Anvisa reclassifica o canabidiol

A reclassificação já era esperada e simboliza uma mudança muito importante, mas ainda não é o suficiente.

Hoje é um dia histórico para pacientes e ativistas que lutam pelo direito ao uso medicinal da maconha. Ainda que seja uma mudança singela, um importante passo está sendo dado e deve melhorar a condição de vida de muitos pacientes (os que puderem pagar pelo remédio).

Durante a primeira reunião pública do ano, a diretoria da Anvisa foi unanime e decidiu retirar o canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito e liberar o uso de medicamentos à base da substância para venda controlada. Agora a substância deve integrar a “Lista C1” que é uma lista de remédios controlados que envolve uma série de medicamentos.

Apesar de ter sido um processo bastante conturbado até aqui, a mudança deverá facilitar a importação do óleo de cânhamo industrializado para pacientes e para pesquisas científicas.

Porém entre todos os interessados nessa reclassificação, a maior beneficiada se chama HempMeds, empresa distribuidora do RSHO, o óleo de canhamo industrializado, principal produto utilizado por aqueles que estão buscando esse tratamento. No mundo inteiro, a HempMeds já lucra milhões de dólares com a venda do óleo e agora acabou de ganhar carta branca no gigantesco mercado brasileiro.

Mesmo que seu produto seja bastante suspeito, de qualidade duvidosa e criticado por diversos pacientes e profissionais canábicos no mundo inteiro, a HempMeds começa o ano com a certeza de lucro no Brasil, um lucro astronômico. Isso deve dar um respiro para a empresa, que no cenário mundial sofre com inúmeras denúncias e está perdendo mercado, sofrendo com uma grande desvalorização de suas ações.

A reclassificação do canabidiol ainda não resolve toda a questão do uso da maconha medicinal e nesse caso, o horizonte não é tão animador. A maconha medicinal não se resume ao canabidiol, de forma que o THC é outro importantíssimo componente para o tratamento de milhares de pacientes como os que sofrem de câncer, esclerose multipla, dores crônicas, glaucoma, entre outras.

Uma esperança é que o CFM, da mesma forma que autorizou os médicos a prescreverem CBD, também autorize os médicos a prescreverem THC. Dessa forma os médicos poderão receitar o THC com segurança, gerando uma grande demanda e forçando a pauta no Anvisa.

Porém o THC é socialmente recriminado, pois é psicoativo e pode ser administrado de forma recreativa. Essa é uma outra luta que ainda deverá ser travada, dentro e fora da Anvisa, mas dessa vez não poderemos contar com criancinhas inocentes, brancas, de classe média/alta, para emocionar e sensibilizar sociedade, políticos e médicos.

Esta singela mudança, ainda implica na questão do acesso ao medicamento, que não foi resolvido. Ao final da reunião, um dos pais presentes se pronunciou de maneira a elogiar histórica decisão e informou que um novo projeto de lei deve ser encaminhado, com o objetivo de favorecer o acesso ao medicamento por parte de pacientes de baixa renda, de forma que o governo arque com as despesas.

Trata-se de uma alternativa bastante equivocada, pois a melhor forma de garantir o acesso àqueles que precisam é garantir o cultivo e produção nacional. Cooperativas medicinais e cultivo caseiro sequer foi mencionados durante a reunião. O Brasil possui jardineiros competentes o suficiente para produzir um óleo melhor que o da HempMeds, com custo mais baixo, mas infelizmente esse não é o foco das atuais discussões, somente entre os ativistas e pacientes pobres.

A reclassificação deve trazer algum alívio para muitas famílias, mas traz também uma certa indignação e sentimento de descaso com os milhares de pacientes que ainda sofrem com o preconceito contra a maconha e por isso tem seu tratamento proibido.

Os próximos capítulos dessa novela serão muito importantes, mas uma coisa já podemos adiantar: quem plantar seu remédio, vai ser preso.

 

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Além do canabidiol

O THC tem sido usado no tratamento de diversas patologias de alto risco, como Aids, câncer e esclerose. E com êxito.

O tema “maconha medicinal” ganhou este ano uma atenção especial da sociedade por desmistificar diversas lendas urbanas sobre a Cannabis sativa, que, sim, pode ser usada como remédio. O protagonista desta cena é o canabidiol (CBD), substância da maconha que tem sido usada com fins terapêuticos para diversas patologias, entre elas a epilepsia. Mas uma outra substância da cannabis, a delta-9-tetrahidrocanabinol, mais conhecida como THC, tem tido sua importância ofuscada em todo este processo, o que, futuramente, poderá ocasionar problemas aos pacientes quanto às prescrições médicas.

O THC tem sido usado no tratamento de diversas patologias de alto risco, como Aids, câncer e esclerose. E com êxito. Isso porque, resumidamente, ele é uma das poucas substâncias identificadas pela ciência como regeneradora de células. Além disso, pode ser usado no controle de diagnósticos que provocam dores intensas. Vide o caso da estudante mineira Juliana de Paolinelli, de 35 anos, que obteve da Justiça a primeira autorização para importar o Sativex, remédio com maior concentração de THC.

Juliana, que sofre dores crônicas na região da coluna lombar, chegou a usar uma bomba de morfina para tentar minimizar as crises, mas não deu certo. Atualmente, ela consegue controlar suas dores usando apenas este remédio.

Mas este caso de importação, infelizmente, não é a regra. Praticamente todas as 298 autorizações já expedidas pela Anvisa até o começo deste mês são para extratos com até 1% de THC, e com concentrações maiores de CBD — a usada pela estudante tem 45% de THC.

A resolução do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), apesar de pioneira, diz que as extrações de CBD que podem ser importadas devem ter apenas 0,6% de THC. Extrações de Cannabis deste tipo são muito difíceis de se encontrar até mesmo no mercado internacional. Isso porque poucas empresas conseguem fabricar remédios com estes percentuais de CBD e THC. Além disso, importar estes medicamentos não é barato — uma seringa com apenas 10ml pode custar cerca de R$ 1.500 (observação: não existe “ainda” um óleo só de CBD, todos têm um percentual de THC).

A falta de atenção do Cremesp quanto ao THC refletiu na recente resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que seguiu o mesmo caminho ao autorizar alguns especialistas médicos a prescrever somente o canabidiol com muitas limitações.

Restringir o percentual de THC é um erro. Primeiro, porque existem pacientes que têm obtido bons resultados com óleos de CBD com teores de THC mais altos que 1% — além disso, tal tipo de óleo pode ser produzido de forma artesanal com uma futura e aguardada regulamentação do plantio medicinal no país. Em segundo lugar, porque existem diagnósticos em excesso no Brasil que poderiam ser tratados com esta substância, como os dos pacientes oncológicos e dos portadores do HIV.

O senador Cristovam Buarque apresentou um parecer positivo à regulação da maconha medicinal em seu relatório sobre a sugestão 08/2014, que demanda pela legalização da maconha no país. A Anvisa pretende retirar o CBD da lista das substâncias proibidas no país. Mas, em todas estas esferas, é importantíssimo dar mais atenção ao THC.

A Cannabis deve ser vista medicinalmente como um todo. Moldar demais a sua utilização é um erro, pois pode prejudicar o atendimento aos pacientes e favorecer apenas a um grupo de empresas farmacêuticas do exterior.

Emílio Figueiredo é advogado e coordenador do site Growroom, que discute a legalização da maconha.

via O Globo

Finalmente, a vitória do THC

Tribunal de Justiça de Minas Gerais concede, pela primeira vez, o direito de um paciente importar medicamento à base de maconha rico em THC, o principal canabinóide da maconha.

Se ainda restava alguma dúvida, agora podemos falar de boca cheia: a legalização começou no Brasil! No futuro, quando os livros de história abordarem esse assunto, provavelmente dirão que 2014 foi o ano em que tudo começou. Claro que temos mais de uma década de trabalho pró-legalização no país, mas nunca tivemos tantos avanços em termos legais quanto agora.

Ainda que um tanto quanto esquizofrênico, o processo de legalização vem avançando e ganhando força ao longo do ano. Importar o Óleo de Maconha, rico em canabidiol (CBD), já é uma realidade – mas claro, só para aqueles que podem pagar.

Começou em Abril com o caso da pequena Anny Fisher, primeira paciente a ganhar na Justiça o direito de importar um medicamento à base de maconha. Hoje já temos mais de uma dezena de pacientes beneficiados por esse mesmo direito, onde a Anvisa é obrigada a autorizar a importação dos medicamentos.

Porém o discurso adotado está um pouco equivocado, na medida em que muitos pais (e até alguns pacientes) utilizam um tom individualista, sem atentar para a verdadeira questão da maconha e a realidade da causa medicinal. Na tentativa de se desvencilhar da imagem negativa que a sociedade tem da maconha, esses pais e pacientes praticam uma estratégia que merece ser revista. Pior ainda porque esta é uma iniciativa apoiada pela mídia de massa, que continua fazendo de tudo para maquiar a questão da maconha medicinal, chamando o remédio de CBD.

Falar de maconha recreativa é praticamente proibido, mas não se tocam que a ilegalidade da maconha afeta tanto seus filhos que precisam de tratamento quanto o jovem negro na periferia que sofre as consequências dessa guerra desastrosa e sanguinária. Na Paraíba, muitos manifestantes da maconha medicinal usavam uma camiseta estampada “Canabidiol Já”, mas porque não “Maconha Já”? É importante ter uma visão global da questão, pois diz respeito à vida de muitas pessoas.

Essas autorizações que vem sendo concedidas, são um começo, mas não o objetivo. Importar o óleo é caro, precisamos de uma alternativa de produção nacional e que possa atingir muito mais pacientes. E não somente aqueles que necessitam do canabidiol, mas tantos outros que também precisam de THC e outros canabinóides – como no caso de pacientes que sofrem de dores crônicas e esclerose múltipla por exemplo.

O canabidiol é apenas um dentre dezenas de canabinoides da planta da maconha, que são tão medicinais quanto. Quando uma pessoa se refere, reproduz, comunica a questão da maconha medicinal, como “Canabidiol”, Óleo de CBD”, “o CBD do meu filho”… ela está claramente fazendo um desfavor para a luta de muitos outros pacientes. Pois não existe “Óleo de CBD” e sim Óleo de Maconha rico em CBD. O óleo que todos os autorizados importam, que os pais dão as crianças, não é isento de THC e outros canabinóides. Quem ingere este óleo, de certa forma está ingerindo a maconha completa, só que com níveis de canabinóides diferentes.

Mas, finalmente, parece que o THC vai ganhar seu espaço no debate! O tetraidrocanabinol faz parte da lista de substâncias proibidas no país pela Anvisa, mas é importantíssimo para tratar dores e espasmos. E foi com base em estudos internacionais e sua própria experiência de vida, que a moradora de Belo Horizonte, Juliana Paolinelli entrou na Justiça pelo seu direito de utilizar e importar um medicamento à base de maconha, rico em THC.

Ela sofre fortes dores crônicas e espasmos causados por um sério problema em sua coluna. Após tentar diversas alternativas, inclusive a forte morfina, Juliana encontrou na maconha um alívio que não conheceu com nenhum outro medicamento. Porém, a maconha que ela tem acesso no Brasil é de péssima qualidade, suja e imprópria para o consumo medicinal e mesmo utilizando desta péssima alternativa, ainda tem resultados melhores do que com os tradicionais medicamentos industrializados.

No documentário DOR, parte integrante da campanha Repense, Juliana explica sua condição e como a maconha faz diferença em sua vida.

 

 

A decisão saiu no último dia 22 de agosto e agora a Anvisa é obrigada a autorizar a importação do Sativex. Esta é uma vitória não só da Juliana, mas da maconha medicinal como um todo. É um momento em que o THC é reconhecido judicialmente como substância medicinal e autorizado para o tratamento de um paciente. O papo de “meu CBD” acabou! Esta aí a prova de que precisamos autorizar a maconha e não suas frações. É um importante passo que ajudará a trilhar um novo caminho daqui pra frente, pelo menos na esfera do discurso e do debate.

Juliana é a primeira paciente a conseguir quebrar o preconceito contra o THC e esta vitória sempre será lembrada. Da mesma forma que muitos pacientes surgiram pedindo o uso do óleo de maconha rico em CBD, outros tantos surgirão reivindicando o uso do THC também e cada vez mais o assunto será a maconha medicinal e não só esta ou aquela parte da planta.

É claro que a sonhada legalização, nos moldes que pacientes e usuários recreativos desejam ainda está um tanto quanto longe, principalmente porque estamos em ano de eleições e mencionar legalizar a maconha não é a pauta principal. Mas ainda assim, ninguém pode negar que o processo começou. Da mesma forma que nos EUA, aqui a maconha começa a ser legalizada pela necessidade medicinal.

Precisamos continuar avançando nesse sentido e desenvolver formas mais viáveis de obtenção da medicina. Por hora, as autorizações judiciais servem para quebrar o estigma negativo da planta, mas está longe de ser uma solução definitiva para essa questão.

Efeito Comitiva dos canabinóides

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O poder medicinal da maconha não está em apenas um ou outro canabinóide, mas sim em uma ação conjunta entre todos os seus componentes. Compreender os efeitos da ação dos canabinóides é o principal caminho para desfrutar da versatilidade dessa planta, que vem se mostrando a melhor opção medicinal para inúmeros tratamentos.

Por muitos anos o delta-9-tetrahidrocanabinol, o famoso THC, foi o canabinóide mais popular e amplamente pesquisado pela ciência. Isso se deve ao fato de ser o mais abundante e principal responsável pelos efeitos psicoativos causados pela planta. Até pouco tempo atrás, quase não se falava sobre outros componentes da maconha.

No entanto, hoje em dia parece que o canabidiol (CBD) tem chamado muito mais atenção. O canabidiol é o segundo canabinóide mais abundante na planta da maconha e apesar de ter muitas propriedades medicinais, inclusive anticancerígenas, ele se destaca por não ser psicoativo. Na verdade ele também é responsável por balancear os efeitos psicoativos do THC. Devido à sua capacidade de fornecer alívio terapêutico para crianças e adultos que sofrem de distúrbios epilépticos, o CBD vem ganhando cada vez mais destaque no debate sobre a maconha medicinal. Isso acontece simultaneamente em vários países, inclusive no Brasil.

Por aqui, graças à nossa sociedade desinformada e conservadora, bastou alguns canais de comunicação abordarem o CBD como tratamento não psicoativo para a epilepsia, e logo o composto caiu nas graças de todos, até dos mais desconfiados sobre o tema. Isso porque a abordagem midiática do CBD foi feita de forma individualizada, preconceituosa e desinformada. A grande mídia busca segregar o CBD (em forma de óleo), na intenção de fazer as pessoas pensarem que o canabidiol é algo alheio à maconha, não psicoativo e moralmente permitido. A intenção é muito clara: separar o CBD da maconha e continuar a recriminar o THC, sem esclarecer sobre os outros canabinóides, para manter a proibição da maconha. Esta divisão entre psicoativo/imoral e não-psicoativo/permitido, colabora para a manutenção do preconceito contra o usuário recreativo, além de prejudicar milhares de pacientes que necessitam de outros canabinóides além do canabidiol.

E não é só aqui que acontece isso. Alguns estados americando querem aprovar “leis do CBD” para o uso medicinal do canabinóide como um composto isolado e isso é gravíssimo. Devemos questionar e combater esse tipo de política, afim de melhorar o debate e buscar alernativas mais compatíveis com a versatilidade da maconha.

Por conta dessa divisão inventada pela mídia, muitos leigos podem enxergar o CBD e o THC como competidores, mas não são. A realidade é que ambos os compostos, juntamente com dezenas de outros canabinóides, desempenham um papel importantíssimo na prestação dos benefícios terapêuticos associados ao tratamento com a planta. Os efeitos medicinais são muito melhores quando os canabinóides trabalham em conjunto. É exatamente esse trabalho em equipe, entre canabinóides e mais de 400 outros compostos adicionais (terpenos, flavonóides, etc), que dão versatilidade a maconha e a tornam a melhor opção de tratamento para uma grande variedade de doenças.

A maconha é composta por dezenas de canabinóides medicinais. Dar atenção para um deles e ignorar todos os outros é um completo desperdício e uma injustiça.

A maconha é composta por dezenas de canabinóides medicinais. Dar atenção para um deles e ignorar todos os outros é um completo desperdício e uma injustiça.

Quanto mais canabinóides melhor

Um pessoa bem informada sobre maconha provavelmente estará familiarizada com os mais famosos canabinóides que compõe a planta, conhecidos como os Seis Grandes Canabinóides: THC, CBD, CBG, CBN, CBC, e THCV. Cada planta de maconha contém estes e muitos outros compostos em diferentes porcentagens, como parte do perfil químico total da planta. Uma planta com maior porcentagem de CBD, por exemplo, terá mais efeitos corporais, enquanto que uma planta com um nível de THC mais elevado, terá maior efeito psicoativo. A maconha é uma planta fantástica para a medicina, não só no sentido curativo, mas pela variedade de aplicações possíveis devido à essa grande diversidade de canabinóides.

Graças à décadas de cultivo e aperfeiçoamento de técnicas, hoje é possível manipular genéticas de maconha a fim de desenvolver uma planta com maior ou menor quantidade de determinado canabinóide. Por conta dessas técnicas de cultivo, hoje existem linhagens de maconha com mais CBD do que THC, na proporção de até 4:1. Mas isso não significa que essas plantas deixam de ser maconha só porque tem menos THC, nem os extratos derivados dessas plantas.

É o caso do Óleo de Maconha (Hemp Oil /RSO) de CBD, que está sendo apresentado ao público como medicamento feito unicamente de canabidiol, tornando-o moralmente aceito. Mas isso não condiz com a realidade. Sempre que falarmos sobre um extrato de maconha, o mais correto seria dizer que ele é rico em determinado canabinóide, jamais dizer que ele é feito – porque, afinal de contas, ele é feito de maconha. Portanto, não significa que extratos de CBD contenham somente CBD e estejam livres de THC, ou qualquer outro canabinóide. Este é um grande equivoco cometido por muitos leigos no assunto, quando não conhecem muito bem o processo de produção do óleo. O óleo é feito diretamente da planta, e pode ser feito a partir de qualquer genética de maconha, sendo assim, ele continuará contendo todos os outros componentes, porém em níveis diferentes. A única forma de se produzir um medicamento feito exclusivamente de algum canabinóide, é de forma sintética (como no caso do Marinol).

Além de canabinóides, a composição química da maconha contém outros compostos como os terpenoides, aminoácidos, proteínas, açúcares, enzimas, ácidos gordos, esteres e flavonoides, apenas citando alguns. Naturalmente, você consome todos esses compostos quando utiliza a maconha, seja com finalidades recreativas ou medicinais – inclusive, essa é a forma mais adequada de consumir a maconha medicinal. Vale lembrar que a maioria dos canabinóides apresentam propriedades medicinais e podem beneficiar a saúde em algum sentido. Ou seja, para um tratamento adequado, o médico precisa ter pleno conhecimento sobre genéticas de maconha e aconselhar a melhor genética para cada paciente. Alguns podem precisar de um óleo rico em THC, outros uma tintura rica em CBD, e quem deve fazer a distinção e escolha da genética é o profissional de saúde.

A questão é, como todos esses compostos funcionam em conjunto para proporcionar alívio terapêutico? A resposta pode ser encontrada em um conceito chamado de Entourage Effect, ou Efeito Comitiva.

Neste vídeo é possível entender melhor sobre os efeitos dos varios canabinóides encontrados na maconha:

 

 

Entourage Effect

Descrito pela primeira vez em 1998 pelos cientistas israelenses Raphael Mechoulam e Shimon Ben-Shabat, a ideia básica do Entourage Effect (ou Efeito Comitiva ao pé da letra), é que os canabinóides dentro da maconha funcionam em sinergia, trabalhando em conjunto e afetam o corpo através de um mecanismo semelhante ao dos próprios endocanabinóide do sistema corporal. Esta teoria serve como base para uma ideia bastante recriminada dentro da comunidade farmacologia: a ideia de que em alguns casos os extratos de maconha (óleos, tinturas e inclusive as próprias flores secas) contendo todos os agentes terapêuticos funcionam melhor que a administração de canabinóides individuais e isolados.

A teoria do efeito entrega foi aperfeiçoada há pouco tempo por Wagner e Ulrich-Merzenich, de maneira que eles definem os quatro mecanismos básicos pelos quais o extrato completo da planta contribui para o tratamento medicinal:

  • Capacidade de afetar múltiplos alvos dentro do corpo;
  • Capacidade de melhorar a absorção de ingredientes ativos;
  • Capacidade de superar mecanismos de defesa bacterianas;
  • Capacidade de minimizar os efeitos colaterais adversos.

Assista à este vídeo onde o Dr. Sanjay Gupta explica sobre o funcionamento dos canabinoides no nosso corpo e aborda também o Efeito Comitiva:

 

 

Múltiplos alvos

Muitos estudos têm demonstrado a eficácia da maconha como um agente terapêutico para espasmos musculares associados a esclerose múltipla. Um estudo realizado pelo Dr. Wilkinson e colegas, determinaram que os extratos da planta inteira foram mais eficazes do que o componente THC isolado.

Os pesquisadores compararam 1mg de THC contra 5mg/kg de extrato de maconha com a quantidade equivalente de THC, e descobriram que o extrato da planta  produziu um efeito antiespasmódico muito maior que o composto isolado. Os investigadores atribuíram este resultado a presença de canabidiol (CBD) no extrato de maconha, o que ajuda a facilitar a atividade do sistema endocanabinóide do corpo.

Melhor absorção

O Efeito Comitiva também trabalha para melhorar a absorção dos extratos de maconha. Os canabinóides são compostos quimicamente polares, ou seja, de difícil absorção pelo corpo na forma isolada.

A absorção de produtos tópicos fornece um exemplo deste problema. A pele é composta por duas camadas, o que faz com que seja difícil a passagem de moléculas muito polares, tais como a água e canabinóides. Com o auxílio de terpenoides, como cariofileno, a absorção de canabinóides pode ser aumentada e os benefícios terapêuticos alcançados mais facilmente.

Superando os mecanismos de defesa bacterianas

O Efeito Comitiva encontrado nos extratos de maconha, é eficaz no tratamento de várias infecções bacterianas. Existem uma série de estudos que mostram as propriedades antibacterianas dos canabinóides. No entanto, em alguns casos as bactérias desenvolvem mecanismos de defesa ao longo do tempo para combater os efeitos dos antibióticos, tornando-as resistentes às terapias anteriormente eficazes.

Sendo assim, os extratos da maconha são altamente benéficos, pois também possuem componentes não-canabinóides que têm propriedades antibacterianas. Estas moléculas atacam as bactérias através de maneiras diferentes dos canabinóides. Atacando em várias frentes, o desenvolvimento de resistência bacteriana se torna limitada.

Combatendo possíveis efeitos colaterais adversos

Por fim, o Efeito Comitiva permite que certos canabinóides modulem os efeitos colaterais negativos de outros canabinóides. O exemplo mais cabal disso é a capacidade do CBD de modular os efeitos psicoativos do THC.

Muitos já ouviram falar sobre o aumento da ansiedade e paranoia por vezes associada ao consumo da maconha. Entretanto, uma pesquisa mostrou que graças ao Efeito Comitiva, o CBD pode ser eficaz em minimizar a ansiedade associada ao THC, diminuindo sentimentos de paranoia nos raros casos relatados por usuários.

Como você pode ver, o THC, CBD e os outros canabinóides não precisam competir uns com os outros, muito pelo contrário, eles não só podem, como devem trabalhar em conjunto, afim de proporcionar a cura e/ou alívio terapêutico para uma ampla variedade de condições.

 

Vivemos um momento favorável ao CBD e apesar de termos consciência que já é um grande passo, temos que ficar atentos ao discurso que está sendo adotado pela mídia de massa (adotado inclusive por muitos pais e pacientes que precisam do canabidiol), onde destacam apenas o composto CBD como agente tratador de doenças, desassociando ele da planta da maconha e negligenciando os benefícios medicinais de todas as outras dezenas de canabinóides – como se somente o uso do CBD fosse medicinal e merecesse respeito, enquanto o uso de outros canabinóides – tão ou mais importantes, dependendo do caso – é considerado desnecessário. Isso também compromete a saúde de milhares de outros pacientes que se beneficiam dos efeitos de outros canabinóides, como o próprio THC que é o indicado em casos de TDAH, depressão, ansiedade, esclerose múltipla, entre outras.

Os casos do uso de CBD que ganharam destaque na mídia são todos relacionados à epilepsia, e existe uma infinidade de casos na internet de diversas outras doenças, tratadas com a maconha completa, inclusive casos de cura de câncer. O direito à maconha medicinal, seja na forma de óleo, tintura, pomada, extrato de CBD, de THC ou oqualquer seja, é uma questão de respeito e dignidade. A luta é pela planta, não por um composto.

Além disso há uma questão não abordada pela mídia, porém não menos importante e que vale a pena destacar: ninguém deveria precisar pedir permissão para importar nenhum tipo de extrato de maconha, pois deveríamos cultivar a maconha aqui mesmo. O interesse da grande indústria em manter a planta proibida é muito grande, e quanto mais distante eles conseguirem nos manter longe dela, mais poderão lucrar. Monopolizar o cultivo e produção de medicamentos é sem dúvida um dos objetivos das grandes farmácias, como a Bayer e seu braço GW Pharma. Sociedade e legisladores precisam entender que a melhor alternativa para produção de maconha medicinal é plantar aqui, em solo brasileiro, e não ter que importar. A parcela de pacientes que podem pagar U$ 500 (fora impostos) na importação do óleo, é mínima, apenas quem tem muito dinheiro para manter um tratamento assim. O óleo de maconha deveria ser distribuído gratuitamente pelo SUS e regulamentado para a produção caseira ou por cooperativas, e o que não falta são pessoas já dispostas a começar trabalhar com isso aqui no Brasil.

O cultivo caseiro é pilar central na questão da maconha medicinal.

O cultivo caseiro é pilar central na questão da maconha medicinal.

O primeiro passo já foi dado e é importante sim, mas a forma como esta sendo conduzido fará toda a diferença. A sociedade precisa compreender que não é possível isolar um canabinóide a não ser pela produção sintética, nenhum óleo no mundo é composto apenas por um único canabinóide. Não existe esse papo de “óleo de CBD”, é óleo de maconha! Ou se quiserem, óleo de maconha rico em CBD. Nesse sentido, o mais importante é o conhecimento das genéticas adequadas e o desenvolvimento de tratamentos com base nessas genéticas específicas.

Uma coisa é certa: comer frutas reais, legumes e outros vegetais, proporciona uma nutrição muito mais saudável e eficaz do que tomar pílulas de vitaminas isoladas. A ciência vem mostrando que com a maconha pode funcionar da mesma forma, a comitiva de canabinóides valem muito mais do que um único composto isolado. Que venha o óleo, que venham as cooperativas e cultivo caseiro… que venha a cura pela maconha.

 

Entenda como o THC ajuda a eliminar as células cancerígenas por completo

 Apesar do ceticismo de parte da sociedade, cada vez mais pesquisas vem comprovando os benefícios da maconha no combate ao câncer.

A biologista Dra. Christina Sanchez, é uma biologa molecular da Universidade Compultense de Madri, que passou a última década estudando os efeitos anti câncerígenos dos canabinoides. Neste vídeo, ela explica de maneira clara como o THC (o principal canabinoide da maconha e que possui efeito psicoativo) mata as células cancerígenas por completo.

Ao longo do vídeo, produzido pela CannabisPlanet.Tv, a Dra. Sanchez explica sobre o descobrimento do THC por Raphael Mechoulam até as propriedades terapêuticas do CBD.

Após a descoberta do THc pelo Dr. Mechoulam, em 1964, as pesquisas seguintes nos anos 80 descobriram os que possuímos receptores que interagem com os canabinoides da maconha.

Ficou claro que nós deveríamos produzir alguma coisa que interagisse com esses receptores canabinóides. Dessa forma, essa descoberta veio a provocar uma outra descoberta ainda mais interessante: na verdade, nós possuímos e sintetizamos canabinoides internos, os chamados endocanabinóides (porque são produzidos dentro do nosso corpo).

Esses compostos, juntamente com os receptores, a produção desses canabinóides, são chamados de sistema endocanabinóide, e é responsável por regular uma série de funções biológicas, como a locomoção, apetite, reprodução, circulação, respiração e muita, muitas outras funções. É por esse motivo que a planta tem tanto potencial terapêutico.

A Dra. Sanchez também explica sobre os avanços nos estudos sobre os efeitos anti cancerígenos dos canabinóides, onde constataram a redução de tumores com a administração desses canabinóides. De alguma maneira os canabinóides administrados mataram as células cancerígenas. então eles decidiram fazer experimentos em modelos vivos, e puderam constatar os mesmos efeitos anti tumorais serem reproduzidos nesses modelos.

Com essas pesquisas – não só a equipe dela, mas diversas outras equipes de pesquisas espalhadas pelo mundo que possuem resultados semelhantes – os cientistas tem evidências suficientes para afirmar que os compostos canabinóides da maconha são um tratamento efetivo contra diversos tipos de câncer, onde matam as células cancerígenas, sem afetar as células saudáveis.

Ela afirma também que a equipe de cientistas já entrou em contato com diversos oncologistas e que estes já se dispuseram a iniciar os testes desses componentes em pacientes humanos. Vejam bem, as provas definitivas da cura do câncer estão à caminho!

Após isso segue uma breve explicação sobre o Canabidiol (CBD), talvez o segundo canabinóide mais importante da planta cannabis. Ele tem um efeito não psicoativo, e contra-balança o efeito efeito psicoativo da maconha em relação ao THC. Quanto mais CBD, menos psicoativa a erva será.

Este canabinóide é um potente antioxidante, protege o cérebro contra danos e stress, por exemplo, além de ter um fortíssimo efeito anticancerígeno, sendo responsável pela redução de diversos tipos de tumores.

O que é o Óleo de Maconha (Hemp Oil, RSO)? Como produzir? Leia mais.
Casos de pacientes que se beneficiaram do tratamento medicinal à base de maconha. Leia mais.

Regulamentar a produção, distribuição e venda desse medicamento pode significar a diferença entre a vida e a morte milhares de pacientes que lutam, contra diversas doenças, principalmente o câncer.

 

Maconha contém princípio ativo que protege a memória, sugere estudo da PUCRS

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Cientistas descobrem em componente da planta possível remédio para Alzheimer e Parkinson

Se o que pesquisadores da PUCRS viram ocorrer em ratos for confirmado em humanos, um princípio ativo da maconha poderia ser valioso no tratamento e na reversão dos sintomas de pacientes com quadros de demência, como Alzheimer e Parkinson.

Pergunte a alguém na rua sobre impactos da maconha na saúde e é provável que a réplica inclua raciocínio lento ou esquecimento. Acontece que a Cannabis sativa é uma planta de muitos princípios ativos. São mais de 80 dos chamados canabinoides que, isolados, produzem efeitos distintos. O mais conhecido é o delta9-tetrahidrocanabinol.

Protagonista dos efeitos psicoativos, o THC tem comprovados potenciais terapêuticos, mas compromete cognição e memória. Remando contra a maré psicoativa, um outro canabinoide chama atenção, com propriedades que muitos cientistas veem como promissoras para a medicina. Esse cara é o canabidiol (CBD), e foi nele que o grupo de pesquisa sobre Memória e Neurodegeneração da Faculdade de Biociências da PUCRS centrou suas atenções.

– Muitos estudos sugerem que o THC e o CBD apresentam efeitos opostos – explica Nadja Schroder, coordenadora do Programa de Pós-Graduação de Biologia Celular e Molecular e líder do grupo. – Nossos resultados indicam que o CBD, quando administrado de forma isolada, melhora a memória – completa a pesquisadora.

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Parkinson e Alzheimer estão relacionados ao acúmulo de ferro na região do hipocampo. Os pesquisadores sujaram esse lar das lembranças. Após administrar ferro nos roedores, ficaram de olho em duas proteínas: a sinaptofisina, indicadora da comunicação entre neurônios (sinapse), e a caspase 3, chave da morte celular. Como era esperado, os níveis da primeira diminuíram e os da segunda aumentaram, indicando menos contatos sinápticos e mais degeneração cerebral.

Bastou, então, dar CBD sintético às cobaias, e os níveis das proteínas retornaram ao normal. O experimento foi publicado em julho na revista Molecular Neurobiology, sob a assinatura de Nadja e outros pesquisadores da PUCRS e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto. Os cientistas sugerem que o CBD seja considerado uma molécula protetora do cérebro e dos neurônios.

– Os resultados são promisssores e ainda há muitos estudos a serem feitos – avalia Nadja.

Velho (re)conhecido

As legalizações de Cannabis medicinal nos EUA, na Europa e, mais recentemente, no Uruguai, lançam luzes sobre o CBD. A rede americana CNN transmitiu recentemente o documentário Weed (Erva), em que o médico-celebridade Sanjay Gupta apresenta o caso clínico que o tornou entusiasta do uso médico da planta.

Dr. Gupta virou a casaca após conhecer Charlotte Figi (veja o vídeo abaixo). A menina de seis anos, acometida pela rara Síndrome de Dravet, sofria 300 convulsões por dia e definhava sem que a medicina tradicional lhe oferecesse qualquer alento. Foi um extrato de CBD que praticamente livrou Charlotte dos ataques e lhe devolveu a capacidade de falar e caminhar.

 

 

– Na década de 70, o grupo do professor Elisaldo Carlini (neurocientista da Universidade Federal de São Paulo) identificava, como um dos primeiros efeitos próprios do CBD, o antiepiléptico – lembra o psiquiatra da USP Antonio Zuardi, que assina o artigo com os pesquisadores da PUCRS e publicou estudos clínicos demonstrando o potencial do canabidiol contra ansiedade e sintomas psicóticos em esquizofrênicos.

Investigado há mais de meio século, o CBD é visto como promissor para uma variedade de condições (leia quadro acima). Para as pesquisas sobre doenças degenerativas, Nadja afirma que o passo natural seria testar clinicamente a eficácia do tratamento na recuperação da memória. Pode ser que se confirme, no irmão do THC, um aliado na luta contra as ainda incuráveis doenças de Alzheimer e Parkinson.

– Há estudos realizados em humanos indicando que o canabidiol (isolado) é seguro mesmo quando usado em doses altas – salienta.

Zero Hora

Os maconheiros dormem melhor

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Além de aumentar o tempo de duração, a maconha também melhora a qualidade do sono]

Não é só hábito ou cultura. Queimar unzinho antes de dormir trás mais benefícios do que você pode imaginar.

Pra muita gente, aquele beck noturno, queimado antes de dormir, costuma ser o melhor do dia. Em todo o mundo, é muito comum as pessoas usarem a maconha antes de dormir, seja por hábito ou necessidade, e décadas de pesquisas e estudos podem explicar o porquê. 

Além de aliviar a insônia, a maconha possui uma vasta gama de efeitos sobre o sono. Isso se deve porquê os compostos químicos contidos na maconha, os canabinoides, simulam efetivamente a atividade de substâncias químicas contidas naturalmente no cérebro.

Essas substâncias químicas e seus aspectos biológicos compõem o sistema endocanabinoide do corpo, que é responsável pela regulação do sono, entre outras funções. Entre seus benefícios, aqui estão alguns dos principais:

Adormecer mais Facilmente

Algumas das primeiras pesquisas sobre maconha e sono, mostram que o principal ingrediente da maconha, o THC, pode reduzir bastante o tempo que as pessoas levam para dormir.

Um pequeno estudo publicado em 1973 realizado com 9 indivíduos que sofriam de insônia, mostrou que o THC reduziu em média 1 hora o tempo que levaram para dormir. No entanto, os pesquisadores notaram que doses muito altas poderiam neutralizar o efeito, ja que esse canabinoide tem uma característica estimulante. Também foi estudado o efeito do THC em indivíduos saudáveis, que por sua vez se mostrou igualmente eficaz.

Dormir mais

Os primeiros estudos também revelaram que, seja consumindo THC ou CBD antes de dormir, provavelmente o tempo do sono ira aumentar. Em um desses estudos, mostrou-se que quanto mais THC for consumido, mais o tempo gasto dormindo.

No entanto, observou-se que doses mais altas de THC, podem trazer um acúmulo de pensamentos ao acordar, enquanto que com doses mais baixas isso não acontecia.

Sono mais Profundo

Alguns dos efeitos mais interessantes da maconha com relação ao sono, é seu impacto sobre o ciclo do sono. Estudos mostram que o THC pode aumentar a quantidade de sono em ondas lentas, também conhecido como sono profundo. Este é um ótimo efeito, já que um sono profundo desempenha um papel importantíssimo no processo de restauração, que ocorre durante o sono.

Além do mais, os especialistas acreditam que os efeitos nocivos da privação de sono resultam de uma falta de sono de ondas lentas. Por exemplo, pesquisas sugerem que a hipertensão, que pode surgir devido a falta de ondas lentas no sono, especialmente em homens mais velhos.

Diminuição do sono REM

Outra forma que a maconha interfere no sono é diminuindo o sono REM. Muitas pessoas que fumam antes de dormir, dizem não sonhar, o que só ocorre no sono REM. Embora a diminuição do sono REM possa parecer um efeito negativo, os cientistas ainda não sabem ao certo qual seria a finalidade desse estágio do sono.

No entanto, quando pessoas que usam maconha frequentemente interrompem o uso, experimentam um aumento no sono REM, também conhecido como “repercussão do sono REM”, que é acompanhado de um aumento no sonhar e inquietação durante o sono. Porém este efeito tende a desaparecer dentro de alguns dias ou semanas, dependendo do indivíduo.

Respirar Melhor

Quando se trata de uso medicinal, a maconha pode oferecer um benefício incrível para os cerca de 25% dos homens e 9% das mulheres que sofrem de uma doença chamada apneia do sono.

A apneia é caracterizada pela respiração interrompida durante o sono e tem sido associada a uma série de doenças graves, incluindo diabetes e problemas cardíacos. Infelizmente, a grande maioria das pessoas que sofrem da apneia do sono permanecem sem diagnóstico e nem tratamento. Mesmo aqueles que procuram tratamento, eventualmente desistem de usar uma máscara de CPAP todas as noites – acessório utilizado como para ajudar na respiração.

Mas é aí que a maconha pode ajudar! Atualmente, pesquisadores estão testando o THC como alternativa para a apneia e os primeiros resultados são muito promissores. Se os estudos clínicos forem bem sucedidos, pacientes com apneia do sono poderão ter a opção de trocar a grande máscara por uma dose de maconha antes de dormir.