contra o homem branco, mas posteriormente fez muitos negócios com eles.

Por sua vez, DeAngelo, antes uma pessoa à margem, conta hoje com “um belo salário de classe média alta”, segundo ele próprio. Mesmo assim, ele continua sendo um homem de convicção. Ele vê a maconha como sendo “um produto de bem-estar” que expande sua “espiritualidade”, sua capacidade de “paciência, de desfrutar uma bela refeição, os sons de uma bela peça musical ou seu senso de libido”. De fato, ele considera a distribuição industrializada de drogas como sendo um pesadelo.

via UOL

Venda legalizada de maconha no Colorado já rendeu US$ 14 milhões no 1º mês

Total em impostos arrecadados foi de US$ 3,5 milhões, segundo dados do Departamento de Receita dos EUA.

A comercialização legalizada de maconha medicinal no Colorado (EUA) fechou o mês de janeiro –o primeiro desde a legalização—com faturamento de US$ 14 milhões, sendo US$ 3,5 milhões o total em impostos arrecadados, de acordo com dados apresentados nesta segunda-feira (10) pelo Departamento de Receita norte-americano.

O Estado aprovou a venda de maconha medicinal em 2013, mas os negócios só foram iniciados neste ano, com cerca de 160 lojas autorizadas. A taxação é de 12,9% sobre as vendas e de 15% em impostos especiais de consumo.

Os moradores do Colorado aprovaram a cobrança no ano passado, com a exigência de que os primeiros US$ 40 milhões arrecadados em impostos especiais de consumo sejam usados na construção de escolas.

O governo já encaminhou ao Legislativo uma proposta detalhada de como gastar US$ 134 milhões arrecadados com a venda de maconha, incluindo campanhas antidrogas para crianças e mais publicidade para desencorajar motoristas a dirigirem se ainda estiverem sob o efeito da droga.

A Declaração de Direitos dos Contribuintes do Colorado estabelece que qualquer aumento de imposto seja aprovado pelos eleitores e limita o uso do dinheiro arrecadado se o valor for maior do que aquele previsto inicialmente e divulgado à população.

Em 2013, a arrecadação com a comercialização de maconha foi estimada em US$ 70 milhões por ano, e ainda não está claro o que os legisladores estarão autorizados a fazer com o que entrar a mais no caixa.

O orçamento 2014-2015 do Colorado está agora em discussão e não inclui nenhuma antecipação dos impostos advindos da venda de maconha.

via UOL

EUA obrigam os bancos a aceitar dinheiro das lojas de maconha

Finalmente o mercado da maconha legalizada poderá respirar um pouco mais aliviada.

Em mais um exemplo de como o Governo dos Estados Unidos está lidando com a legalização do mercado da maconha recreativa e medicinal em vários de seus territórios, a administração Obama publicou nesta sexta-feira um manual sobre os serviços financeiros que os bancos podem prestar aos comerciantes autorizados da substância. Com essas novas normas, pretende-se acabar com o problema desses empresários, que se viam obrigados a pagar com dinheiro seus empregados e fornecedores em razão da negativa das entidades financeiras de permitir a abertura de contas, já que a maconha segue proibida pela legislação federal.

Até agora, as leis relacionadas à lavagem de dinheiro impediam os bancos de aceitar dinheiro procedente da venda da maconha tanto legal como ilícita. Esse manual, redigido pelo Departamento do Tesouro e o de Justiça, prevê os casos em que as entidades podem prestar serviços financeiros aos titulares de negócios relacionados à distribuição ou produção desse produto e os protocolos que devem ser seguidos. “Estamos explicando o que as instituições financeiras devem fazer e o que devem denunciar para as autoridades”, disse um porta-voz do órgão.

Em janeiro, começaram a ser abertas no Colorado as primeiras lojas de maconha para fins recreativos e Washington seguirá esse exemplo no final deste ano. Nos Estados Unidos, a venda de maconha para fins medicinais está permitida em 20 Estados, além do Distrito de Columbia. Os donos desses estabelecimentos estavam se queixando de ter de pagar seus empregados e fornecedores com dinheiro. A chegada de sacos de supermercados carregados de dinheiro no fim do mês tinham virado uma imagem perigosamente habitual.

O Promotor-Geral, Eric Holder, advertiu no final de janeiro do risco disso. “Deveria ter acesso ao sistema bancário”, disse. O respaldo de Holder não era um apoio explícito à maconha, mas uma declaração da necessidade da Administração de se adaptar à realidade de um mercado que já está regulado em vários Estados.

Não só os donos de estabelecimentos de venda de maconha ou os governadores dos Estados do Colorado e de Washington estavam pedindo uma solução. As próprias entidades bancárias também exigiram do Governo uma resposta clara sobre sua margem de atuação. Para a associação local de bancos, um mero manual sem poder legal não é uma garantia suficiente. Eles esperam que o Congresso redija um regulamento.

Essa lei mostra que o Departamento de Justiça não quer enfrentar abertamente os Estados que legalizaram a maconha para fins recreativos evitando, assim, aumentar o espaço entre a legislação estatal e a federal.

No mês passado, o Promotor-Geral publicou um memorando em que dizia respeitar “os experimentos” do Colorado e a Washington desde fossem cumpridas oito prioridades federais, entre elas proibir a venda a menores ou enviar maconha a outros Estados. O não cumprimento desses princípios abriria um processamento federal.

via El Pais

Bancos dos EUA finalmente poderão operar no mercado da maconha legalizada

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Finalmente, os EUA anunciam medidas que ajudam os bancos a ignorar a lei.

O procurador-geral dos EUA Eric Holder, que chefia o Departamento de Justiça do país, anunciou, na quinta-feira (23/1), que o governo vai tomar medidas que permitirão à indústria da cannabis ter, finalmente, acesso ao sistema bancário – “indústria da cannabis” é o eufemismo adotado para substituir a expressão “indústria da maconha” (ou “marijuana industry”).

Desde 2012, dois estados americanos – Washington e Colorado – legalizaram o cultivo, o comércio e o consumo da maconha, para uso recreativo. Desde 1975, 20 estados e o Distrito de Colúmbia descriminalizaram a droga para uso medicinal, cada um a seu tempo. Mas a lei federal continua criminalizando o cultivo, o comércio e a distribuição da maconha – como qualquer outra droga.

Assim, a “indústria”, apesar de atuar legalmente, continua a operar na clandestinidade em alguns setores, como o financeiro. As empresas podem abrir as portas em uma das ruas principais da cidade, mas não podem abrir contas em bancos, que temem violar a lei federal e ser punidos.

De acordo com a BusinessWeek e o New York Times, Holder não prometeu ações para mudar a lei federal, de 1970, que criminaliza a maconha como droga de Classe I . Nem vai dar sinal verde aos bancos para abrir contas, aceitar depósitos e prestar qualquer serviço à indústria da cannabis, oficialmente. Mas, vai anunciar regras e orientações oficiais, que facilitarão as operações.

Uma medida já adiantada: o Departamento de Justiça vai orientar os promotores a não dar prioridade a casos que envolvam os bancos que prestam serviços às empresas que operam legalmente o comércio da maconha. Uma orientação semelhante já foi dada aos promotores, em relação às próprias empresas que operam no mercado da maconha, nos estados em que a droga foi liberada.

Os já bem-sucedidos empresários da indústria da cannabis ainda operam apenas em dinheiro. Estocam milhares de dólares em cofres e só os movimentam em sacos de papel. Pagam seus funcionários em dinheiro e não transacionam com cartões de crédito. Todos, no negócio, se preocupam com assaltos. Os bancos anseiam por todo esse dinheiro, mas já foram ameaçados.

Uma ameaça veio da Associação dos Banqueiros de Washington, que distribuiu aos bancos um comunicado que diz, entre outras coisas: “As pessoas envolvidas nos negócios de cultivo, venda e distribuição de maconha e aqueles que conscientemente facilitam tais atividades estão violando a Lei de Substâncias Controladas [federal], independentemente das leis estaduais. (…) Tais pessoas estão sujeitas a processos penais. Leis estaduais ou locais não servem como defesa em execução criminal ou civil de lei federal (…)”.

Mesmo que os bancos confiem na promessa do Departamento da Justiça de não serem processados, ainda haverá um temor: lidar com os órgãos controladores do sistema financeiro e com a acusação de lavagem de dinheiro. O comunicado da Associação dos Banqueiros adverte: “Aqueles que se engajarem em transações envolvendo tais atividades também podem violar as leis federais sobre lavagem de dinheiro e outras leis financeiras federais”.

via Consultor Jurídico

 

Dahlia e sua luta contra o câncer

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Os resultados positivos de usuários medicinais infantis como Dahlia, são exemplos claros dos benefícios que a maconha pode trazer para o tratamento de diversos tipos de câncer.

Conforme a legalização avança nos Estados Unidos, aumenta o número de usuários medicinais que passam a utilizar a maconha como parte de seu tratamento. Não é mais novidade pacientes com câncer usarem a maconha no como complemento à quimioterapia, combatendo os efeitos colaterais tão indesejados. Porém aumenta ainda mais o número de crianças que também passam a utilizar a maconha como alternativa.

É o caso de Dahlia, uma garotinha de 3 anos que se mudou para o Colorado (EUA), afim de poder utilizar a maconha na luta contra um tipo raro de câncer. Ela está utilizando o Óleo de Maconha em seu tratamento e vem apresentando resultados muito positivos, surpreendendo até mesmo os médicos.

Dahlia é uma das mais jovens guerreiras a utilizarem o óleo de Maconha na luta contra o câncer.

Dahlia é uma das mais jovens guerreiras a utilizarem o óleo de Maconha na luta contra o câncer.

Quando tinha apenas 2 anos de idade, ainda em maio do ano passado, Dahlia foi diagnosticada com Anaplásico Astrocitoma, uma forma muito rara de câncer cerebral. Como já sabemos, o tratamento do câncer é extremamente complicado e doloroso para os pacientes e familiares. Não é um processo fácil pra nenhum adulto, quem dirá uma criança de apenas 2 anos de idade – principalmente tratando-se de um caso tão severo.

Após o diagnóstico, os médicos realizaram uma cirurgia de emergência para a retirada do tumor. Por conta da raridade de sua doença, Dahlia foi aceita no programa de quimioterapia do Hospital St. Jude, no Tennessee. A pequena Dahlia ainda precisou ser operada para conter uma hidrocefalia no crânio. Ela sofreu apneia devido ao excesso de fluido e por duas vezes deixou de respirar, requerendo esforços de reanimação de emergência. Dahlia desenvolveu ainda convulsões como resultado de duas cirurgias adicionais realizadas para fazer a biópsia e a remoção de partes de seu tumor.

Então os médicos informaram Moriah Bernhardt, mãe de Dahlia, que a radioterapia não poderia ser aplicada pois, a localização do tumor no hipotálamo poderia fazer com que Dahlia sofresse danos graves e irreversíveis no cérebro. Foi quando Mo, inconformada com essa situação, resolveu pesquisar outras alternativas para tratar o câncer de sua filha. Ao ler sobre o Óleo de Maconha e como ele vem sendo utilizado no combate ao câncer, Mo sabia exatamente o que fazer para salvar a vida de Dahlia.

No Tenessee, a maconha medicinal não é reconhecida. As únicas leis do estado sobre o assunto dizem que quem for pego com maconha vai pra cadeia, o que obviamente não é uma opção para Moriah. Os médicos de lá tem grande necessidade de conservar suas carreiras, e sequer consideram discutir o assunto com os pacientes. Sendo assim, Mo Bernhardt resolveu que utilizaria a maconha para curar o câncer inoperável de sua filha, deixou tudo para trás na Florida e mudou-se para o Colorado. Desde então, vem relatando o tratamento de Dahlia no site www.dahliastrong.org .

“Um bom dia para nós é um dia terrível para a maioria das pessoas”, diz Mo Barnhardt. “Ver sua dor, sua náusea, ouvi-la chorar… não há palavras que possam descrever”.

Esforços liderados por membros de 03 associações de pacientes de maconha medicinal dos EUA, The Undergreen Railroad, Moving for Marijuana e Parents4Pot, uniram ativistas de todo o país em suporte à viagem da Dahlia para o Colorado. A Realm of Caring é uma das comunidades de apoio que as famílias procuram quando chegam ao Colorado para começar o tratamento com o óleo de Cannabis. Quando Paige Figi, mãe de Charlotte, de 08 anos, diagnosticada com síndrome de Dravet, e que faz tratamento com o óleo de Cannabis há 02 anos, foi perguntada qual conselho havia dado para a família da Dahlia sobre a mudança para o Colorado em busca do tratamento, ela respondeu:

“Estamos aqui para vocês. Quando estes pacientes, estas crianças, estão sendo abandonados porque não há mais nenhum tratamento que se possa fazer, a Realm of Caring vai estar aqui para lhes oferecer o nosso apoio e educação sobre uma outra potente opção, chamada Charlottes’s Web (estirpe de Cannabis rica em CBD que recebeu este nome em homenagem à Charlotte) e outros tipos de maconha medicinal. É extremamente solitário e desafiador ser pai e mãe de uma criança especial, com uma doença grave. Eles podem achar às vezes que todo mundo os está abandonando. Nossa organização é completamente voluntária, quase todos nós pais de apenas um único filho. Há centenas de pacientes no Colorado fazendo este tratamento, muitos sendo refugiados de outros estados e países. Existem à disposição grupos de apoio incríveis. Da nossa assistência inicial de passo-a-passo, às planilhas utilizadas para ordenação médica da Indispensary; dos projetos de pesquisa científica, às reuniões diárias de grupos de autoajuda, os pais podem se sentir muito seguros em nosso rebanho. É realmente uma coisa bonita de se fazer parte.”

 

Graças à atitude de sua mãe, Dahlia já utiliza o Óleo de Maconha em seu tratamento e esta apresentando melhoras significativas. A terapia com o óleo tem mostrado resultados incríveis não só nos EUA, mas no mundo todo. Dahlia se junta à outras milhares de crianças que encontraram na maconha, uma solução na luta contra o câncer. A nova faze do tratamento de Dahlia está apenas começando e esperamos que ela se recupere completamente, podendo assim esbanjar saúde e alegria ao lado das jovens Mykayla, Charlotte, Vivian e tantas outras guerreiras que estão fortes e saudáveis graças ao tratamento com a maconha medicinal.

 

Preços da maconha dobram após começo das vendas no Colorado

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Cliente apresenta contente a nota fiscal da primeira venda legal realizada no Colorado.

Consumidores pagaram US$ 45 por cerca de 3,5 gramas de maconha recreativa, contra US$ 25 para fins médicos, no primeiro dia de vendas.

Na Medicine Man Denver, uma loja que começou a vender maconha para uso recreativo na semana passada, as pessoas esperavam na fila para sentir pela primeira vez o gosto da erva comprada legalmente. Alguns gritavam “liberdade!” para a multidão quando saíam com pacotes da droga. Eles gastaram quase o dobro do custo da maconha medicinal.

Os consumidores pagavam US$ 45 por cerca de 3,5 gramas de maconha recreativa, contra US$ 25 por uma quantidade idêntica vendida para fins médicos, disse Andy Williams, presidente e CEO da loja.

“Eles não estão acostumados a entrar em uma loja e pagar US$ 25 pela porção, então quando eles vêm, eles pagam o preço que for”, disse Williams, 45, por telefone. “Ter a possibilidade de comprar maconha segura, confiável e de qualidade em um ambiente divertido e animado com certeza é melhor que ir a um beco e dizer, ‘ei, amigo, me vê uma porção?’”.

O preço de varejo da maconha no Colorado dobrou desde 1 de janeiro, quando o estado se tornou o primeiro a legalizar as vendas para qualquer pessoa com 21 anos ou mais. A maconha para uso recreativo é vendida por uma média de US$ 400 a onça (medida equivalente a 28,3 gramas), contra os US$ 200 a onça que os varejistas do Colorado recebem por maconha medicinal, disse Aaron Smith, diretor-executivo da Associação Nacional da Indústria de Cannabis, com sede em Washington.

“Trata-se, simplesmente, de oferta e demanda”, disse Smith. “À medida que mais lojas abrirem, tiverem noção da demanda e forem capazes de atendê-la, os preços voltarão para baixo”.

Cobrança de impostos

Em torno de 21 por cento em impostos estaduais e locais são cobrados sobre a venda de maconha para uso recreativo, disse Amber Miller, porta-voz da Cidade e Condado de Denver.

Os eleitores do Colorado aprovaram, em um referendo em novembro de 2012, a descriminalização da droga, desafiando a lei federal, que ainda classifica a maconha com substância ilegal. Uma medida similar foi aprovada no estado de Washington, onde as lojas deverão abrir ainda neste ano.

via Exame